Cacau Protásio desabafa após sofrer racismo em quartel de bombeiros

A atriz estava gravando um filme no Rio de Janeiro quando foi flagrada por um bombeiro, que espalhou o vídeo com comentários preconceituosos

Por Gabriela Zocchi - 28 nov 2019, 17h03

Nesta semana, a atriz Cacau Protásio foi vítima de racismo e gordofobia nas redes sociais. Tudo aconteceu porque ela estava gravando cenas do filme Juntos e Enrolados, no qual interpreta uma bombeiro, dentro do quartel central da corporação do Rio de Janeiro quando foi filmada por um dos profissionais que trabalha no local.

Acontece que o homem divulgou o vídeo – no qual ela aparecia filmando ao lado de dançarinos – em grupos de WhatsApp com mensagens preconceituosas. “Olha a vergonha no pátio do quartel central. Essa mulher do Vai que Cola, aquela gorda, colocou a farda e botou os dançarinos viados com roupa de bombeiro. Isso é um esculacho, rapaz. Qual é a desse comandante? Vai deixar uma pu*ria dessas no pátio do quartel?”, teria escrito o bombeiro, de acordo com apuração do colunista Leo Dias, do UOL.

Diversos colegas de trabalho do homem teriam respondido ao vídeo, também com comentários racistas, gordofóbicos e homofóbicos. “Vergonhoso. Mete aquela gorda, preta, fdp numa farda de bombeiro, uma bucha de canhão daquela, com um monte de bailarino viado, quebrando até o chão. Vão achar que é o que?”, teria dito um dos profissionais via áudio.

A RESPOSTA DE CACAU

Ao saber das ofensas, Cacau se manifestou no Instagram e explicou um pouco mais sobre a cena gravada no quartel. “Oi, gente, em respeito a vocês eu venho aqui contar o que está acontecendo. Eu estou fazendo um filme em que eu faço um bombeiro, um sargento, e domingo eu fui filmar no batalhão de bombeiros no centro da cidade. Fui super bem recebida, bem assessorada, sendo que tem um bombeiro que fez um vídeo de uma cena solta e espalhou por aí”, disse.

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Vídeo 1.

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“Em momento algum ele desceu para saber o que estava acontecendo, e a cena que ele postou é o pedaço de uma cena que é um sonho do meu superior”, continuou, se referindo então às ofensas que sofreu. “Eu faço um filme, eu conto história, aquilo ali é uma ficção, não é realidade. E ele espalhou o vídeo com um áudio me chamando de negra, gorda, fdp, aquela cambada de v****… Racismo é preconceito, se vocês não sabem, se ele não sabe, e isso é muito triste. Não entendi por que tanto ódio”, explicou a atriz.

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Vídeo 2.

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Em seguida, Cacau contou que printou todos os comentários preconceituosos que recebeu, e exigiu respeito das pessoas. “Você pode não gostar, mas tem que respeitar. E por que esse ódio? Juro que não entendo (…) Sei que sou uma pessoa forte, mas ouvir tudo isso de um ser humano é horrível, é muito triste. E como uma pessoa que veste uma farda tão linda tem essa postura? Como posso dizer que ele salva vidas tendo essa postura e falando tanta coisa horrorosa, tanta coisa feia, ofendendo? Eu respeito e acho que eles têm o direito de gostar ou não gostar. Mas eles tinham que perguntar primeiro. O mal da gente é primeiro julgar e jogar pedra, pra depois saber o que era e falar que não era algo tão ruim. Só estou aqui pra dizer que racismo é crime. Isso não se faz”, completou.

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Vídeo 3.

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A RESPOSTA DO CORPO DE BOMBEIROS

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro se pronunciou sobre o episódio e disse não concordar com aos atos compartilhados em grupos de WhatsApp através de um comunicado:

“O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) informa que não compactua com qualquer ato discriminatório. A corporação se solidariza com a atriz Cacau Protásio e já abriu procedimento interno para identificar o(s) militar(es) e apurar a conduta.

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O CBMERJ reforça o seu compromisso com a população de Vida Alheia e Riquezas Salvar independente de cor, gênero, raça ou qualquer outra distinção. Os atos divulgados não representam a corporação centenária que, por anos seguidos, é considerada a instituição mais confiável do Brasil.”

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