9 perguntas e respostas sobre o alistamento feminino no Exército em 2025

É o primeiro ano em que mulheres brasileiras podem se alistar voluntariamente. Mas só as que já tem 18 anos ou ainda vão completar este ano, ok?

Por Andréa Martinelli Atualizado em 12 jan 2025, 13h40 - Publicado em 12 jan 2025, 06h00
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025 começou com uma novidade no exército brasileiro. É a primeira vez que mulheres brasileiras que completam 18 anos – ou seja, nascidas em 2007 – podem se alistar voluntariamente para o serviço militar, caso desejem.

As inscrições abriram no dia 1º de janeiro e, segundo o Ministério da Defesa, nos três primeiros dias já teve mais de 7 mil inscrições.

Segundo a pasta, o processo “marca a iniciativa pioneira que busca incrementar o efetivo das Forças Armadas” e garante que as mulheres inscritas e que passarem no processo terão “os mesmos direitos e deveres dos homens”.

Se você tem interesse em ingressar – ou pelo menos em saber como funciona – a CAPRICHO te explica neste texto.

Quantas mulheres existem nas Forças Armadas, CAPRICHO?

Vamos lá: atualmente, as mulheres representam apenas 10% do efetivo das Forças Armadas no país. No total, segundo a Defesa, são cerca de 37 mil mulheres militares, que atuam principalmente nas áreas estratégicas de saúde, ensino e logística.

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Mas como elas entram, se é obrigatório apenas para homens?

É isso mesmo, o alistamento é obrigatório e imposto a todos os homens que atingem 18 anos. Isso é uma previsão da Constituição.

Mas o ingresso de mulheres na vida militar já pode ser feito como oficiais ou sargentos de carreira por meio de concurso público, por exemplo. Já outra possibilidade é a seleção como oficiais e sargentos temporárias (servindo por até oito anos), por meio de seleção conduzida pelas Regiões Militares.

O que mudou com o novo alistamento voluntário, então?

Mudou muita coisa. Agora as mulheres não precisam prestar concurso para entrar nas Forças Armadas. Caso queiram, podem se voluntariar.

O processo de alistamento militar voluntário feminino foi anunciado ano passado e teve uma conotação histórica, já que esta é a primeira vez que a instituição se abre para receber mulheres em seu corpo efetivo de forma oficial.

E como eu faço para me cadastrar, se tiver interesse?

Para se alistar, o processo é feito todo online e o cadastro está disponível no site alistamento.eb.mil.br ou no Aplicativo do Exército Brasileiro, disponível para Android e iOS.

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Quais são as fases do recrutamento, CAPRICHO?

Boa pergunta. Vamos lá: as interessadas devem ficar atentas às regras do recrutamento, que dividido em etapas, viu?

A gente te explica abaixo.

Primeira fase: alistamento, que pode ser feito de forma online ou presencial, em uma Junta de Serviço Militar, nos 28 municípios contemplados no Plano Geral de Convocação. Veja quais são aqui.

As interessadas podem escolher a Força em que desejam ingressar, ou seja, entre Exército, Marinha e Aeronáutica. Será levado em conta a disponibilidade de vagas, a aptidão da candidata e a especificidade exigida.

Segunda fase: na sequência, a seleção das alistadas atende aos critérios das Forças Armadas, aos testes físicos e aos resultados de inspeções de saúde, que incluem exames clínicos e laboratoriais. Mas, atenção: as candidatas que não comparecerem à seleção serão consideradas desistentes.

Ah, importante ressaltar: o treinamento físico será equivalente ao dos homens, com critérios específicos para cada Força. Após a incorporação, as mulheres também poderão realizar cursos de capacitação profissional em diversas áreas.

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Terceira fase: selecionadas terão ingresso no 1º ou 2º semestre de 2026 (de 2 a 6 de março ou de 3 a 7 de agosto), ocupando a graduação de soldado ou marinheiro-recruta, no caso da Marinha, segundo o Ministério da Defesa.Essa é a etapa limite em que é possível manifestar o desejo pela desistência, ok?

E preste atenção: embora voluntário, a partir dessa fase o serviço militar passa a ter caráter obrigatório, com deveres e direitos. 

Quanto tempo dura o serviço militar?

Anote aí: o serviço militar tem a duração de aproximadamente 12 meses, prorrogáveis anualmente até oito anos. Ou seja, se você quiser e estiver apta, pode continuar na carreira militar.

Segundo o Exército, após o período na ativa, as mulheres receberão o Certificado de Reservista e a Certidão de Tempo de Serviço. Após o desligamento, as voluntárias vão para a reserva não remunerada.

Se eu me alistar, terei remuneração?

Sim. As mulheres incorporadas às Forças – para usar o jargão do Ministério da Defesa – terão direito à remuneração, auxílio-alimentação, contagem de tempo para aposentadoria, além da licença-maternidade.

Se eventualmente o Brasil entrar em guerra, o que acontece comigo?

Em caso de mobilização, mulheres também poderão ser convocadas, assim como os homens, conforme regulamentado pela Lei do Serviço Militar.

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Você sabia?

maria quitéria exército brasileiro
Imagem oficial de María Quitéria divulgada pelo governo. Foto Oficial do Governo/Reprodução

Existe uma história pouco contada nos livros de história que vale a pena ser lembrada. Você já ouviu o nome Maria Quitéria de Jesus? Se não, guarde este nome com você. Isso porque ela foi a primeira mulher a servir à Pátria no Exército, durante o processo de independência do Brasil.

Mesmo contra a vontade de seu pai, ela fugiu de casa com o uniforme do cunhado e entrou para as Forças com a identidade masculina dele, o “Soldado Medeiros”. Usar nomes masculinos ou “anônimo” era algo comum às mulheres da época que desafiavam papéis socialmente destinados a elas (isso te lembra a história de alguma princesa da Disney?).

Foi em 28 de junho de 1996, que Maria Quitéria de Jesus, por decreto do então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), passou a ser reconhecida como Patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Ou seja, seu legado e sua história não ficaram esquecidos. E isso é muito importante. 

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