Chick lits são fúteis? A escritora Carina Rissi discorda: ‘é sobre mulheres independentes’

Um gênero literário que tem a mulher independente como protagonista.

De um lado, leitoras que se identificam, se envolvem com a trama e torcem para que tudo dê certo. Do outro, críticos que julgam livros desse gênero fúteis, vazios e muito “cor-de-rosa” em um mundo cheio de problemas. Afinal, o que é esse tal de chick lit ? Por que ele é tão controverso? Será que ele merece mesmo tantas críticas? Chamamos a escritora – e leitora assídua do gênero Carina Rissi para nos ajudar.

Os chick lits começaram a se destacar no final do século XX, com a famosa trama de Bridget Jones, que foi, inclusive, adaptada para o cinema. E quem nunca ouviu falar da Carrie Bradshaw, da série Sex and the City? Ou de Os Delírios de Consumo de Becky Bloom ? O sucesso desse gênero, portanto, é evidente. Mas por quê? ” Acho que o ponto mais marcante deste gênero literário é a irreverência. Brincar com a história de uma mulher comum, fazer graça com problemas que muitos de nós enfrentamos todos os dias : problemas no emprego, com a família, um coração partido, um divórcio, o que seja”, conta Carina.

Livros desse tipo têm a mulher moderna, livre e ousada como protagonista, o que faz a leitora desenvolver um certo carinho pela personagem – e desmente qualquer estereótipo de que protagonistas de chick lit são frágeis e até mesmo machistas. Para a best-seller brasileira, é como se a história fosse narrada por sua melhor amiga, “aquela que entende suas neuras completamente. Aquela com quem você se identifica tanto. Aquela que está passando por algo parecido com o que você passou. E ela comete erros como você. E corre atrás do prejuízo como você está correndo agora. E ela também não sabe o que fazer a seguir, assim como você “, afirma Carina.

A questão polêmica é: o gênero é constantemente alvo de críticas por ter como objetivo, essencialmente, entreter. Além disso, muita gente o apelida, de forma bastante preconceituosa, de ” literatura de mulherzinha “. Carina Rissi tem uma opinião bem girl power sobre isso! “Até pouco tempo, a literatura era essencialmente homens escrevendo sobre mulheres perfeitas para o público masculino, salvo algumas exceções, é claro. Então, eu acho estranho – e divertido, de certa maneira – ver o quanto incomoda que uma mulher escreva sobre outra; uma mulher moderna, independente, com defeitos, que foge totalmente dos padrões do romantismo “.

Nada mais justo, não é? Aos poucos, a sociedade vem passando por transformações. Apesar de ainda faltar muito, as mulheres já conquistaram bastante coisa com o tempo e, atualmente, desempenham um papel diferente de anos atrás. Sendo assim, é normal que a arte tenda a se adaptar e retratar a realidade. Então, não é à toa que a mulher, que antes era representada mais como acessório à história, hoje desempenhe papel de protagonista em vários livros .

Mas Carina também destaca que, ao contrário do que se pensa, chick lits podem, sim, agradar os homens. Enquanto as mulheres se veem na protagonista, “homens reconhecem nela algo que lembre sua amiga, namorada, irmã, prima, mãe… O chick lit não é um gênero destinado apenas para as mulheres, não! É para qualquer pessoa que tenha senso de humor e saiba rir de si mesmo, da vida “. Afinal, outra característica marcante do gênero é o humor.

A escritora best-seller Carina Rissi com seus livros, no lançamento de “Destinado” (o terceiro da série “Perdida”). Foto: Grupo Editorial Record

É claro que é importante fazer leituras mais acadêmicas e históricas para se obter conhecimento. Mas uma leitura não exclui a outra. Quanto mais se lê, mais se aprende! Chick lits são divertidos e te ajudarm na vida pessoal. Naquele momento em que você não sabe o que fazer, sua heroína pode ser uma boa inspiração! Por fim, a vida fica bem mais leve quando você se permite viver coisas diferentes. A escritora concorda: “vou te dizer, ler um chick lit no fim de um daqueles dias infernais, onde tudo deu errado, é um bálsamo para a alma “.

Pedimos para a Carina Riso contar quais são seus 12 chick lits preferidos. Anota aí:

1. Fiquei com o seu Número e a série Becky Bloom, de Sophie Kinsella;

2. Simplesmente Irresistível, de Rachel Gibson;

3. O Diário Secreto de Lizzy Bennet, de Bernie Kate Rorick;

4. A Mulher que Roubou Minha Vida e Tem alguém aí?, de Marian Keyes;

5. Corra, Abby, Corra!, de Jane Costello;

6. Bolsas, Beijos e Brigadeiros, de Fernanda França;

7. Você (Não) é o Homem da Minha Vida, de Alexandra Potte;

8. Dizem Por Aí…, de Jill Mansell;

9. A Rainha da Fofoca, de Meg Cabot.

10. Perdida, série da própria Carina Rissi (não poderíamos deixar de fora, né?)

E vocês, curtem ler livros de chick lit? Têm algum favorito? São fãs da Carina?

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