Banco Central fez o melhor vídeo de toda a internet sobre PIX e fake news

E eles deixaram tudo bem explicadinho para ninguém ter dúvida (nem os amantes de teoria da conspiração).

Por Andréa Martinelli 17 jan 2025, 06h00
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aaaaala meus amantes de teoria da conspiração e caçadores de tarifa em serviço de pagamento gratuito!”. É assim que começa um vídeo publicado no perfil do Banco Central do Brasil – isso mesmo, você não leu errado – sobre as notícias falsas que circularam nas redes sociais nesta semana sobre uma suposta taxação do PIX.

E, sim, uma das instituições mais sérias do país mergulhou na linguagem de memes e da internet para passar um recado bem importante para a galera jovem e combater desinformação.

Aqui na CAPRICHO a gente já te contou o que rolou, mas não custa relembrar: nesta semana, não bastou o próprio presidente Lula (PT) fazer uma transação no PIX e divulgar em suas redes sociais para desmentir informações falsas sobre uma suposta taxação do sistema de pagamentos.

O governo precisou, na tarde da última quarta-feira, cancelar a regra de monitoramento do sistema de pagamentos, após fake news circularem nas redes sociais e gerarem desinformação à população de forma geral e também publicou uma norma proibindo qualquer tipo de taxação em transações feitas via o sistema PIX.

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“BC Sincero na área para aliviar o coraçãozinho de quem desceu pro BC com a cabecinha cheia de fake news sobre cobrança de taxa no Pix e fim do sigilo bancário das suas movimentações financeiras”, continua a locução do vídeo do Banco Central. “Hora de ouvir umas verdades que o vacilão da fake não quer te contar, bebê.”

Em seguida, o vídeo usa referências não só de uma das músicas mais tocadas do verão Descer pra BC, de Brenno & Matheus, para se referir a si, mas também bebe na fonte de referências da cultura pop como as séries Seinfeld e The Office, além de desenhos como Bob Esponja e novelas como Mulheres de Areia para tratar do assunto de forma lúdica e passar informação.

Além disso, usa imagens de pessoas com o chamado “gorro de papel alumínio” utilizado por alguns grupos de pessoas conspiracionistas. Segundo estes grupos, o item protegeria supostamente o cérebro contra a influência de campos magnéticos e leitura de mentes; o item se tornou um símbolo para retratar pseudociências e eventuais teorias da conspiração.

Assista ao vídeo abaixo:

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@bancocentraldobrasil

Faaaaala meus amantes de teoria da conspiração e caçadores de tarifa em serviço de pagamento gratuito! BC Sincero na área para aliviar o coraçãozinho de quem desceu pro BC com a cabecinha cheia de fake news sobre cobrança de taxa no Pix e fim do sigilo bancário das suas movimentações financeiras. Hora de ouvir umas verdades que o vacilão da fake não quer te contar, bebê. descerPraBC BCsincero Pix DeixaMeuPixEmPaz PixParaTodos NãoTemTaxa SeuSigiloÉsagrado FechadoComPix SaiDeMimFakeNews fakeNews

♬ som original – bancocentraldobrasil – bancocentraldobrasil

 

A norma publicada pela Receita Federal exigia das chamadas fintechs, ou seja empresas de serviços financeiros que se diferenciam pelo uso da tecnologia e inovação, como NuBank, C6, Mercado Pago e outros bancos digitais – , algo que já era cobrado dos bancos tradicionais: notificar movimentações a partir de determinado valor.

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Desde 2003 esse monitoramento acontece nos bancos como Itaú, Bradesco, Santander, entendidos como “tradicionais”. Antes, o valor teto para repassar os valores à receita era de R$ 2 mil. Agora, com a nova norma, passaria a ser de R$ 5 mil reais e incluiria os bancos digitais e movimentações globais.

Ou seja, gastou acima deste valor? E gastou em uma transação internacional? O seu banco precisa enviar para a Receita Federal, seja ele tradicional ou fintech.

Você deve ter visto muitas informações circulando sobre o tema por aí, inclusive um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL). Nas redes sociais, grupos bolsonaristas estão associando a revogação da medida do governo a uma vitória dele. Isso porque o vídeo em que o parlamentar criticava e desinformava sobre o tema, teve cerca de 200 milhões de visualizações.

No vídeo, o deputado instiga a dúvida da população sobre a medida do governo. Em suas falas, ele reconhece que a medida não interfere em taxação – ou seja, que pagamentos feitos via PIX não serão cobrados -, mas dá a entender que existe a possibilidade de o governo taxar eventualmente a população que utiliza o serviço para transações financeiras de modo geral.

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Diferente do que foi disseminado nas redes sociais, nada mudaria para o consumidor final ou envolveria qualquer tipo de taxa. Mudaria apenas para os bancos digitais, que deveriam repassar movimentações acima de R$ 5 mil no PIX ou em outras transações financeiras, como TED e cartão de débito à Receita. Seria uma ampliação da medida, com a intenção de combater fraudes e sonegação de impostos, segundo o governo.

Com a revogação do ato normativo e até a votação da Medida Provisória que será criada sobre o tema chegar ao Congresso Nacional, vai demorar. Enquanto isso, a regra de 2003 é a que continua valendo.

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Ou seja, os bancos tradicionais – sem incluir as fintechs – continuam obrigados a enviar as movimentações acima de R$ 2 mil reais à Receita Federal, sem os detalhes da ampliação que havia sido anunciada.

E ei, o seu PIX na cantina da escola ou no rolê com a galera está a salvo. Pode avisar todo mundo.

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