JULLIACOSTA tinha acabado de acordar quando tentou entender a notícia que Gelly Magrini, sua produtora, dava pelo telefone. “Indicada ao Grammy!”, ouviu sem acreditar. As duas buscaram a confirmação, recebida com gritos e lágrimas. Era 16 de setembro, dia em que Novo Testamento completava um ano e ela embarcava para uma turnê pela Europa. A viagem ganhou mais um motivo para comemorar.
A indicação ao Grammy Latino de 2026, na categoria Melhor Álbum de Música Urbana em Língua Portuguesa, chegou com um disco que nasceu de perguntas sobre o que Júlia queria para si e para o próprio trabalho. “Isso me dá mais vontade ainda de fazer arte”, conta à CAPRICHO.
O reconhecimento também alimentou o desejo de fazer outros discos. Apesar do processo cansativo, Novo Testamento abriu possibilidades que ela quer experimentar. “A indicação veio abrilhantar ainda mais esse processo criativo.”
Desde o EP Aju, de 2022, a rapper e estilista vem encontrando públicos diferentes. Depois de Brutas Amam, Choram e Sentem Raiva, seu primeiro álbum, de 2023, Novo Testamento ampliou essa conversa. Nos palcos, ela entendeu melhor até onde as músicas chegavam. “Acho que o feedback real das pessoas, ao vivo nos shows, fora das telas, me fez entender uma proporção maior do meu trabalho.”
Nos encontros com fãs, um relato se repete: o disco mudou vidas ou fez companhia durante a autodescoberta. Aju reconhece a experiência porque também a viveu enquanto criava. “Saber que o que foi pra mim foi pra outras pessoas, e ter mais de uma pessoa me falando essa mesma coisa, acho que torna o projeto ainda mais especial.”
Esse contato acontece também fora do Brasil. Vencedora do BET Awards de 2025 na categoria de revelação internacional, ela passou por duas turnês europeias, tornou-se a primeira mulher do rap brasileiro a participar do COLORS e teve sua voz em uma campanha global da Apple.
“Acho que o feedback real das pessoas, ao vivo nos shows, fora das telas, me fez entender uma proporção maior do meu trabalho.”
AJC
Aju percebe curiosidade mesmo em quem não entende suas letras. “Não sei te dizer se o Brasil tá em alta ou se estou fazendo músicas globalizadas. Acho que a globalização chegou pra mim.” As viagens também renderam histórias menos glamourosas: na primeira turnê, ficou sem voz; na segunda, travou o pescoço ao prender o cabelo. Em Berlim, Gelly perdeu o celular em um ano e Bia, videomaker da equipe, no seguinte. “O que eu tenho com a Europa? Não sei. Acho que vou precisar trabalhar isso”, brinca.
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