O que as gírias e os memes revelam sobre como estamos nos comunicando

As redes sociais criaram uma nova linguagem entre a nossa galera e explicam mudanças no consumo de notícias no Brasil

Por Victor Evaristo 1 Maio 2026, 13h00 | Atualizado em 8 jun 2026, 12h11
Google Priorizar nos meus resultados Google
O

s jovens mudaram a forma de se informar e, junto com isso, passaram a se expressar de um jeito próprio. Em um cenário dominado por rolagens rápidas e conteúdos visuais, surgiu uma linguagem mais direta e carregada de referências. Não é só sobre consumir informação em poucos segundos, mas sobre transformar esse consumo em expressão.

Na última semana, Ingrid Guimarães viralizou ao não entender as gírias da filha adolescente, a situação foi além do humor e revelou uma diferença real de códigos e ruídos entre gerações. O episódio chamou atenção para um comportamento cada vez mais comum. A comunicação entre adolescentes nas redes sociais segue uma lógica própria, marcada por rapidez, códigos e senso de pertencimento.

Mas atenção, jovem leitor da CAPRICHO, esse jeito de escrever não deve substituir a norma padrão, e sim conviver com ela em contextos diferentes, como uma espécie de idioma informal das conversas online.

Continua após a publicidade

Ao mesmo tempo, os levantamentos mostram que essa transformação não acontece de forma igual para todos. Jovens, pessoas com maior escolaridade, renda mais alta e moradores de áreas urbanas utilizam mais intensamente os meios digitais, enquanto idosos e populações de áreas rurais ainda dependem majoritariamente da televisão.

Uma nova lógica de informação

Uma pesquisa do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR e do Comitê Gestor da Internet no Brasil mostra que 72% dos brasileiros acessam informações diariamente pelas redes sociais. Dentro desse grupo, 53% assistem a vídeos curtos, enquanto 50% utilizam sites ou aplicativos de vídeo e 46% recorrem a feeds de notícias. Além disso, 60% afirmam se informar por aplicativos de mensagens, superando os 58% que ainda recorrem a meios tradicionais como televisão, rádio e canais jornalísticos.

Esse comportamento influencia diretamente as interações do dia a dia. A notícia já chega resumida, muitas vezes acompanhada de opinião ou humor, e isso se reflete nas conversas. Um meme, um áudio ou um vídeo curto conseguem condensar ideias e sentimentos sem a necessidade de longas explicações.

Continua após a publicidade

Dados do Instituto DataSenado reforçam essa virada. Entre fevereiro e março de 2025, uma pesquisa com mais de cinco mil pessoas apontou que 54% dos brasileiros têm nos meios digitais sua principal fonte de notícias. A televisão aparece com 37%, enquanto rádio, revistas e jornais impressos somam apenas 8%. Entre as plataformas, o Instagram lidera com 32%, seguido por portais de notícias com 17%, YouTube com 11% e Facebook com 8%.

O que se consolida é um jeito de se informar e se expressar moldado pelas plataformas. Mais dinâmico, visual e conectado ao repertório coletivo, ele exige interpretação constante. Entre referências que surgem e desaparecem rapidamente, as novas gerações seguem criando novas formas de traduzir o mundo ao redor.

Continua após a publicidade

+ Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.

Continua após a publicidade

Eleições 2026: 8 pontos para jovens ficarem de olho

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.