Bandeirinha é atingida por água quente em jogo dias após criticar machismo

"Faltavam 2 min pro fim do jogo e senti um líquido quente descendo pelas costas" disse Rosana que, apesar da dor, esperou o final do jogo pra ir ao hospital

Por Amanda Oliveira - 29 mar 2019, 15h00

Normalmente, o futebol costuma ser motivo de alegria para muita gente. Mas, infelizmente, ele também pode se tornar cenário para atos de violência de torcedores que, claramente, não entenderam nada sobre o esporte. Um triste exemplo disso aconteceu no último sábado, 23, durante a partida entre Marquesado e San Martín. O jogo foi em San Juan, na Argentina, no primeiro dia do campeonato da liga local. Perto do fim da partida, torcedores do Marquesado jogaram um balde de água fervente nas costas de uma bandeirinha que estava próxima ao campo. Rosana Paz, de 46 anos, precisou ser atendida imediatamente.

Reprodução/Twitter

Embora o clube estivesse ganhando de 1 a 0, o Marquesado havia sido prejudicado pela arbitragem por conta de uma falha de outro assistente – e isso provocou a ira do grupo de torcedores, que decidiu descontar em Rosana. “Faltavam dois minutos para o fim do jogo e eu senti um líquido quente descendo pelas minhas costas. Chamei o árbitro principal no exato momento para contar o que tinha acontecido. Pedi para que me dessem água fria, para aliviar o ardor”, a bandeirinha disse em entrevista ao Telesol Diario.

Apesar da dor, Rosana terminou seu trabalho na partida e, depois de notar algumas bolhas aparecendo na pele, foi para o hospital. “Realizaram exames para ver se fiquei com algum tipo de trauma nas costas. Graças a Deus, não tive. Mas o médico me disse que era uma queimadura grave e teria que me cuidar“, explicou.

Esse tipo de violência não pode e nem deve ser aceita em nenhum esporte, seja com homens ou mulheres. Mas, é claro, quando a vítima é uma mulher que sofre diariamente com insultos e ofensas machistas por trabalhar com futebol, é difícil não imaginar que a motivação por trás do ataque não tenha tido machismo, nem que tenha sido um pouquinho. De acordo com o site argentino 911 Mujer, Rosana havia falado sobre as dificuldades de ser uma bandeirinha mulher em um esporte tão machista dias antes de ser atacada. “Recebo muitos insultos, xingamentos machistas, outros dão em cima, fazem cantadas grosseiras, há de tudo. Mas, sou apaixonada por entrar em campo e desempenhar a tarefa para a qual me preparei durante tanto tempo”, disse.

Apesar do susto e da recuperação que ainda está por vir, Rosana não encara o ocorrido como um motivo para desistir da profissão. “Seja mulher ou homem. Esse tipo de situação não deve acontecer em nenhuma circunstância. Por isso, não vou abaixar minha cabeça. Vou continuar. É muito difícil ver mulheres no futebol e eu não vou dar o braço a torcer. Espero voltar logo e recuperada”, afirmou ao Telesol Diario.

Esse tipo de “torcedores” não representa o que é o futebol ou qualquer outro esporte. Forças à Rosana e que ela possa voltar ao gramado para trabalhar com o que ama tendo, acima de tudo, respeito. #DeixaElaTrabalhar

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