Hoje é o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

E nós precisamos falar disso!

Nesta sexta-feira, 25/11, é celebrado o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher. E, claro, um dos intuitos da data é alertar a população sobre dados preocupantes em relação ao tema.

Você sabia que, de acordo com a ONU, o Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídio do mundo? Ou que temos 1 relato de violência contra mulher registrado a cada 7 minutos? Ah, e que, ainda, uma estimativa da Superinteressante mostrou que meio milhão de mulheres brasileiras são estupradas por ano?

Se formos considerar os casos de assédio em locais públicos, então, perderíamos as contas. Pois é… Não é fácil aceitar estes números.

Basta conversar com uma mulher para ver que ela já enfrentou alguma das situações citadas acima. Aliás, provavelmente, você passou por uma destas tristes experiências. No meu caso, por exemplo, o caso mais agravante aconteceu aos 19 anos, com um ex-namorado.

Eu o conheci aos 17, na faculdade. No começo, ele era engraçado, divertido, meu melhor amigo. Com o tempo de convivência, o comportamento dele foi mudando. Houve uma cena de ciúmes em público, uma briga sem sentido por eu estar com determinada roupa, dias sem nos falarmos por conta de algum rapaz.

Eu relatava as situações para as pessoas próximas e ouvia: “Tem certeza? Ele é tão legal…”, “Você deu motivo, né? Por que foi cumprimentar justo aquele boy?”, “Ah, amiga… Namoro é assim mesmo”. E eu comecei a acreditar nisso. Se ele me xingasse, pensava ‘briguinha de namorados, né’ e pedia desculpas. Se ele fizesse um escândalo, eu sentia que era EU que estava errada, apesar de não ter feito nada.

Mesmo na vez em que ele ameaçou bater em um amigo meu, caso o visse perto de mim mais uma vez, disse ‘poxa, desculpa, amor. Eu amo você!’. Oi? É… naquele momento, como vemos, eu nem cogitava estar em um relacionamento abusivo.

Bom, depois de meses (sim, levou meses), eu percebi que aquilo não era normal – Obrigada, Senhor! – e decidi terminar. Juntei forças, recolhi meus caquinhos e botei um fim naquela relação tóxica. Ele não aceitou. Com isso, surgiram as ameaças e meu medo constante de sair na rua.

Na primeira vez em que tive coragem de ir a uma festa, ele foi e me perseguiu lá. Estava na pista de dança quando ele me deu o primeiro soco. Ele me bateu, puxou meu cabelo, me derrubou, jogou bebida em mim, cuspiu em meu rosto. Por sorte, nos separaram. E quando eu disse que ia o denunciar à polícia, fui chantageada.

Ele avisou que, se eu fizesse um boletim de ocorrência, divulgaria imagens minhas nua, acabaria com a vida de meus amigos e família. Por dias, enfrentei mensagens e e-mails lotados de ódio e eu só sabia chorar. Foi aí que eu errei, titubeei. Aceitei esta condição ridícula imposta por uma pessoa que queria meu mal. Adivinhem? Passou 1 mês e veio a segunda agressão.

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Mais uma vez, cruzei com ele em uma festa, e ele me bateu de novo. Para piorar, dois dias depois, avisou que iria me matar. Afinal, de acordo com ele, a vida dele havia acabado e era a hora de acabar com a minha. Desta vez, fui aterrorizada à polícia e o denunciei. De acordo com os policiais, eu deveria notificar a faculdade do ocorrido, para me certificar que teria a segurança devida em meu ambiente de estudo.

Ao avisar o coordenador do nosso curso, infelizmente, veio de novo o discurso misógino pronto, tão enraizado em nossa sociedade. “Você está fazendo isso só por que ele não quer ficar com você, né?”, “Você não acha melhor MUDAR de faculdade?”, “Você está apaixonada por ele, admita, vai…”, “Você sabe que irá destruir a vida dele”.

E a minha? Não houve consideração. Durante as audiências, aliás, este coordenador defendeu o meu ex-abusivo. Definiu o rapaz que estava acabando com minha paz como uma pessoa de caráter (???) e que não merecia estar sendo processado em frente a um juiz. Dá para acreditar?

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Entretanto, eu continuei firme. E, adivinhe? No final das contas, ganhei o processo e uma medida protetiva, em que impede meu ex-namorado de manter qualquer espécie de contato comigo. Este ~textão~ foi meu jeito de alertar a todas garotas por aí que, se você estiver passando algo similar, NÃO aceite isso.

Enfrente a situação, NÃO deixe que ninguém a faça desistir da decisão. NÃO tenha vergonha ou se esconda. E, mais, NÃO se cale! Quanto mais falarmos disso, mais pessoas estarão informadas que há como conseguir ajuda e meios de colocar um ponto final nestes problemas.

Juntas somos mais fortes. Entendeu? Então, converse com seus pais, relate o ocorrido e procure ajuda profissional <3

Eu sou mulher. Ouça meu rugido!

Eu sou mulher. Ouça meu rugido!

Conte com a gente para tudo, tá? E, se possível, deixe este link Delegacias da Mulher no Brasil salvo em seu computador. Ok?

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