A vez do DIU? Saiba mais sobre o método contraceptivo do momento

Esse método contraceptivo está em alta nas conversas entre amigas. Mas quantos tipos de DIU existem? Quais são as principais diferenças? Todas podem usar?

Por Isabella Otto 18 ago 2018, 10h00

Em dezembro de 2017, ficou mais fácil ter acesso ao DIU pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Isso porque a rede ampliou a distribuição, que chegou a mais estados e autorizou que mulheres que tivessem acabado de dar à luz já começassem a fazer uso do método. Nem todo mundo sabe, contudo, que apenas o DIU de cobre é disponibilizado gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde. Ele é um método eficaz de controle de natalidade, mas diversos médicos contra-indicam seu uso em adolescentes.

Reprodução/Reprodução

Muitas mulheres, em busca de métodos contraceptivos mais naturais, ou seja, livre de hormônios, também encontraram no DIU de cobre uma alternativa. Mas, afinal, quantos tipos de dispositivos intrauterinos existem? Quais são as principais diferenças entre eles? Para esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto, conversamos com o Dr. Marco Cavalcanti, ginecologista e obstetra especializado em medicina reprodutiva. Ele explica que o DIU mais comum é o em formato de “T”, que é divido em dois: o DIU de cobre e o DIU levonorgestrel (popularmente conhecido como Mirena).

O DIU de cobre é mais barato e dura cerca de 12 anos. “O fio de cobre promove uma oxidação dentro do Útero e libera uma substância que impossibilita qualquer fecundação“, explica o médico, que conta que, antigamente, o DIU era de plástico e muita gente acreditava que ele era abortivo. Depois de muitos estudos, chegou-se à conclusão de que o cobre mataria os espermatozoides e tornaria inviável essa teoria do aborto.

  • O DIU levonorgestrel é mais caro e dura de três a seis anos. “É um dispositivo medicado. Em volta da haste, existe um recipiente com anticoncepcional, chamado levonorgestrel, que é muito semelhante à progesterona”, esclarece o Dr. Marco. Mas por que ele contra-indica o de cobre para adolescentes e indica o hormonal? Para ele, o dispositivo levonorgestrel tem mais vantagens. “A mulher para de menstruar, não sente mais cólicas e, consequentemente, tem menos riscos de desenvolver Endometriose”, diz o médico. Além disso, o popular Mirena impede que os espermatozoides entrem no colo do Útero. Consequentemente, impede que bactérias peguem carona e se instalem dentro do organismo feminino. Ou seja, de certa forma, o DIU hormonal, diferentemente do de cobre, oferece certa eficácia contra algumas ISTs, como a Clamídia.

    À esquerda, o DIU hormonal. À direita, o de cobre. iStock/Reprodução

    Mas é claro que nem todo mundo pode usar DIU, seja ele qual for. Primeiro, é essencial que a menina faça vários exames, que serão pedidos pelo(a) ginecologista, como de sangue e ultrassom transvaginal. Depois, vem a colocação, que, na opinião de Marco Cavalcanti, deveria vir sempre acompanhada de um novo ultrassom. Na maioria dos casos, contudo, não é isso que ocorre. “Na hora de colocar o DIU, o ideal seria que o médico fizesse um ultrassom antes, para mapear o Útero, e depois, para verificar se o dispositivo está no lugar”, alerta. Todo cuidado é pouco, pois  uma perfuração uterina pode acontecer se o dispositivo for mal colocado. É normal que a menina sinta cólicas e apresente um leve sangramento após a colocação do DIU, mas esses sintomas não podem ser intensos nem duradouros. Caso contrário, é sinal de que o corpo não se adaptou. Qualquer tipo de DIU é contra-indicado para pessoas com má formação uterina, que têm pólipos ou miomas e/ou que trocam muito de parceiro. O de cobre, em especial, é vetado para mulheres que sentem muita cólica e/ou já apresentam fluxo menstrual muito intenso. “Ele tende a aumentar muito mais o sangramento. O corpo, ao perceber isso, vai fazer o quê? Coagular. E a trombose nada mais é que uma coagulação sanguínea. Então, o dispositivo de cobre também pode dar trombose”, garante o doutor.

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    O levonorgestrel usado no DIU é um hormônio bastante comum e semelhante ao utilizado em grande parte das pílulas anticoncepcionais. Logo, é importante que a menina faça exames de sangue para detectar se têm riscos de desenvolver trombose com mais facilidade. A principal diferença para o método oral é que, ao ingerir o hormônio, o corpo pode apresentar mais efeitos colaterais, como náuseas e enjoos, diferentemente do que ocorre com o DIU hormonal, que fica liberando hormônios aos pouquinhos e continuamente na corrente sanguínea. Além disso, ele interrompe de vez a menstruação, ao contrário das pílulas, que apenas controlam o ciclo, mas não brecam por inteiro o fluxo. Também é importante lembrar que, ao usar o popular Mirena, a mulher deixa de ovular, diferentemente do que ocorre se ela usar o DIU de cobre, em que continua ovulando e menstruando.

    Marco também enfatiza que contra-indica o DIU de cobre para adolescentes porque, atualmente, as mulheres desejam ter filhos o mais tardiamente possível. Ao usar esse tipo de dispositivo, ela continuaria menstruando e, consequentemente, tendo mais riscos de desenvolver uma Endometriose, podendo comprometer sua fertilidade no futuro. Com o DIU levonorgestrel, a garota deixaria de menstruar, de produzir mensalmente aquela “caminha” de Endométrio no Útero, que é descartada na menstruação caso a fecundação não ocorra, e teria menos chances de desenvolver uma Endometriose.

    É assim que o DIU em ‘T’ fica dentro do organismo quando colocado corretamente.  iStock/Reprodução

    O DIU é uma opção eficaz de controle de natalidade? Sim, e vale destacar que o Brasil é um dos recordistas em gestações indesejadas e abortos clandestinos. Ele é seguro? Depende. É preciso fazer exames antes e ter acompanhamento médico durante o uso. Essa assistência, principalmente quando falamos de mulheres que moram em periferias e vão ao SUS colocar DIU, nem sempre é tão fácil de se conseguir. Toda menina pode usar? Não, pelas razões que vimos anteriormente aqui. O dispositivo de cobre pode ser considerado “mais natural”? De acordo com o Dr. Marco, não. Afinal, você está introduzindo no seu corpo algo sintético e alterando o ciclo natural dele. O de levonorgestrel tem mais vantagens que o de cobre? Para Marco Cavalcanti, sem dúvida.

    Vale ressaltar EM LETRAS GARRAFAIS que nenhum método contraceptivo dispensa o uso de preservativo. Um levantamento realizado pelo IBGE em 2017 revelou que mais da metade dos jovens brasileiros não usa camisinha e outros 20% não sabem usá-la corretamente. Esses números são extremamente preocupantes e o aumento de casos de AIDs e Sífilis entre adolescente se devem a eles.

    O DIU é uma opção e a mulher precisa ter conhecimento de seus prós e contras para então decidir se quer ou não escolhê-la. O dispositivo, assim como qualquer outro método contraceptivo, não é 100% eficaz, mas, se usado junto com o preservativo, torna-se bastante efetivo e seguro.

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