Única mulher do line-up, Pitty faz o melhor show do João Rock

'Se não abrir por bem, a gente abre com o pé na porta!', garante a cantora sobre as mulheres no rock e na música.

Por Isabella Otto - 12 jun 2017, 16h35

No último sábado, 10, rolou a 16ª edição do João Rock em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e mais uma vez o line-up foi dominado por nomes masculinos. No meio de tantos artistas, uma cantora representou o sexo feminino no festival, no rock e na vida: Pitty.

Única mulher do line-up, Pitty faz o melhor show do João Rock
AgNews/Joshua Bryan/Denilson Santos/Divulgação

Depois de dar à luz Madalena, em agosto de 2016, a compositora voltou aos palcos com um show cheio de hits, como Na Sua Estante, Equalize, Me AdoraMemórias. Esse é um dos pontos positivos de um festival: como os artistas trabalham com um tempo mais restrito, eles aproveitam para tocar só os sucessões! Pitty mostrou que a presença de palco continua após a maternidade e que o ser mãe a encheu de novas forças para continuar brilhando muito! Ovacionada pelas quase 50 mil pessoas que compareceram ao evento, a cantora conversou com a CAPRICHO no camarim e fez previsões bastante otimistas para o próximo ano.

“É tipo estar em casa! Você está no seu ambiente”, declarou a compositora nascida em Salvador, na Bahia. Quando questionada sobre o fato de ser a única mulher do line-up principal, Pitty fez questão de deixar claro que as mulheres não têm medo de ~chegar chegando~ nesse cenário do rock nacional, mas que ainda sofrem com o mercado restrito e direcionado quase que exclusivamente para o sexo masculino. “Eu acho que nenhuma menina tem medo de chegar, não! O que acontece é que falta espaço e oportunidade, porque tem muitas bandas com mulheres, não só de rock, mas de todos os estilos. Mas acredito que com essa abertura do festival, de abrir para outros estilos, talvez fique mais fácil de ter mais mulheres nesses palcos”, desabafou.

Única mulher do line-up, Pitty faz o melhor show do João Rock
AgNews/Joshua Bryan/Denilson Santos/Divulgação

Aliás, a musicista, mãe e apresentadora do programa Saia Justa, da rede GNT, está bastante ansiosa para descobrir quais serão os artistas convidados para a próxima edição do evento e acredita que não será por mais um ano consecutivo a única mulher do pedaço: “Eu tenho certeza de que no ano que vem vai ter mais mulher aqui. É minha intuição feminina!”, brinca de um jeito bastante sério. Para Pitty, a diversidade, não só de gênero, mas de estilo, é extremamente saudável: “Eu acho incrível, porque tudo isso é muito rock and roll. Rock pode ser um estilo de vida, não precisa ser necessariamente um cubo fechado, um rótulo de prateleira“, garante.

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Na edição de 2017,  o palco “Fortalecendo a Cena” contou com nomes ainda pouco famosos do cenário musical nacional, e a roqueira tem uma sugestão para 2018: “Tem uma banda chamada Far From Alaska, que é uma banda de Natal, no Rio Grande do Norte, que tem duas meninas, a Emmily Barreto e a Cris Botarelli. Eu acharia incrível que elas estivessem tocando aqui!”, dá a dica.

https://www.youtube.com/watch?v=_1AR5fwbpJ8

Dentro do rock, Pitty sofreu muita resistência por ser mulher e baiana. “Eu sou da Bahia, um lugar que tem a coisa do regional muito forte. Então, para você conseguir fazer alguma coisa ali sem ser um ritmo regional, já é uma batalha. A gente dentro do rock, que é muito tido como masculino, vai abrindo espaços. Acho que a minha fala dá abertura para mais pessoas. Porque tiveram outras mulheres antes de mim e elas sempre me inspiraram muito”, conta a artista, que empodera as meninas a não abaixarem a cabeça e a abrirem caminho no cenário musical (e na vida): “E se não abrir por bem, a gente abre com o pé na porta!”.

 

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