Brasil elege o triplo de transexuais e travestis, em comparação a 2016

Neste ano, fora os 25 candidatos eleitos, 176 ficaram como suplentes; Thammy Miranda e Erika Hilton são alguns dos nomes de destaque em São Paulo

Por Gabriela Junqueira Atualizado em 17 nov 2020, 11h29 - Publicado em 17 nov 2020, 11h30
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CAPRICHO/Sestini/Reprodução

No último domingo, 15, a população brasileira elegeu 25 candidatos transexuais e travestis como vereadores em 18 cidades do país. O número é três vezes maior em comparação ao da eleição de 2016, em que, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), apenas oito candidatos foram eleitos.

Erika Hilton, Duda Salbert e Monica Benicio foram eleitas para vereadoras no domingo, 15 @hilton_erika/ @duda_salabert/ @monicaterezabenicio/Instagram

Segundo levantamento feito pelo UOL, com base em dados da Antra, 323 transexuais ou travestis se candidataram em 2020, número 263% maior do que o das últimas eleições. Fora os 25 candidatos eleitos, 176 ficaram como suplentes. Em São Paulo, Thammy Miranda, homem trans, e Erika Hilton, mulher trans, foram eleitos vereadores, sendo esta a primeira vez em que uma mulher negra trans é eleita na capital paulista. Um marco! “Venho de uma trajetória repleta de ódio e de negações. Quando chego neste espaço, já é algum tipo de ascensão”, disse Hilton, que recebeu mais de 50 mil votos, se referindo à Assembleia Legislativa de São Paulo.

Em Belo Horizonte, foi a vez da professora trans Duda Salbert, da bissexual Iza Lourença, e da mulher lésbica Bella Gonçalves serem eleitas. Já no Rio de Janeiro, Monica Benício, viúva de Marielle Franco, foi escolhida como uma dos 55 vereadores da cidade.

  • A Câmara Municipal terá uma vereadora assumidamente lésbica! Agradeço imensamente aas mais de 22 mil pessoas que votaram por um futuro mandato feminista e antifascista para a Câmara Municipal do Rio!”, disse Monica em suas redes sociais.

    Apesar de ainda ser uma parcela pequena do total, esse crescimento reflete uma maior representatividade e mostra que política não é mais coisa de homem hétero, cis, branco e rico.

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