Junior: cantor, compositor e instrumentista

O irmão da Sandy agora canta, produz, toca, é baladeiro e sonha até montar uma banda

Até a conversa, que aconteceu num dia de novembro em que o Junior comemorava o disco novo (Identidade) nas lojas e a expectativa de estréia do seu filme (AcQuaria) nos cinemas, ele era o que sempre me pareceu: só o irmão da Sandy. Aquele moleque que tinha um cabelo mullet-sertanejo horrível e cujo nome era escrito “Junior” ou “Jr.” enquanto todo mundo sabia que Sandy se escrevia com “y”. Agora volte lá e olhe de novo a capa desta edição da CAPRICHO. Pode falar: não é a Sandy que agora está virando “a irmã do Junior”?

Em sua nova fase, sarado, disputado e “profissional”, o ex-pequeno Xororó, hoje com 19 anos, está bombando. Candidato a um dos melhores partidos do Brasil, Junior é rico, famoso, produtor musical, multiinstrumentista, se aventura na tevê e no momento é astro de cinema e estrela de comerciais. “Acho que chegou o momento que ninguém vai mais me chamar de Juninho. Mas até dou razão quando falavam que eu ficava na sombra da Sandy. Hoje vejo que essas pessoas tinham motivos: meninas amadurecem muito mais cedo”, reconhece o Junior. “A Sandy tem a coisa da graciosidade de mulher, mesmo. Ela canta, é a primeira voz. Isso faz diferença. Mas eu estava sempre ali, na minha. Sabia do meu valor. Com 6 anos de idade eu estava numa dupla fazendo segunda voz. Isso é muito complicado.”

Mais de 13 anos depois, o menino está esperto, antenado. Na sessão de fotos para a CAPRICHO, Junior reconheceu de cara um som dos Strokes que começou a tocar no estúdio. Na entrevista, falou de Evanescence como inspiração de uma música.

No gás total, Junior é visto quase sempre nas baladas ou sacudindo nas pistas, ou em cima do palco, tocando a convite de amigos de bandas pop. “Hoje em dia, esse meu amadurecimento está ficando mais claro para as pessoas e isso está me fazendo bem. Estão vendo essa minha vontade de melhorar. Produzi o CD, toquei bateria pela primeira vez no disco. Gravei as guitarras. Botei uns toques anos 70. Sou chamado para dar canja em shows de outros artistas. Estão me enxergando”, vibra Junior, enquanto escolhia uma entre as camisetas que usou na produção das fotos desta reportagem. Ele curtiu a roupa transada. Junior está fashion.

Velha fórmula

Numa escutada rápida no CD novo da dupla, que em dois meses vendeu 300 mil cópias, parece a velha fórmula de sempre, a das canções românticas, algumas alegrinhas. Mas Junior não pensa assim. “Nunca acho que saiu tudo perfeito, mas, de todos os CDs que fizemos [eles têm 14], esse é o que eu fiquei mais satisfeito. Sei cada detalhe dele. Sei cada clique que tem em cada música. Quando os outros discos chegaram prontos à minha mão, eu ouvia umas três vezes e já largava. Esse último, quando chegou, eu fiquei ouvindo um mês direto”, conta ele, entusiasmado. “É um disco diferente, sim, é uma cara nova nossa. O tipo de som está diferente. Tem umas brincadeiras retrô, anos 70, que eu curto muito. Tem som black, misturado com o som que a gente curte hoje em dia, misturado ainda à nossa música, que está mais adulta, mais madura. Não sabia como a galera ia receber o disco. Aí pensei: vou fazer assim porque esse é o som que a gente gosta de fazer. Se for para gostar da gente, que gostem da nossa verdade. Conseguimos chegar a um ponto em que falamos: Esse é o nosso som. Esses somos nós.”

Mas a música que encerra Identidade, uma cover de Planeta Água, velha música do Guilherme Arantes, não combina muito, então, com o som de vocês. Ela não é chatinha, Junior? “Botamos ela no disco por causa do AcQuaria. É uma brincadeira”, explica Junior. “Acho a música bonita, até, mas realmente não tem muito a ver com o som que a gente faz hoje. Acho que essa música tem até um pé no sertanejo e aí foi uma dificuldade para a gente, porque deixamos de cantar música sertaneja faz muuuuito tempo.”

“Fiquei ouvindo a música do Guilherme Arantes e pensando em como poderia mudá-la, como poderia dar uma cara nossa a ela. Aí me mostraram uma música do Evanescence, aquela estourada, Bring Me to Life, eu ouvi e aí pensei: É isso. Rocknroll. Vamos brincar nessa onda, guitarra com distorção. Fizemos até uma coisa bem parecida”.

AcQuaria entrou agora em cartaz, em 300 salas de cinema do Brasil todo. No filme, uma ficção-aventura em que Junior, Sandy e uns amigos vivem em um futuro no qual a água quase não existe mais e é tão preciosa quanto o ouro. “Moro com dois outros caras em uma cidade abandonada, tentando viver sem essa água, nessa realidade difícil. Sandy (Sarah) chega para quebrar essa rotina. O filme tem muita ação, é comédia, tem romance e tem a coisa da ficção.”

AcQuaria tem romance para Sandy, mas não para Junior. “A Sandy tem um par romântico [Emilio Orciolo]. Eu não tenho par. Fiquei na mão”, lamenta. Mas quando você é o astro de um filme, não é uma boa chance de aproveitar e botar no elenco uma menina bonita para beijar e tal? “É. Pode crer. Marquei. Isso é bom para fazer em clipe também. Vou pensar mais nisso da próxima vez.”

Junior curtiu muito se aventurar no cinema, em uma megaprodução dessas. Mas disse que seu negócio é música. Não se abala nem com um convite de Hollywood para fazer um pequeno papel de italiano em um filme, o que aconteceu enquanto filmava Acquaria. “Dá muito trabalho, é muito punk fazer cinema. Mas ver o resultado depois, na tela, é animal. Ver sua cara ali, daquele tamanho, na telona de cinema, não é fácil. Mas a música é o que eu sei fazer. Na verdade não me sinto ator. Sou um músico que se emprestou ali para fazer um personagem. Passeei em outra área. Meu negócio é cantar e tocar.”

Sandy forever

Cantar e tocar ainda como Sandy e Junior. O irmão da Sandy não admite que está próxima do fim a fórmula do pop romântico da dupla, mesmo com todo esse gás juvenil. “Acho que Identidade é o primeiro passo para uma direção nova. As coisas estão mudando na minha vida, mas ainda assim vamos ser sempre Sandy e Junior. Não me vejo solo. Nem a Sandy. Exatamente, talvez, por a gente se completar. Nós dois funcionamos bem juntos”, decreta.

Mas Junior não descarta fazer algo diferente da máquina de sucesso que já dura quase 14 anos. “Pode ser que eu me anime a fazer uma banda paralela, um dia. Eu acho uma idéia legal. É um modo de você fazer uma parada diferente. Por exemplo: tem um amigo meu, o Lucas, da Família Lima, que tem aquela coisa de clássico. Mas ele criou uma banda paralela, que eu acho ótima. Chama-se In Vitro. Ele vai adorar que eu estou falando isso para a CAPRICHO. A banda dele é totalmente rocknroll. Ele fica tocando covers de coisas lá de fora, algumas brasileiras. Uma coisa pequena. Três, quatro caras tocando num bar. Uma vez fui vê-lo tocar em um bar lá em Campinas. Acho que poderia rolar uma coisa assim comigo, fora de Sandy e Junior. Mas teria que ser uma coisa pequena”, planeja.

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