O que as gírias e os memes revelam sobre como estamos nos comunicando

As redes sociais criaram uma nova linguagem entre a nossa galera e explicam mudanças no consumo de notícias no Brasil

Por Victor Evaristo 1 Maio 2026, 13h00 •
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s jovens mudaram a forma de se informar e, junto com isso, passaram a se expressar de um jeito próprio. Em um cenário dominado por rolagens rápidas e conteúdos visuais, surgiu uma linguagem mais direta e carregada de referências. Não é só sobre consumir informação em poucos segundos, mas sobre transformar esse consumo em expressão.

Na última semana, Ingrid Guimarães viralizou ao não entender as gírias da filha adolescente, a situação foi além do humor e revelou uma diferença real de códigos e ruídos entre gerações. O episódio chamou atenção para um comportamento cada vez mais comum. A comunicação entre adolescentes nas redes sociais segue uma lógica própria, marcada por rapidez, códigos e senso de pertencimento.

Mas atenção, jovem leitor da CAPRICHO, esse jeito de escrever não deve substituir a norma padrão, e sim conviver com ela em contextos diferentes, como uma espécie de idioma informal das conversas online.

Ao mesmo tempo, os levantamentos mostram que essa transformação não acontece de forma igual para todos. Jovens, pessoas com maior escolaridade, renda mais alta e moradores de áreas urbanas utilizam mais intensamente os meios digitais, enquanto idosos e populações de áreas rurais ainda dependem majoritariamente da televisão.

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Uma nova lógica de informação

Uma pesquisa do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR e do Comitê Gestor da Internet no Brasil mostra que 72% dos brasileiros acessam informações diariamente pelas redes sociais. Dentro desse grupo, 53% assistem a vídeos curtos, enquanto 50% utilizam sites ou aplicativos de vídeo e 46% recorrem a feeds de notícias. Além disso, 60% afirmam se informar por aplicativos de mensagens, superando os 58% que ainda recorrem a meios tradicionais como televisão, rádio e canais jornalísticos.

Esse comportamento influencia diretamente as interações do dia a dia. A notícia já chega resumida, muitas vezes acompanhada de opinião ou humor, e isso se reflete nas conversas. Um meme, um áudio ou um vídeo curto conseguem condensar ideias e sentimentos sem a necessidade de longas explicações.

Dados do Instituto DataSenado reforçam essa virada. Entre fevereiro e março de 2025, uma pesquisa com mais de cinco mil pessoas apontou que 54% dos brasileiros têm nos meios digitais sua principal fonte de notícias. A televisão aparece com 37%, enquanto rádio, revistas e jornais impressos somam apenas 8%. Entre as plataformas, o Instagram lidera com 32%, seguido por portais de notícias com 17%, YouTube com 11% e Facebook com 8%.

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O que se consolida é um jeito de se informar e se expressar moldado pelas plataformas. Mais dinâmico, visual e conectado ao repertório coletivo, ele exige interpretação constante. Entre referências que surgem e desaparecem rapidamente, as novas gerações seguem criando novas formas de traduzir o mundo ao redor.

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