Vida Real

Por que é importante o adolescente se vacinar contra meningite?

Jovens de 11 a 19 anos são um dos principais transmissores da bactéria e vacina é a única maneira de preveni-la

Sabia que, apesar de as crianças menores de 5 anos serem a faixa etária que mais contrai meningite, os adolescentes também estão em risco e, além disso, são os principais transmissores da doença?¹ O assunto é tão sério que o Ministério da Saúde está disponibilizando na rede pública uma vacina mais ampliada para jovens de 11 e 12 anos. E a gente conta tudo sobre isso e explica as principais questões sobre a doença para tentarmos mudar esse cenário.

Antes de tudo, vamos entender o que é meningite? O médico Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que a doença é uma inflamação da meninge, membrana que reveste o sistema nervoso e atua como uma barreira protetora do cérebro e da medula espinhal.

Como pega?

A meningite pode ser causada por vários agentes, entre eles vírus e bactérias.¹ Na meningite bacteriana, a mais perigosa, geralmente a transmissão é de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções das vias aéreas superiores (do nariz e da garganta). Já a meningite viral, a mais comum, é transmitida por via respiratória e fecal-oral.¹ Então, já sabe, né? Todo cuidado é necessário para evitar a doença.

“Como a transmissão da meningite bacteriana é por contato respiratório, os portadores que não estão doentes (assintomáticos) vivem com a bactéria, que pode ser transmitida por tosse, beijos, espirro, compartilhamento de cigarro e bebidas”, orienta Kfouri. Quase tudo de que os adolescentes mais gostam, não é mesmo? Estar próximo, trocar experiências – tudo que facilita a transmissão. Sem contar que os ambientes fechados das salas de aula aumentam ainda mais o potencial de infecção.

Mas como algo que se aloja na garganta vira uma doença? Segundo o especialista, para a bactéria ir da garganta para o sistema nervoso, ela precisa “invadir” a corrente sanguínea e atingir as meninges. A partir daí, vai depender da agressividade da bactéria e do estado imunitário (de defesa) do indivíduo. “Quem tem algum problema que compromete seu sistema imunológico, como imunodeficiências congênitas, transplantes e câncer, apresenta fatores de risco reconhecidos para desenvolver a doença”, orienta. “Mas mesmo adolescentes sem esses fatores de risco também podem ter meningite, pois dependerá de sua resposta imune ao agente infeccioso.” Cerca de 90% dos casos ocorrem em indivíduos saudáveis com contágio por meio das vias respiratórias.

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(iStock / andriano_cz/Abril Branded Content)

É grave!

A meningite é uma doença com rápida evolução. “Começa com mal-estar, dor de cabeça, febre, vômito e pescoço rígido e, em pouco tempo, pode evoluir para quadros mais graves, com confusão mental e até perda de consciência”, afirma Kfouri.

Como a meninge está próxima de uma região importante do nosso organismo – o sistema nervoso –, uma vez infeccionada, ela pode afetar essa área importante do nosso corpo, que controla funções motoras, cognitivas, visuais, auditivas, entre outras. “Por isso, pacientes com meningite podem ter sequelas graves ou mesmo morrer em até 48 horas”, alerta o médico. Mesmo com o tratamento adequado, cerca de 8% a 15% dos pacientes vão a óbito.

No Brasil, a mortalidade fica em torno de 20% nas meningites bacterianas, segundo o especialista. “E pelo menos 20% dos que sobrevivem podem ficar com algum tipo de problema auditivo, de fala, motor ou cognitivo.”

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(iStock / gilaxia/Abril Branded Content)

Tipos

As meningites causadas por vírus são as mais frequentes, independentemente da idade, mas também são as menos graves. “Geralmente são benignas, com evolução e cura espontâneas”, diz o especialista.

Já a meningite causada por bactéria é a mais perigosa, mas para ela existem vacinas.

Seu principal agente causador entre os adolescentes são os meningococos, explica Kfouri. “Entre eles, temos uma dúzia de tipos diferentes, mas, no Brasil, quatro deles respondem por quase a totalidade de casos em adolescentes: os tipos B, C, W e Y.”

É aí que entra a mudança no calendário do Programa Nacional de Imunizações. Segundo Kfouri, até 2019, só havia vacina contra o tipo C, ofertada tanto para crianças até 2 anos de idade como para adolescentes até 14 anos. O tipo C é o mais comum entre esses públicos, entretanto, é mais difícil encontrar sua vacina para comprar, pois os fabricantes em todo o mundo dão preferência a vacinas quadrivalentes, como a ACWY. “Isso é bom para o programa de prevenção, especialmente porque adolescentes viajam com mais frequência para outros países e, com essa vacina, sua proteção é ampliada.”

Como os adolescentes são os principais portadores da bactéria que causa a meningite – cerca de 20% dos jovens brasileiros levam consigo alguns dos meningococos, segundo o médico –, a importância de vaciná-los é ainda maior. Kfouri explica que, ao oferecermos a vacina, estamos não só protegendo os adolescentes contra a meningite, mas também eliminando deles o status de portador da bactéria. “Essa medida reduz a taxa da doença em todas as faixas etárias, mesmo entre não vacinados.” Entendeu agora por que é tão importante o adolescente se vacinar?

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Peguei, e agora?

A confirmação da meningite é feita por meio de um exame que retira o liquor, líquido da espinha que se comunica com o sistema nervoso, por meio de uma punção. “De acordo com as alterações no líquido, identifica-se a doença e qual o agente causador – vírus ou bactéria, além de qual bactéria específica”, conta o médico. “Isso é ideal, pois permite direcionar o tratamento exato.”

No caso da meningite bacteriana, o tratamento é feito com antibiótico. Kfouri explica que pode levar alguns dias para se descobrir qual a bactéria específica que causou a doença, então o tratamento é iniciado com um espectro de proteção grande. “A resposta ao tratamento e seu sucesso dependem da precocidade da intervenção”, diz. “Mas, uma vez identificado o agente infeccioso, escolhe-se um único antibiótico.”

Quando tomar a vacina?

A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunizações recomendam a vacina para todas as crianças a partir dos 3 meses de idade e adolescentes. Aqui no Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, ou seja, há casos da doença ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. As meningites bacterianas são mais comuns no outono-inverno e as virais, na primavera-verão, segundo o Ministério da Saúde.¹ Então, nada de dar mole pra doença. Bora bater um papo com seus pais sobre o assunto e procurar seu médico de confiança ou um posto de saúde? Não custa ressaltar que a vacina está disponível durante todo o ano em mais de 37 000 postos em todo o país.¹ “Já em clínicas privadas, as vacinas B e ACWY estão disponíveis para crianças e adolescentes de qualquer idade”, diz Kfouri.

Vale lembrar que, a partir de 2020, o SUS disponibilizará de maneira gratuita a vacina quadrivalente ACWY para adolescentes. Essa vacina proporciona uma proteção mais abrangente, pois tem cobertura contra a bactéria dos sorogrupos A, C, W, Y, enquanto a vacina atual defende apenas contra o sorogrupo C.

Nurse places a bandage on female teenage patient’s arm after administering a flu shot. The patient’s dad is sitting next to her

Nurse places a bandage on female teenage patient’s arm after administering a flu shot. The patient’s dad is sitting next to her (iStock / SDI Productions/Abril Branded Content)

Referência

  1. Ministério da Saúde. Meningite: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção. Disponível em: <http://saude.gov.br/saude-de-a-z/meningites#>. Acesso em: 14 jan 2020.

APRESENTADO POR SANOFI. PRODUZIDO POR ABRIL BRANDED CONTENT

Reportagem e edição: Angélica Vilela

 Direção de arte: Diego Gonçalves