‘Alfa, beta e sigma’: O que esses rótulos ‘masculinos’ significam?

Expressões que nasceram em fóruns da internet tem o objetivo de rotular meninos entre fortes, tímidos e misteriosos e medir seu próprio valor.

Por Victor Evaristo 11 Maio 2026, 19h00 | Atualizado em 11 Maio 2026, 19h57
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alavras como “alfa”, “beta” e “sigma” saíram dos fóruns obscuros da internet e chegaram até às redes sociais e as brincadeiras entre crianças e adolescentes. Hoje, basta acessar o celular para encontrar vídeos ensinando “como agir como um alfa”, listas de “traços de um homem beta” ou piadas classificando atitudes masculinas dentro desses arquétipos. O que começou como um debate em nichos masculinos online virou uma linguagem popular entre as gerações Z e Alfa.

Muitas crianças e adolescentes usam os termos sem conhecer sua origem, apenas porque eles já fazem parte do vocabulário digital atual. Em alguns casos, aparecem de forma irônica; mas, infelizmente, muitas vezes são levados a sério como referência de masculinidade.

Você, leitor e leitora de CAPRICHO, que já se deparou com essas expressões e viu até amigos e amigas reproduzindo, sabe realmente o que elas significam e porque são usadas? Bem, continue com a gente nesse texto, que a CAPRICHO te explica.

Alfa, Beta, Sigma? Oi?

Não, não é uma aula de física ou com termos matemáticos. Estes nomes servem para definir perfis masculinos. O “alfa” seria o líder dominante e confiante. O “beta”, o cara mais tímido e emocional. Já o “sigma”, aparece como o homem “lobo solitário”, independente e misterioso, alguém que supostamente não precisa de aprovação social.

Existem ainda outras divisões menos conhecidas, como “ômega”, “delta” e “gama”, usadas para encaixar diferentes personalidades em uma espécie de hierarquia imaginária.

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Tem relação com noção de superioridade?

Especialistas e pesquisadores apontam que essa lógica tem pouco embasamento científico. A popularização do conceito de “macho alfa” veio de estudos antigos sobre lobos feitos em cativeiro.

Décadas depois, um pesquisador responsável por difundir grande parte da teoria, David Mech, já afirmou em entrevista para a New Yorker, revista norte-americana, que ela foi mal interpretada. Em pesquisas posteriores, ele observou que alcateias selvagens funcionavam mais como famílias, e não como grupos em constante disputa por dominância.

Mesmo assim, o conceito ultrapassou a biologia e ganhou força na cultura pop e nos conteúdos sobre liderança e masculinidade na internet.

Livros de sedução e fóruns online ajudaram a transformar “ser alfa” em um ideal associado a poder, sucesso e atração. Um dos nomes mais influentes nesse universo é Rollo Tomassi, autointitulado o “padrinho da machosfera”, que ganhou destaque em 2013 com o livro The Rational Male, uma das obras que mais ajudaram a popularizar as ideias do movimento “red pill”.

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Com o tempo, tudo isso foi simplificado em memes e vídeos curtos, o que ajudou a espalhar ainda mais essas classificações.

Efeito nas gerações mais novas (do que você)

Especialmente no TikTok e no YouTube Shorts, muito consumidos pelo público mais jovem, esses rótulos aparecem quase que de forma onipresente.

O problema é que eles acabam reduzindo características complexas a definições rígidas, criando a sensação de que existe um jeito “certo” de ser homem, assustando meninos para que eles não sejam vistos como “betinhas”, categoria que foi relacionada à dificuldade de se relacionar com o sexo oposto.

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O sucesso dessas nomenclaturas revela uma tentativa constante de organizar relações humanas em categorias fáceis de consumir e compartilhar. A diferença é que, aqui, uma visão idealizada do que significa ser homem propaga diversos preconceitos e estimula a violência contra a mulher e outros crimes, como LGBTfobia.

Afinal, personalidade, convivência social e identidade são muito mais complexas do que qualquer letra do alfabeto grego consegue explicar, né?

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