“A falta de compreensão é frustrante”, diz Billie Eilish sobre o Tourette
Cantora desabafa sobre esforço diário para suprimir os tiques da Síndrome de Tourette e sobre a falta de conhecimento das pessoas sobre a doença
illie Eilish não esconde que convive com a Síndrome de Tourette. Desde os 17 anos, a cantora fala abertamente sobre a condição com que foi diagnosticada ainda criança, com 11 anos. Apesar desse diálogo franco com a mídia, a artista revela que a falta de compreensão social com as suas crises e com seu esforço em suprimir os tiques ainda é algo frustrante.
Em entrevista ao podcast Good Hang, da atriz Amy Poehler, Eilish explica que a síndrome se apresenta nela por meio de “tiques vocais”, de ruídos que ela consegue “mantê-los bem baixos, felizmente para mim e para todos os outros”, brinca. Mesmo sem chamar muita atenção, ela explica que costuma passar por fases em que “palavras se transformam em tiques”. Nesses casos, ela recorre à supressão, técnicas para reprimir os tiques.
“Quando estou em uma entrevista, faço tudo o que posso para suprimir todos os meus tiques o tempo todo. E assim que saio da sala, tenho que deixá-los todos saírem”, afirma. Eilish desabafa que são em situações como essa e em crises, no geral, que acaba se chateando porque as pessoas não costumam entender a doença e lidam com as crises como se fossem coisas catastróficas, quando, na verdade, são “perfeitamente normais”.
“O que me incomoda é que as pessoas não entendem o que é a Síndrome de Tourette. Se eu começo a ter uma crise de tiques, tipo vários tiques seguidos, elas perguntam: ‘Você está bem?’”, conta. “[A crise] é perfeitamente normal. É como se, se você não me visse ter tiques hoje, não estivesse olhando para os meus joelhos, que estão se mexendo o tempo todo debaixo desta mesa, e meus cotovelos que estão… Estou cerrando os braços o tempo todo”, relata.
Embora ela viva em paz com a síndrome e seus sintomas, a cantora ainda gasta muita energia para não se distrair e conseguir suprimir os tiques quando está em público ou na frente das câmeras. Ela lembra que o Tourette ainda é uma síndrome que exige muito dela, apesar de muitas pessoas não notarem.
“Estou fazendo isso o tempo todo, por mais que esteja me divertindo aqui, estou fazendo tudo o que posso para suprimir cada tique visível, da cabeça aos pés“, conta Eilish, compartilhando como isso é algo pela qual pessoas com Tourette “passam todos os dias”. “Algumas pessoas nem sequer têm o privilégio de conseguir suprimir os tiques de alguma forma. Essa falta de compreensão é realmente frustrante para mim, como pessoa com Tourette”.
Na conversa, cantora tentou explicar para Poehler como são os tiques, comparando-os com pensamentos intrusivos, mas em uma versão em que “sua boca precisa dizê-los em voz alta”.
O que é a Síndrome de Tourette?
À CAPRICHO, Daniel Costa, psiquiatra especialista em Transtorno Obssessivo Compulsivo (TOC) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que a Síndrome de Tourette é uma doença neuropsiquiátrica caracterizada pela presença de tiques motores e vocais.
“Os tiques são gestos, movimentos ou barulhos que nos parecem esquisitos e sem propósito. Eles podem aparecer como parte do comportamento normal (como piscar os olhos, virar a cabeça ou encolher os ombros) ou como algo estranho, às vezes até bizarro (como expressões faciais ou gestos com a mão ou a cabeça)”.
Já os tiques vocais, os que afetam Billie Eilish, estão relacionados a voz. Podem variar desde um pigarreio até sons, palavras e frases mais complexas ditas sem propósito. Costa esclarece que os tiques possuem duração curta e acontecem de forma repetitiva e súbita. Ou seja, surgem de repente e com frequência.
“Os tiques costumam desaparecer durante o sono, diminuem com a ingestão de álcool e durante atividades que exijam concentração. Por outro lado, são agravados por estresse, fadiga, ansiedade, excitação e substâncias estimulantes, como café, chocolate e refrigerante com cola ou guaraná”, afirma.
O especialista detalha que embora a maioria dos tiques costumam ser apenas desconfortáveis, uma pequena parte também pode chegar a causar dor. “Aproximadamente 5% dos pacientes têm tiques autoagressivos, como bater, golpear, arranhar a face, morder o punho, friccionar os olhos ou cutucá-los com os dedos. Há relatos de que esses tiques podem ser graves a ponto de causar cegueira”, expõe.
+Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.





