Deputado diz que saias e decotes de mulheres incentivam estupro

"Se quer chamar a atenção de estupradores, você sabe o risco que está correndo", disse o político.

No início do ano passado, a Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, realizou uma exposição chamada What were you wearing? (“O que você estava vestindo?”, em português) para quebrar o antigo tabu de que roupas curtas das mulheres são culpadas por assédio e violência sexual. Ao contrário do que muitas pessoas esperavam, a mostra não tinha roupas decotadas. Na verdade, eram roupas comuns: calça jeans, camiseta, pijama e até mesmo um vestido infantil de uma menina de 6 anos. Mas, ao que parece, esse pensamento de que roupas curtas incentivam estupros e assédios ainda está presente na cabeça de muitas pessoas. Inclusive, de políticos durante votações sobre projetos de lei que combatem essa realidade.

“Não estou pedindo”

“Não estou pedindo” (NurPhoto/Getty Images)

Foi esse o posicionamento do deputado estadual Jessé Lopes, do PSL, durante a votação de um projeto de lei que combate o assédio sexual e a cultura do estupro em órgãos públicos de Santa Catarina. Na Assembleia Legislativa, o político disse que a roupa que a mulher decide usar pode estimular a violência. “Se você quer andar com sainha, decote, ótimo. Se você quer chamar a atenção de estupradores, você sabe o risco que está correndo. Se você se deparar com essa situação, lamento“, declarou Jessé quando foi justificar o voto contrário à proposta.

Além do deputado do PSL, o projeto apenas recebeu outro voto contrário: o do deputado Bruno Souza, do PSB. 32 pessoas votaram a favor da proposta que prevê divulgação de mensagens de conscientização sobre assédio sexual e cultura do estupro nas repartições públicas estaduais. Em entrevista ao UOL, Jessé disse que votou contra porque não acredita que existe cultura do estupro no país. “Não concordo que exista essa cultura no Brasil. Existem casos isolados”, afirmou.

Cultura do estupro é o conceito de que existe uma ideia que coloca a mulher sempre como culpada pelo assédio ou violência sexual. Alguns dos argumentos usados para sustentar esse pensamento é o lugar que ela frequenta, a roupa que estava vestindo, a maquiagem, entre outros. Essa culpabilização da vítima normaliza o comportamento sexual violento dos homens, fazendo com que as pessoas questionem e joguem a culpa para a pessoa errada. A CAPRICHO já fez uma matéria explicando mais sobre a cultura do estupro e como as pessoas costumam compactuar com ela.

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