Como saber se a minha timidez é um problema?
Quando ser tímido deixa de ser uma característica e se torna um desconforto paralisante? A CAPRICHO te ajuda a entender melhor.
ocê, que se considera uma pessoa tímida, já se questionou se ser “assim” é um problema? Essa é uma preocupação comum de jovens mais acanhados, por isso a CAPRICHO te ajuda a compreender e lidar melhor com essa característica.
Samarah Perszel de Freitas, psicóloga, doutora em Educação e professora do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), destaca que a timidez é uma experiência bastante comum e faz parte da vivência de muitas pessoas em determinados momentos da vida – como na adolescência, em que há uma série de transformações físicas, emocionais e sociais
“Por estar construindo sua identidade, o adolescente tende a buscar mais validação externa, principalmente entre os pares. Isso pode deixá-lo mais vulnerável à opinião e ao julgamento dos outros. Então, é natural e esperado que, em alguns momentos, ele fique mais sensível ao olhar dos colegas e experimente episódios de timidez ou insegurança”, diz.
A especialista descreve a timidez como uma “característica ou um fenômeno comportamental que envolve desconforto, preocupação e, em alguns casos, inibição diante de situações sociais nas quais a pessoa se sente observada, avaliada ou até mesmo julgada”. Isso pode acontecer, por exemplo, durante uma apresentação, uma palestra, uma conversa com pessoas desconhecidas ou em diferentes eventos sociais.
Timidez x introversão
É comum dizer que uma pessoa tímida é introvertida, mas essas palavras não são sinônimos. Uma pessoa introvertida não é necessariamente tímida. Como explica Samarah, a introversão está mais relacionada a uma forma de se relacionar com o mundo e de vivenciar as experiências sociais, como preferir estar sozinhas ou em grupos menores. “Isso não significa que elas se sintam desconfortáveis ou inseguras em situações sociais”, diz.
“Já a pessoa tímida pode, muitas vezes, desejar participar das interações sociais, mas experimentar receio, insegurança ou preocupação com a maneira como será percebida pelos outros”, explica.
E quando a timidez vira um problema, CH?
A psicóloga explica que a timidez costuma envolver um desconforto diante de determinadas situações sociais, mas esse desconforto tende a ser pontual ou temporário. “A pessoa pode ficar mais retraída, insegura ou desconfortável, mas, em geral, ainda consegue participar dessas situações e seguir sua vida”, diz. Agora, quando esse desconforto é mais intenso e persistente, e o jovem deixa de aceitar oportunidades, de sair com outras pessoas, de viver novas experiências, e começa a se limitar, é um sinal de alerta.
“Quando percebemos esse padrão de evitação, isolamento e prejuízo na vida cotidiana, acompanhado de sofrimento emocional significativo – como tristeza, choro frequente, ansiedade ou uma reclusão cada vez maior -, esse é um sinal de que é importante procurar auxílio psicológico”, recomenda Samarah.
Esse é meu caso, CH? E como não deixar isso atrapalhar minha vida?
A psicóloga diz que o primeiro passo é o autorreconhecimento: identificar se a pessoa se percebe como tímida e, principalmente, avaliar se essa timidez traz algum prejuízo real à sua vida (social, profissional ou emocional). A partir daí, é importante compreender as causas por trás dessa dificuldade, que variam de caso para caso: pode ser medo da rejeição, um trauma específico, uma necessidade excessiva de aprovação, um perfeccionismo exacerbado, entre outros fatores. “Cada pessoa tem sua própria história”, lembra.
Em seguida, é essencial estabelecer metas realistas e graduais. “Se alguém tem dificuldade para falar em público, por exemplo, não faz sentido se expor, de uma semana para a outra, a uma plateia de 1.500 pessoas. O ideal é avançar aos poucos, por meio de uma exposição gradual: iniciar conversas breves, buscar pequenas aproximações – com um colega de sala, alguém no ponto de ônibus, o motorista do aplicativo -, e assim ir construindo confiança em situações cada vez mais desafiadoras”, explica.
E acrescenta por fim: “Vale lembrar que, sob a perspectiva da terapia sistêmica e relacional, a confiança nas relações se desenvolve justamente dentro das relações. Por isso, buscar ambientes acolhedores, onde a pessoa possa criar vínculos com quem se sente mais à vontade, é um passo importante – e, a partir dessas experiências positivas, é possível ir expandindo o círculo social gradualmente.”





