Conheça a brasileira mais nova a chegar ao “topo do mundo”: o Everest!

Aos 23 anos, Ayesha Zangaro já havia escalado seis das sete montanhas mais altas da Terra, incluindo o temido Monte Everest, no Nepal!

Por Gabriela Junqueira Atualizado em 15 mar 2020, 14h03 - Publicado em 15 mar 2020, 10h04
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CAPRICHO/Divulgação

Foi depois de uma viagem em família, aos 15 anos, ainda na escola, que o sonho que transformou a vida de Ayesha Zangaro surgiu: o de escalar a montanha mais alta de cada um dos sete continentes! Hoje, aos 25 anos, Ayesha, além de ser bailarina, também é alpinista – e o que um dia foi um sonho, se transformou em um projeto superlegal chamado “7 Cumes”! Das sete montanhas que desejava escalar, só falta uma: o Monte Vinson, na Antártica. De resto, todas foram ticadas da lista.

Ayesha, ao lado do pai, Renato Zangaro, no topo do Everest! @carlossantana/Instagram

Tudo começou em 2011, quando a brasileira escalou a montanha Kilimanjaro, na Tanzânia. Já em 2012, subiu à Aconcágua, montanha com mais de 6 mil metros, localizada na Argentina. Em 2013, foi a vez da russa Elbrus. No ano de 2014, encarou a Carstensz, na Indonésia, e, no ano seguinte, a Denali, no Alasca. Em 2018, aos 23 anos, Ayesha Zangaro bateu seus recordes pessoais de altura e chegou ao topo da montanha mais alta do mundo: o famoso Monte Everest, no Nepal!

Com o feito, Ayesha se tornou a primeira brasileira mais jovem a escalar a montanha. E tem mais! Seu pai, que esteve com ela em todas as expedições, se transformou no brasileiro mais velho, aos 60 anos, a subir os 8.848 metros do monte. A mãe, Lysse, também os acompanha em todas jornadas, mas prefere esperar os dois no campo base, um tipo de primeira parada que fica ao pé de cada montanha.

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|20052018| último registro desse primeiro aniversário de cume para lembrar o quão importante é compartilhar experiências. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ eu nunca teria alcançado esse sonho sozinha e acredito que a troca de energia entre pessoa e pessoa e entre pessoa e natureza, é o verdadeiro combustível da nossa alma. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ mais um eterno e enorme obrigada aos companheiros de vida que deram esses passos tão duros e valiosos ao meu lado, @lyss.melo, @renatozangaro, @carlossantalena, @versuseumesmo, joel, paul, pemba rita, anup, lama, phura e dorjee. e um profundo agradecimento ao nosso sempre guia, damai sarki. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ “ainda bem que entre essas tantas emoções, nós conseguimos passar um rádio para o campo base e falar com a minha mãe. entre tantos momentos intensos, a conversa com ela fez com que as últimas lágrimas que eu estava segurando, escorressem naquele momento. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ hoje, daqui de longe, é até um tanto poético perceber o quanto essa experiência ressignificou meu olhar para o mundo inteiro.” ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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Sobre se aventurar com o pai, a alpinista conta que é transformador e que ambos dão suporte uma para o outro, superando as diferenças da vida cotidiana. Sobre as pessoas que conheceu no caminho, ela conta que todas foram fundamentais para seu sucesso.

Para a jovem, a montanha mais bonita que escalou foi Denali, no Alasca, mas assume que a cadeia de montanhas do Himalaia, onde fica o Everest, foi o lugar que mais a transformou como pessoa e mulher. “Quando você chega ao topo, você está no meio do caminho, ainda precisa descer. Aconteceram tantas coisas na descida que eu parei para pensar no quanto ainda temos para viver, para aprender. Lá de cima, você dimensiona o mundo de uma maneira muito diferente”, disso em entrevista para a CAPRICHO durante o II Encontro de Mulheres Viajantes que aconteceu em São Paulo, no último final de semana.

Eu, Gabi Junqueira, estagiária de comportamento da CH, ao lado de Ayesha e o traje que ela usou durante a expedição. Legal, né? Verônica Pádua/Reprodução

O alpinismo, além de ter mudado a forma como Ayesha vê o mundo, também mudou a maneira com que ela se enxerga. A expedição ao Everest foi realizada logo após ter concluído a faculdade de dança e lhe deu forças para encarar aquele momento de dúvidas que é comum depois da formatura. Ela percebeu que basta querer e ter foco, que podemos fazer o que quisermos.

  • O esporte também influenciou na sua relação com o corpo: “a gente sempre lida com algumas pressões estéticas. Parei para pensar e não preciso de um corpo que se encaixa nesse padrão, preciso de um corpo preparado para o que eu preciso fazer“, garantiu. E tem mais! Ayesha está escrevendo um livro sobre sua experiência no Everest. A ideia é que o lançamento ocorra em maio, no aniversário de dois anos da expedição.

    Ayesha conta sobre a expedição ao Everest para um público composto por 600 mulheres. Gabriela Junqueira/Reprodução

    Zangaro representa a parcela de viajantes que exploram o mundo sozinhas ou na companhia de amigos e/ou grupos de apoio. Esse número tem crescido cada vez mais, pois as mulheres estão percebendo o quão enriquecedor e empoderador é desbravar o mundo de maneira solo. A jornada, contudo, nem sempre é fácil. Uma pesquisa realizada pelo Booking em 2019, por exemplo, mostra que 17% das latinas têm medo de viajarwm sozinhas. É preciso ter cuidado, pois a rua, infelizmente, ainda é um ambiente masculino e perigoso para mulheres em muitos lugares do mundo, mas Ayesha encoraja: “por mais que a gente não se sinta pronta, é importante começar. Provavelmente, só vamos nos sentir preparadas depois de ter feito”.

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