Quais são as novas acusações contra Neil Gaiman, autor de ‘Coraline’

Um dos autores preferidos da nossa galera, Gaiman é alvo de processo formal na Justiça, junto com sua esposa à época, Amanda Palmer. A gente te explica.

Por Andréa Martinelli Atualizado em 6 fev 2025, 11h53 - Publicado em 5 fev 2025, 12h00
O

caso de Neil Gaiman ganhou mais um capítulo nesta semana. Para além das denúncias realizadas desde julho do ano passado, agora ele e sua ex-esposa, Amanda Palmer, estão sendo processados formalmente na justiça por abuso sexual, estupro e tráfico humano.

A ação foi ajuizada por Scarlett Pavlovich, que foi amiga pessoal de ambos e também ex-babá do filho do casal. Ela entrou com uma ação contra o escritor – que é um dos preferidos da nossa galera, por escrever livros como Coraline e Sandman – e sua então parceira, acusando ambos de agressões sexuais.

Pavlovich acusa Gaiman e Palmer de estupro, coerção e tráfico humano. Ela afirma, segundo a revista norte-americana Vulture, que o autor abusava sexualmente dela enquanto cuidava do filho do casal e ainda afirma que não recebia o valor combinado entre eles para o serviço.

Mas e a Amanda Palmer nessa história, CAPRICHO? Bem, a ex-babá afirma, na ação, que ela foi a responsável por atraí-la e apresentá-la ao marido para que o abuso fosse cometido.

Isso porque Pavlovich era fã do casal e, com o tempo, conseguiu proximidade e se tornou amiga próxima do escritor e da compositora. Ocasionalmente, segundo a Vulture, Palmer pedia para Pavlovich cuidar de seu filho, chegando a oferecer um emprego formal como babá.

Continua após a publicidade

Sergundo o processo, a conduta de Gaiman em relação a Pavlovich foi “coagia ela a prestar ‘serviços sexuais’ e ‘creche gratuita’ sob ameaça, fazendo-a acreditar que sofreria danos graves ou contenção física caso não fizesse o que era pedido”.

Amanda Palmer, por sua vez, teria conhecimento do histórico de má conduta sexual de Gaiman e “desconsiderou imprudentemente a realidade de que o réu coagiria Scarlett”. 

Pavlovich disse à Vulture que, quando entendeu que estava sendo vítima de violência, procurou Palmer e contou tudo à ela, que teria respondido que mais de uma dúzia de mulheres já haviam dito no passado que Gaiman havia abusado delas.

Segundo o processo, as agressões só pararam quando Pavlovich disse a Palmer que iria tirar a própria vida. A ex-babá afirma que Palmer tinha conhecimento dos desejos sexuais de Gaiman e a apresentou a ele sabendo que a jovem seria agredida. Pavlovich busca pelo menos US$ 7 milhões, ou cerca de R$ 35 milhões, em indenização.

Continua após a publicidade

O casal não se pronunciou sobre o processo judicial até o momento. Mas o escritor tem dito que todos os relatos hoje denunciados como abusivos, na verdade, foram relações consensuais.

O autor só se pronunciou publicamente após o artigo da Vulture, no mês passado, trazer a questão à tona novamente. Ele escreveu, em seu site pessoal, “que poderia e deveria ter feito muito melhor”, mas que nunca se envolveu “em atividades sexuais não consensuais com ninguém”.

Como surgiram as denúncias contra o escritor, CAPRICHO?

As primeiras denúncias públicas de Pavlovich contra Gaiman foram feitas ao podcast “Master”, lançado em julho de 2024.

No programa, diferentes mulheres relataram experiências de assédio, coerção e abuso sexual que teriam sofrido do autor de “Coraline” e “Sandman”. Meses depois, a Vulture, braço da revista New York, publicou uma reportagem na qual reúne relatos detalhados de algumas dessas mulheres.

À revista, Pavlovich disse que primeiro desenvolveu uma amizade com Palmer e que foi ela quem a chamou para cuidar de seu filho e ajudar em tarefas domésticas. Ela afirma que marido e esposa moravam em casas separadas e que o abuso inicial aconteceu em sua primeira vez na casa de Gaiman, na noite em que se conheceram.

Continua após a publicidade

“Gaiman abusou física e emocionalmente de Scartlett repetidamente, estuprando-a pela vagina e pelo ânus, humilhando-a.”

Material de acusação contra o escritor, segundo a Vulture

“Gaiman abusou física e emocionalmente de Scartlett repetidamente, estuprando-a pela vagina e pelo ânus, humilhando-a, forçando-a a cometer atos sexuais em frente do filho dele e a tocar e lamber fezes e urina”, diz o processo obtido pelo jornal americano Los Angeles Times. Gaiman chamava a então babá de escrava e pedia que ela se referisse a ele como mestre.

Desde o lançamento do podcast, Gaiman tem visto seus contratos com editoras serem rompidos e produções que adaptam seus livros para a TV serem canceladas.

Publicidade