Isis Valverde: “Eu era a BV da turma”

Em entrevista exclusiva, Isis Valverde conta pra gente que tem um lado divertido e autêntico de ser, igualzinho a Rakelli

Quem a vê chegando ao estúdio carioca para a sessão de fotos da CAPRICHO, com os cabelos soltos, o corpo mignon e um jeito delicado, não imagina que Isis Valverde seja dona de tanta atitude. Ela está muito longe de lembrar o apelido de infância: Avenca. Minha mãe (Rosalba Nable) me chamava assim porque a avenca é uma planta muito frágil, que morre por qualquer coisa, e eu vivia doente, conta.

Aos 21 anos, a atriz que dá vida à hilária Rakelli, de Beleza Pura, não faz a linha mulherzinha derretida e apaixonada. Ela surpreende ao se definir como anti-romântica, que dispensa qualquer jantar à luz de velas, declarações de amor melosas e outros gestos do tipo. E não aceita nem que um namorado, ou até mesmo os amigos, faça ceninha de ciúme com ela.

Como é essa história de não ser romântica?

Eu acho que tudo precisa ter um limite e o romantismo também.

E como pôr limite nisso? Tipo você vai a Paris no fim do ano e não imagina passeios românticos por lá?

Paris já é uma companhia e, acompanhada ou não, vou estar apaixonada. Eu vi um filme esses dias, Paris, Te Amo. Tem uma cena em que uma mulher está sozinha, admirando a beleza de Paris, e diz que gostaria de ter alguém para abraçar naquela hora. Acho que uma companhia num momento desses é legal, até porque a solidão é ruim. É claro que estou pensando em ir com alguém.

Com quem, então?

Não sei, mas, independentemente de quem seja, quero ter alguém para falar: É tudo o que eu imaginava, é tudo lindo, é tudo perfeito! Acho Paris a cidade mais linda que existe.

Você fala francês?

Não. Tenho um amigo que fala fluentemente, o Paulo Vilela, que faz o irmão da Rakelli em Beleza Pura. Aí sempre peço para ele falar, só para eu ouvir, acho lindo. Eu quero estudar, estudar. Ele me deu uma miniatura da Torre Eiffel, que sempre levo na bolsa. Quero muito que a minha primeira viagem seja para Paris.

O que um cara tem que fazer para te conquistar?

Ah, eu não sou uma pessoa difícil. (risos) Estou sempre de bom humor, não sou chata. Sou tranqüila em qualquer relação tanto nas amizades como na família. Odeio qualquer tipo de cobrança. Se eu disser que vou fazer alguma coisa e a pessoa falar para mim: Não faça, eu vou ficar p… da vida. Esse meu lado não romântico é por acreditar que o romantismo, às vezes, vira controle ou submissão. E nenhum dos dois é bom.

É verdade que você era briguenta na adolescência?

Eu não! (risos) Mas sempre fui muito geniosa. Tenho os meus ideais e as minhas vontades. Sou muito difícil de mudar de opinião. Sou teimosa e isto eu tenho da Rakelli: quando eu quero, quero e ponto.

Ela te ensina muitas coisas?

A Rakelli é uma garota autêntica. Ela não faz o que todo mundo faz, não segue regras ou padrões. Ela é ela todos os dias, ela se reafirma todos os dias. Eu tô aprendendo isso com ela.

Onde você buscou inspiração para criar a Rakelli?

Rodei o Rio de Janeiro todo procurando a Rakelli, procurando um jeito de ser que eu queria para a personagem. E achei muitas. A Rakelli é uma mistura de várias pessoas que você vê por aí. Acho que é por isso que ela agrada a todo mundo, de crianças a pessoas mais velhas.

Com o sucesso da Rakelli, você continua com a mesma rotina de antes, ainda dá para ir ao shopping?

Eu saio e não me privo de nada. Gosto de cuidar da minha casa, de ir ao supermercado. Quanto mais você se priva de ir aos lugares, ou fazer qualquer coisa que antes estava no seu cotidiano, mais você se afasta de quem você é. E isso não é legal.

O que você gosta de fazer quando sai com as suas amigas?

Ah, eu vou ao cinema, vou ao teatro, à praia. Gosto de ir a um restaurante legal. Às vezes, curto um som, mas não sempre. Odeio essa coisa de badalação. Não gosto! Gosto de hip-hop, de psytrance.

Você tem voltado à sua cidade natal, Aiuruoca?

Atualmente, não tenho ido muito por causa do ritmo da novela e de outros trabalhos. Sinto muita falta.

Você mantém as amigas que tinha lá?

Mantenho (abre o laptop e mostra o papel de parede: uma foto dela abraçada a uma amiga). Essa é a minha irmã, a Mayara (aponta).

É verdade que você foi a última da turma a beijar?

Eu era BV! Eu tinha 13 anos, a gente ficou uma hora no coreto da praça, a turma inteira, umas 15 pessoas, quando eu decidi que deixaria de ser BV. Aí eu escolhi o mais gato. Bom, pelo menos para mim era. E a turma inteira ali, para ver como eu ia reagir. Aí, na hora que a gente deu o primeiro beijo, a praça inteira gritou. Tem noção? Porque é assim mesmo, a turma faz tudo junto. Quero ir ao banheiro!, e todas as amigas vão junto! Quem me deu o recado de que ele também estava a fim de mim foi a Mayara. Todas já tinham beijado. Tinha até as que já namoravam e eu a BVzona! Era a BV da turma! Ninguém merece!

E vocês namoraram em seguida?

Não. Foi tirar o BV e acabou. Ele foi para o lado dele, eu fui para o meu.

Quando você teve um namoro de verdade?

Foi um ano depois, com 14 anos. Namorei três anos, até os 17. Na época, eu mudei para Belo Horizonte e a gente namorava a distância. Eu ganhei até um anel. Foi uma época muito boa: descobri o beijo!

E foi com esse namorado que você transou pela primeira vez?

Não, não! (com cara de espanto) Era um namoro de criança mesmo. Eu demorei muito para crescer, para virar uma mulher. Tanto é que, quando eu fiz a Ana do Véu, aos 19 anos, tinha voz de menina. Hoje, consigo passar para a Rakelli esse jeitinho espevitado um pouco por conta do meu passado. Tive um passado bem infantil, ingênuo. Eu era pivetinha, pulava em cachoeira, sempre fui muito agitada, moleca. Olha a minha perna, toda marcada!

Você estava em BH quando foi descoberta por um dono de agência de modelos, não?

É e, de tanto que trabalhei, quase tomei bomba na escola. Foi uma loucura. Mas eu adorava o que fazia porque, em campanhas, você meio que interpreta na hora das fotos. Você mexe com a emoção, e eu sempre gostei muito disso. Minha mãe era atriz, dona de uma companhia teatral. Fiz teatro com ela até os 10 anos. A minha primeira peça foi aos 5, e fiz um musical com 7. A companhia, que era formada por ela, um primo e outros atores, não existe mais. O que é uma pena.

Foi sua iniciativa querer morar em Belo Horizonte, estudar lá?

Partiu de mim. Minha mãe não queria e meu pai preferia que eu continuasse no interior de Minas, na minha cidade, estudando perto de casa. Aiuruoca é um paraíso escondido, tem 4 mil habitantes. Tem uma pracinha, uma igreja… Minhamãe não queria que eu saísse de lá por isso. Eu acabei saindo e vim parar aqui. Queria conhecer o mundo.

Quando você resolveu vir para o Rio, aos 18 anos, os seus pais aceitaram na boa?

Minha mãe só chorava e meu pai (Sebastião Valverde) queria que eu fizesse medicina. Era o sonho dele. Só que eu mostrei para ele que queria seguir na vida artística não por uma questão fútil, em busca de fama. Quando ele viu que eu queria ser atriz, que eu não queria ser só famosa, percebeu que eu estava madura o bastante para escolher bem o meu caminho. Ele me deu o prazo de um ano de Rio de Janeiro e, se eu não conseguisse seguir na profissão que escolhi, eu ia voltar para casa e tentar a medicina. Eu quase fui para o Japão, trabalhar como modelo, mas, paralelamente, eu passei a fazer um teste atrás do outro para TV. E, quando eu já tinha nove meses de Rio, consegui o papel de Ana do Véu em Sinhá Moça .

Depois do sucesso de Rakelly, que outros sonhos você ainda quer realizar?

Além de ir a Paris? Quero fazer cinema, fazer teatro. Quero casar! Mas mais para a frente, né? Quero ter dois filhos, dois meninos.

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