7 provas (de muitas) de que não é fácil ser mulher durante a Copa do Mundo

Seja na torcida ou no trabalho, as mulheres precisam lidar com 'beijos roubados' como se isso fosse algo natural e não assédio. Até quando?

Por Amanda Oliveira 30 jun 2018, 11h13

Como é sabido, de quatro em quatro anos, milhares e milhares de pessoas se unem (e se cruzam) para acompanhar a Copa do Mundo de Futebol Masculino. Muitas vezes, contudo, o que deveria ser motivo para uma confraternização boa e saudável entre culturas e nações diferentes, acaba sendo palco para inúmeros casos de assédio, envolvendo tanto torcedoras quanto profissionais da imprensa. Aconteceu agora, na Rússia, em 2018, e aconteceu antes, em Copas passadas. Mas queremos que não aconteça nunca mais!

Reprodução/Reprodução

A CAPRICHO listou alguns casos que aconteceram durantes os últimos mundiais para lembrar que a Copa pode até ser tempo de festa, mas a comemoração não pode nunca constranger, assediar e/ou invadir o espaço do outro.

  • 1. Julia Guimarães, repórter da Rede Globo, teve um beijo roubado durante o trabalho
    Esse é, provavelmente, um dos casos mais recentes de assédio na Copa do Mundo 2018. Bom, pelo menos dos que vieram à tona, né? A repórter Julia Guimarães, da Rede Globo, estava se preparando para entrar ao vivo no programa Esporte Espetacular quando um torcedor tentou beijá-la à força. A reação dela foi automaticamente desviar da abordagem e falar para o homem nunca mais fazer isso com uma mulher. Você rouba um beijo de um médico? E de um advogado? Por que, então, se acha no direito de roubar um beijo de uma jornalista?

    2. Julieth González Therán, correspondente de Deutsche Welle, teve o seio tocado durante transmissão ao vivo
    No caso de Julieth, a Copa do Mundo 2018 ainda nem havia começado oficialmente, mas o assédio já tinha dado as caras. A jornalista foi enviada a Moscou para cobrir a cerimônia de abertura do evento e foi beijada no rosto por um homem durante a transmissão ao vivo. Além de beijá-la no rosto, o torcedor também aproveitou a oportunidade na hora de agarrá-la à força para colocar uma mão em um dos seios dela. Mais tarde, Julieth desabafou no Instagram e pediu respeito. Até quando o mesmo tipo de assédio?!

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    ¡RESPETO! No merecemos este trato. Somos igualmente valiosas y profesionales. Comparto la alegría del fútbol, pero debemos identificar los límites del afecto y el acoso.

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    3. Torcedores brasileiros pediram para garotas repetirem termos hostis e pornográficos
    Triste saber que, durante a Copa do Mundo 2018, torcedores brasileiros ficaram marcados por casos de assédio. Parecendo simpáticos e amigáveis, os homens do vídeo abaixo pedem para mulheres estrangeiras repetirem termos hostis sobre seus órgãos sexuais, sem que elas tenham a menor ideia do significado da frase “eu quero dar a buc&t@ para vocês”.

    4. Torcedores brasileiros assediaram mulher russa
    O mais conhecido entre os casos de assédio na Rússia envolve um grupo de homens pedindo para que uma mulher russa repita “buc&t@ rosa” como se fosse algo engraçado, sem que ela saiba o que o termo hostil significa. Os homens envolvidos no caso, alguns até vestindo a camisa da Seleção Brasileira de Futebol, encararam a situação como uma “simples brincadeirinha”. Teve gente até dizendo que “ninguém morreu” e que estávamos fazendo tempestade em copo d’água! Dá pra acreditar? Não é fácil ser mulher – não apenas durante a Copa.

     5. Sabina Simonato, repórter da Rede Globo, foi beijada à força por dois homens
    Em 2014, na Copa do Mundo realizada no Brasil, a repórter Sabina Simonato estava transmitindo informações ao vivo na Avenida Paulista, em São Paulo, quando um torcedor croata a beijou no rosto à força. Esse não foi o primeiro assédio que a repórter sofreu durante a Copa daquele ano. Mais tarde, no dia do jogo entre Alemanha e Portugal, um funcionário da Casa de Portugal, estabelecimento no bairro da Liberdade, tomou a mesma atitude de forçar um beijo no rosto da jornalista. Sempre a mesma “zoeira”…

    Reprodução/YouTube

    6. Torcedores argentinos tentaram beijar jornalista na saída de estádio
    Voltando para a Copa de 2018, em frente a um dos portões de saída do estádio em que rolou o jogo entre Argentina e Islândia, dois torcedores argentinos tentam roubar um beijo de uma jornalista enquanto ela tentava fazer uma gravação. Ao receber a abordagem inesperada, a mulher usou o braço e o microfone para se defender e impedir a aproximação dos homens. De novo! Não é inacreditável?

    Reprodução/YouTube

    7. Barbara Gerneza, jornalista russa, foi cercada por um grupo de homens durante o trabalho
    Na Rússia, Barbara Gerneza foi cercada por 14 torcedores brasileiros que ficaram cantando o refrão de um funk famoso no Brasil: “chupa xoxota”. A jornalista, que fala e entende português, fez questão de gravar toda a cena. No final do vídeo, um dos homens tentou beijá-la no rosto à força. Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube, Barbara comenta que não se sentiu tão ofendida pela música em si, porque conhece a cultura brasileira e sabe que era um funk, mas diz não ter gostado da abordagem de um dos torcedores, e que não reagiu por medo: ela era a única mulher no meio de tantos homens.

    Sobre os casos de assédio provocados por torcedores brasileiros na Rússia, o Ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, minimizou a gravidade do assunto. Segundo ele, os brasileiros andam intolerantes com as “falhas humanas” e não há motivo para tanta revolta, já que “não morreu ninguém”. Se para um político responsável pelo turismo do país não existe gravidade, como esperar que os torcedores brasileiros pensem de forma diferente?

    Esses são apenas alguns casos de assédio que aconteceram durante edições da Copa do Mundo e foram noticiados. Mas e os que não chegaram até a mídia? E os que acontecem em outros campeonatos, de outras modalidades? É muito importante que todos esses casos sejam investigados e repudiados, para que haja mais respeito às mulheres jornalistas e torcedoras, e menos homens falando que “é só uma brincadeirinha”. Brincadeirinha para quem?

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