19 mulheres brasileiras com feitos marcantes para se inspirar

Essa listinha é para ler, bater a mão no peito e dizer que o Brasil ainda tem, sim, muito o que se orgulhar.

Por Amanda Oliveira - Atualizado em 9 mar 2019, 11h49 - Publicado em 9 mar 2019, 10h02

Sua mãe, irmã, tia, avó ou professora. Talvez uma artista admirável. Seja quem for, você provavelmente tem uma mulher inspiradora como exemplo para a sua vida. Mas, se poucos ou nenhum nome veio à sua cabeça, fique tranquila. Felizmente, o Brasil é um país repleto de mulheres que fizeram e marcaram história e devem ser lembradas diariamente, não apenas no 8 de março. Por isso, a CAPRICHO preparou uma lista bem didática com 19 nomes femininos que inspiram força, coragem, determinação e, sim, revolução.

1. Dandara, líder do Quilombo dos Palmares (desconhecido – 1694)

Reprodução/Nossa Causa/Reprodução

Muito se fala sobre o Zumbi dos Palmares, mas pouco se conhece sobre a figura que estava ao lado dele: Dandara. Esposa de Zumbi, ela assumiu a missão de proteger o Quilombo dos Palmares, fundado e composto por escravos que haviam fugido dos engenhos, considerado o maior centro de resistência negra à escravidão no Brasil. Mãe de três filhos e guerreira capoeirista, Dandara também aprendeu a fabricar e lutar com espadas para ampliar o poder de Palmares e extinguir o trabalho escravo nas fazendas brasileiras. Quando falamos em resistência feminina negra no Brasil, o nome de Dandara é o primeiro a ser lembrado.

2. Maria Quitéria, heroína do Exército que todos achavam que era, na verdade, herói (1792? – 1853)

Reprodução/Reprodução

Quem vê algumas representações de Maria Quitéria em pinturas não sabe dizer exatamente se é uma mulher ou um homem retratado. Isso porque, durante a Guerra da Independência (1822-1824), ela usava cabelos curtos encaracolados e roupas masculinas para enganar todo mundo. Seu objetivo? Lutar como soldado contra o domínio português, escondida do pai, que havia a proibido quando ela pediu permissão para se alistar. Maria Quitéria foi a primeira mulher-soldado do Brasil, responsável por chefiar um grupo de mulheres mais tarde contra os portugueses. Ela é símbolo de coragem, bravura e determinação. Uma mulher incrível para se inspirar, hein?

3. Princesa Isabel, primeira chefe de Estado (1846-1921)

Acervo IMS/Reprodução

Você provavelmente já deve ter aprendido que a Princesa Isabel foi a responsável por assinar a Lei Áurea em 1888, que aboliu definitivamente a escravatura no Brasil, além da Lei do Ventre Livre. Educada com a mesma educação destinada aos garotos, Isabel foi a primeira mulher a exercer o cargo de chefe de Estado na América Latina, como regente do Império. Ao acabar com a escravidão, contudo, Isabel também perdeu seu trono. Um ano e meio após a Lei Áurea, um golpe militar instaurou a República no Brasil e baniu a família imperial.

4. Chiquinha Gonzaga, intérprete da alma popular brasileira (1847-1935)

Acervo MIS/Reprodução

Não apenas na música, Chiquinha Gonzaga é um nome com uma baita história de vida. Renegada pela própria família, separada de um marido que a proibia de tocar piano e afastada dos filhos, ela decidiu viver pela música, sua maior paixão. Seu primeiro sucesso foi Atraente. Chiquinha foi a primeira mulher a reger um concerto exclusivo de violões quando, na época, tocar serenata não era permitido. Abriu alas para o espaço feminino na música popular brasileira contra tudo e todos que se colocaram como obstáculo – e sua marchinha Ó abre alas é cantada até hoje nas folia de Carnaval.

5. Anita Malfatti, pioneira do modernismo (1889-1964)

Reprodução/Reprodução

Em 1917, Anita participou de uma exposição em São Paulo. Suas pinturas, contudo, eram bastante diferentes das outras obras naquela época. Os pintores, majoritariamente homens, retratavam a natureza nas imagens. Ela, em contrapartida, decidiu valorizar a figura humana com influências do expressionismo e cubismo. A inovação não foi tão bem aceita; Monteiro Lobato publicou uma crítica dura sobre os quadros de Anita, causando uma grande controvérsia e polêmica na área. Teve até quem devolvesse pinturas já compradas. Anita, entretanto, estava dando a largada no modernismo brasileiro.

6. Nísia Floresta, autora da primeira obra feminista (1810-1885)

Wikimedia/Reprodução

Embora seja uma conversa mais recorrente nos dias atuais, o feminismo começou há muito tempo no Brasil. Foi Nísia a responsável por escrever o primeiro livro feminista, Direitos das mulheres e injustiça dos homens, em 1832. Na época, a ativista viajou pelo país defendendo o direito de alfabetização das mulheres e chegou a fundar colégios para meninas no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

7. Bertha Lutz, uma das primeiras feministas brasileiras (1894-1976)

Divulgação/UN/Reprodução

Filha do fundador da medicina tropical brasileira, Bertha marcou história ao lutar pelo o que acreditava em um tempo em que as mulheres precisam de autorização até mesmo para saírem às ruas. Teve um papel importante no movimento das sufragistas e representou o Brasil na assembléia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos. Ao voltar ao Brasil, Bertha fundou a Federação para o Progresso Feminino e iniciou sua luta pelo direito ao voto feminino e igualdade de direitos políticos. Um de seus maiores objetivos era mostrar que as mulheres não eram dependentes dos homens – e ela sabia fazer isso muito bem com as palavras. Seus argumentos eram quase como uma poesia!

8. Pagu, militante modernista (1910 – 1962)

InfoEscola/Reprodução

Cronista, romancista, correspondente internacional, militante, presa política, feminista e modernista. A pergunta é: o que Pagu não foi? Nascida em uma família burguesa, ela se afastou de sua classe para juntar-se ao movimento comunista, onde lutava pela igualdade entre os sexos. Pagu foi a primeira presa política da história do Brasil, chegando a ir para a prisão mais de 20 vezes.

9. Dona Ivone Lara, majestade do samba (1921 – 2018)

Rogério Reis/TYBA/Reprodução

Foi ela que abriu espaço para as mulheres participarem do samba, um dos gêneros musicais mais tradicionais do Brasil: Ivone Lara. Na época de 1940, em um ambiente predominantemente machista na música, ela se tornou a primeira mulher na história do samba a se consagrar como cantora e compositora. Alguns de seus maiores sucessos são Sonho meu Sorriso Negro.

10. Zuzu Angel, uma estilista na revolução da ditadura militar (1921 – 1976)

Wikimedia/Reprodução

Zuzu poderia ter se tornado famosa por ser uma das primeiras estilistas a trazer brasilidade para a alta costura, mas seu nome ficou realmente durante a ditadura militar brasileira. Seu filho foi torturado e assassinado no regime, fazendo com que Zuzu lutasse incansavelmente pelo direito de encontrar o corpo para enterrá-lo. Chegou a levar o protesto às passarelas e fez o possível para chamar atenção para sua casa, mas morreu em um acidente de carro sem nunca encontrar o corpo do filho.

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11. Maria da Penha, símbolo do combate a violência contra a mulher (1945 – atual)

EBC/Reprodução

Você conhece esse nome através da Lei Maria da Penha, que pune violência contra a mulher. E não é coincidência. A lei foi sancionada em homenagem a mulher que escapou de duas tentativas de assassinato do próprio marido. Maria lutou durante anos para que o Estado entendesse a urgência de proteger as mulheres brasileiras da violência doméstica. Atualmente, sua luta continua na coordenação de uma ONG que auxilia vítimas.

12. Marta Vieira, a melhor jogadora de futebol do mundo (1986 – atual)

Buba Mendes/Getty Images

Enquanto o futebol ainda é dominado pelo machismo e pela falta de espaço feminino, Marta foi seis vezes eleita pela Fifa como a melhor jogadora do mundo, um recorde tanto entre mulheres quanto homens. Além disso, a atleta alagoana também carrega o título de maior artilheira da Seleção Brasileira e Copa do Mundo de Futebol Feminino. #JogueComoUmaGarota

13. Fernanda Montenegro, maior dama do cinema brasileiro (1929 – atual)

TV Globo/Divulgação

Fernanda Montenegro é a mulher mais admirada do Brasil, de acordo com uma pesquisa do Instituto QualiBest. E não é surpresa nenhuma, não é? A atriz é a única mulher brasileira a receber uma indicação ao Oscar, sendo também a única pessoa entre homens e mulheres a ser nomeada em uma categoria de atuação. Sua indicação foi devido ao longa Central do Brasil, em 1999. Além disso, ela também recebeu o Emmy Internacional como melhor atriz estrangeira por sua interpretação em Doce de Mãe.

14. Elza Soares, símbolo de força e superação feminina (1937 – atual)

Elza Soares/Divulgação

Obrigada a se casar quando tinha apenas 12 anos, Elza engravidou quando tinha 13. Sofreu com a fome e pobreza durante muito tempo, mas encontrou força na música. Sua vida mudou quando conheceu o jogador de futebol Mané Garrincha, por quem ela se apaixonou e iniciou um relacionamento. Anos depois, Garrincha começou a ter sérios problemas de vício em álcool e Elza passou a sofrer violência doméstica. Em 1969, o jogador, bêbado, causou o acidente que matou a mãe da cantora. Foi eleita pela BBC britânica, em 1999, a cantora brasileira do milênio e indicada ao Grammy Latino pelo trabalho Do Cóccix ao Pescoço.

15. Tarsila do Amaral, autora do quadro brasileiro mais valioso (1886 – 1973)

Wikimedia/Reprodução

Você sabia que uma mulher é a autora do quadro brasileiro mais valioso? O nome dela você já deve conhecer da escola: Tarsila do Amaral. O Abaporu, uma das obras mais famosas da história brasileira, chega a ultrapassar o valor de U$ 2,5 milhões. Seu nome, além de ser um dos principais da primeira fase do modernismo artístico brasileiro, também está na organização da famosa Semana da Arte Moderna de 1922.

16. Carmen Miranda, rainha do tropicalismo brasileiro (1909 – 1955)

Reprodução/Reprodução

Um dos maiores símbolos da história brasileira, Carmen Miranda foi responsável por inserir o país no mapa do showbiz internacional. Foi ela também que alavancou o movimento cultural brasileira mais importante: o tropicalismo. Na década de 40, Carmen chegou a ser a mulher mais bem paga dos Estados Unidos. Não é pouca coisa, hein?

17. Hebe Camargo, a dama da televisão brasileira (1929 – 2012)

José Patrício/AE/Reprodução

Um dos maiores nomes femininos da televisão brasileira, Hebe estava ao lado de Assis Chateaubriand quando a primeira emissora do Brasil nascia. Foi ela também a responsável por comandar o primeiro programa de televisão feminino lançado no Brasil, O Mundo é das Mulheres.

18. Maria Bonita, primeira cangaceira do Brasil (1911 – 1938)

Wikimedia/Reprodução

Infeliz em seu casamento, Maria Bonita largou sua vida para namorar e acompanhar Lampião, bandido mais procurado do Brasil. Andava coberta com as joias mais caras e foi a primeira mulher a entrar no cangaço, além de ser uma das poucas a ter feito isso por vontade própria. Embora cometesse crimes, Maria Bonita era uma figura extremamente empoderada que, acima de tudo, valorizava a liberdade.

19. Marielle Franco, vereadora ativista pelas mulheres (1979 – 2018)

Site Oficial Marielle Franco/Reprodução

Nascida e criada no Complexo da Maré, Marielle foi uma vereadora carioca. Ativista, lutava contra a violência nas comunidades e a falta de segurança urbana. Mas, acima disso, Marielle lutava pelos direitos das mulheres, especialmente as negras e as lésbicas. #AssédioNãoÉPassageiro, Lei das Casas de Parto, Espaço Coruja/Espaço Infantil Noturno e Pra Fazer Valer o Aborto Legal no Rio eram alguns de seus projetos de lei.

Marielle foi brutalmente assassinada com 4 tiros na cabeça em março de 2018. Seu assassino (ou assassinos) segue impune, mas as lutas da vereadora ainda não foram e não serão esquecidas. #MariellePresente

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