‘Camisinha, tem que usar!’: é o que lembra o Dia Mundial de Combate a AIDS

Doença não tem cara e não tem cura, mas há métodos de prevenção e tratamento.

Todo dia 1º de dezembro, você lê, pelo menos, uma notícia sobre como se proteger do vírus HIV. É que essa data marca o Dia Mundial de Combate a AIDS . “Você precisa sempre usar camisinha”. Quantas vezes você já escutou essa frase?

A pesquisa Juventude, Comportamento e DST/Aids, realizada pelo grupo Caixa Seguros em parceria com o Ministério da Saúde, em 2013, mostra que o principal pecado da Geração Y é o excesso de confiança. 72% dos jovens não levam à sério as doenças sexualmente transmissíveis e ainda afirmam que a AIDS é algo “que não tem muito na nossa idade” . Errado. De acordo com o mesmo estudo, são cerca de 35 mil novos casos da doença registrados por ano no Brasil . Um dos principais grupos afetados é o de jovens entre 15 e 24 anos, segundo pesquisa realizado pela Unaids, Programa de Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, em julho de 2014.

Atualmente, muitos adolescentes acreditam que devido ao tratamento contínuo e eficaz, que controla o vírus, as pessoas não morrem mais de AIDS . Na verdade, essa é uma ideia falsa. Os infectados estão, sim, tendo uma expectativa de vida muito maior do que no inicio do surto da doença no Brasil, nos anos 80, quando a imunidade dos pacientes soropositivos ficava extremamente baixa por falta de remédios eficazes. Contudo, isso não significa que a doença não exista mais ou que esteja mais tranquila de encarar.

A AIDS é diferente do vírus HIV, que pode demorar de cinco a dez anos para se manifestar no organismo. Uma pessoa soropositiva (com o vírus no corpo) não necessariamente vai desenvolver a doença (AIDS), mas pode transmitir o vírus durante uma relação sexual. Não há nenhum caso comprovado de pessoas que tenham se infectado através do beijo, segundo estudo científico realizado pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. O risco é pequeno, menos de 0,1%, mesmo em casos em que ambas as pessoas estejam com cortes na boca. Isso acontece porque a saliva contém dez substâncias prejudiciais ao vírus, que o destroem.

Quando o infectado recebe logo o diagnóstico e começa o tratamento com o coquetel antirretroviral, que impede a multiplicação do vírus no organismo e protege a imunidade da pessoa, o risco de transmissão diminui em 96%, de acordo com estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, em São Paulo. Isso não significa que o risco de contágio através da relação sexual seja nulo ou que a pessoa possa deixar de usar camisinha.

Por isso, vale a pena reforçar a campanha Camisinha, tem que usar!, realizada pela CAPRICHO nos anos 80, quando a epidemia da AIDS teve início no Brasil e ninguém ainda sabia muito sobre a tal “doença misteriosa”, e novamente em 2014, quando os números voltaram a assustar. (Veja as capas abaixo)

Engana-se quem pensa que a primeira relação sexual está livre de riscos. Muitos jovens infectados pelo vírus recebem o diagnóstico logo após a primeira transa. Segundo o estudo Durex Global Face of Sex, realizado em 2013 pela empresa líder mundial de preservativos, 29% dos jovens que não planejam a sua primeira vez tendem a acreditar no parceiro e transar sem a devida proteção . Atualmente, 150 mil brasileiros são portadores do vírus e não sabem, de acordo com estimativa liberada pelo site do Ministério da Saúde.

O Teste-Rápido de HIV é disponibilizado gratuitamente nos serviços públicos de saúde e dura apenas 30 minutinhos. Qualquer pessoa pode fazer. O importante é tirar a dúvida, por menor que ela seja. Lembre-se: ao transar uma vez sem camisinha, você já se encontra em situação de risco.

De acordo com uma pesquisa feita pela Editora Abril, através do projeto Aids, Desinformação Tem Cura, 11% dos 15 mil brasileiros entrevistados que apresentam vida sexual ativa nunca usam preservativo (nunca!), sendo que 98% dessas mesmas pessoas dizem que sabem perfeitamente bem como se proteger da AIDS. Hoje, é muito fácil encontrar camisinhas à venda nas farmácias ou disponíveis gratuitamente em postos de saúde. A falta de informação e de acesso a tal método preventivo não deve mais ser uma desculpa para a falta de proteção . Não tenha vergonha de perguntar sobre a camisinha antes da transa e não caia na conversa de quem diz que o preservativo tira o prazer ou que “está tranquilo, não vai dar nada”.

Camisinha, tem que usar!

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