O fenômeno Alanis & Gabi

Responsáveis por dar vida ao casal “Loquinha”, as atrizes ganharam repercussão internacional com temas sensíveis e identificáveis para o público.

por Anny Caroline Guerrera 15 Maio 2026 12h00
F

oi na admiração pelo teatro que Alanis Guillen e Gabriela Medvedovsky descobriram suas paixões pela atuação. Com olhares admirados para os palcos, as atrizes encontraram o caminho que realmente queriam seguir na arte e conquistaram projeção internacional com um dos casais mais amados da televisão brasileira nos últimos anos. E descobrimos os passos que as trouxeram até aqui no ensaio de capa para edição de maio da CAPRICHO.

Entre as gravações da reta final da novela Três Graças, Alanis e Gabi participaram de um ensaio fotográfico guiado por playlists com suas músicas favoritas em um dia ensolarado no Rio de Janeiro. Danças, risadas e brincadeiras marcavam as poses que evidenciam o elo de amizade que as artistas criaram nos últimos meses, quando viviam o casal Loquinha nas telas.

<strong>Alanis veste:</strong> Raquel de Carvalho (vestido e luva); Swarovski (acessórios); Saint Laurent (bota); Missoni por Safilo Group (óculos). <strong>Gabi veste:</strong> Raquel de Carvalho (vestido e luva); Swarovski (acessórios); Luiza Barcelos (salto); Missoni por Safilo Group (óculos).
Alanis veste: Raquel de Carvalho (vestido e luva); Swarovski (acessórios); Saint Laurent (bota); Missoni por Safilo Group (óculos). Gabi veste: Raquel de Carvalho (vestido e luva); Swarovski (acessórios); Luiza Barcelos (salto); Missoni por Safilo Group (óculos). Elisa Maciel/CAPRICHO

Em uma história marcada por representatividade, identificação e debates relevantes, Lorena e Juquinha dominaram os assuntos em alta nas redes sociais por abordarem temas emocionalmente próximos da vivência de muitos fãs. “A Lorena foi muito importante para mim desde o primeiro momento, quando entendi o que ela representava esse lugar de comunicar, transformar, romper tabus. Eu sabia que ela trazia esse olhar com sabedoria e consciência”, ressaltou Alanis sobre a maneira como a trama traduz o amor entre duas mulheres.

Antes existia muito medo de tocar nesses assuntos. Hoje entendemos que não é com medo que o mundo muda, mas com coragem, verdade e diálogo.

Alanis Guillen
Continua após a publicidade

Para Gabi, promover diálogos com personagens como Juquinha faz parte de seu compromisso com o ofício. “Quando vejo que as pessoas estão sendo tocadas pelo trabalho, sinto que o papel da arte se cumpre. Isso é uma realização absoluta, porque está promovendo identificação e construção de uma maneira muito bonita”, explicou a atriz.

É um privilégio poder contar uma história assim hoje, depois de tantas outras que não puderam ser contadas.

Gabriela Medvedovsky

Entre recordes de audiência com o casamento das personagens e uma novela vertical própria que ganhou repercussão global, Gabi e Alanis vivem momentos especiais na carreira. Em conversas individuais, descobrimos mais sobre questões pessoais e profissionais de cada uma, destacando as principais camadas que constroem as personalidades das atrizes na conversa abaixo.

<strong>Alanis veste:</strong> vestido Fendi; joias Yar; salto Louboutin. <strong>Gabi veste:</strong> look Fendi, joias Yar; salto Louboutin.
Alanis veste: vestido Fendi; joias Yar; salto Louboutin. Gabi veste: look Fendi, joias Yar; salto Louboutin. Elisa Maciel/CAPRICHO
Publicidade

A FORÇA DE ALANIS GUILLEN

CAPRICHO: Qual foi o momento que você entendeu que atuação era o caminho que queria seguir?

Alanis Guillen: Acho que esse “quero ser atriz” veio no meu contato com o teatro, quando comecei a estudar teatro. Foi ali que tudo ganhou um sentido maior e me colocou numa relação muito especial comigo mesma e com o mundo. Como se eu tivesse entendido que era um indivíduo, um ser pensante, um agente social que trabalha com cultura. Eu queria ser um agente cultural, alguém que tem um serviço para com a sociedade. O teatro me deu muito esse contexto social.

Até então eu vinha de uma relação mais com publicidade, queria muito fazer dramaturgia, mas foi o teatro que me deu esse entendimento do ofício. E eu fui com tudo, com muito estudo e muita dedicação. Eu quis ter uma vida dedicada à arte, ao teatro, ao conhecimento e à relação com o público.

O teatro me salvou. As pessoas acham que é uma frase comum, mas realmente me salvou. Antes disso eu era uma Alanis que vivia muito no automático, que não se conhecia e não questionava o mundo. O teatro me trouxe tudo isso e sou muito grata.

E aí você chegou em Malhação, dividindo aquele começo com outros jovens vivendo algo parecido. Como foi esse início? Inclusive, saudades de Malhação.

Continua após a publicidade

Saudades de Malhação. Volta, Malhação! Foi muito especial chegar ali porque era um encontro de pessoas de realidades diferentes, de outras escolas, de sensibilidades diferentes. E todo mundo se encontrou para construir algo junto.

Minha personagem tinha um drama mais profundo, envolvendo gravidez na adolescência e abuso. Era uma trama que alcançava não só os jovens, mas também adultos. E Malhação foi isso: um monte de gente jovem, cheia de criatividade e vontade de fazer acontecer. Fiz amigos para a vida toda. Dora de Assis estava lá em casa esses dias. Pedro [Novaes] virou meu irmão, um amor da vida. Ronald Sotto e Duda Santos também. Malhação é isso, um lugar de encontro jovens efervescentes, com todo mundo querendo criar e se jogar.

lisa Maciel (foto); Ana Santos (assistente de foto); Camila Anac (beleza Gabi Medvedovski); Carla Biriba (beleza Alanis Guillen); Juliana Scot (assistente de beleza Alanis Guillen); Bruno Pimentel (edição de moda); Juny Martins e Gabriela Fabosa (produção de moda); Fernanda Emerich (catering).
lisa Maciel (foto); Ana Santos (assistente de foto); Camila Anac (beleza Gabi Medvedovski); Carla Biriba (beleza Alanis Guillen); Juliana Scot (assistente de beleza Alanis Guillen); Bruno Pimentel (edição de moda); Juny Martins e Gabriela Fabosa (produção de moda); Fernanda Emerich (catering). Elisa Maciel/CAPRICHO
Publicidade

A DETERMINAÇÃO DE GABI MEDVEDOVSKY

CAPRICHO: Quero começar no início da sua carreira, mas não no primeiro trabalho. Quero falar daquele momento em que deu a faísca e você pensou: “É isso que eu quero fazer”. Você lembra quando foi?

Gabriela Medvedovsky: Eu estudava Publicidade e Propaganda, numa escolha totalmente influenciada por esse modo operante da sociedade, que diz que você precisa ganhar dinheiro. Não era exatamente do que eu gostava, mas eu entendia que talvez na faculdade eu encontrasse coisas ligadas à arte e criatividade onde pudesse me encaixar e transformar em profissão. Só que eu sempre soube que não era bem ali que eu queria estar.

Em uma viagem para Londres, assisti teatro musical ao vivo pela primeira vez. Eu já tinha visto algumas coisas, mas nunca ao vivo. Aquilo mexeu muito comigo. Fiquei muito emocionada. Saí do teatro muito mexida, pensando que era aquilo que eu queria fazer. Mas ainda demorou para eu conseguir digerir, entender e admitir isso para mim mesma, porque é um processo.

Mas lembro de sair do teatro, ligar para minha mãe e dizer que era o que eu queria. Como eu sempre dancei, sou bailarina formada, e sempre cantei, pensei: “Talvez aqui exista um caminho, porque eu já danço e canto. Agora preciso atuar, preciso virar atriz”. Nos dois anos restantes de faculdade, eu dava um jeito de ir para São Paulo estudar. Eu tentava otimizar o tempo porque, no meu ímpeto juvenil, sentia que estava perdendo tempo.

E como foi o caminho até seus primeiros projetos?

Continua após a publicidade

Terminei a faculdade e falei para os meus pais: “Se preparem porque ano que vem eu vou para São Paulo. Quero estudar e quero ir longe. Quero voar alto”. E um colega falou que estava tendo audição em Gramado para o Natal Luz. Eles aceitavam todo tipo de artista: malabarismo, contorcionismo, canto, dança. Fiz audição cantando, mas passei para interpretar uma personagem bailarina. Foi maravilhoso. Minha primeira experiência como atriz. Me deu muita noção do que era o teatro, foi muito legal começar ali.

Depois fui para São Paulo e as coisas começaram a acontecer. Comecei a estudar teatro musical porque entendi que era um caminho possível para começar. Passei numa audição logo no início do curso e fiz minha primeira peça de teatro musical, Godspell. Assim que terminou, apareceu uma pesquisadora na escola procurando jovens para uma série da Globo. E eu pensei: “Será? Ainda preciso estudar muito. Preciso fazer muito teatro antes de ir para o audiovisual”. Não fui.

Depois ela voltou na escola e aconteceu. Me chamaram para os testes. Foram quatro testes, uma semana de preparação e workshop. E eu passei. Naquele momento, as coisas aconteceram relativamente rápido e já se passaram dez anos.

Continua após a publicidade
lisa Maciel (foto); Ana Santos (assistente de foto); Camila Anac (beleza Gabi Medvedovski); Carla Biriba (beleza Alanis Guillen); Juliana Scot (assistente de beleza Alanis Guillen); Bruno Pimentel (edição de moda); Juny Martins e Gabriela Fabosa (produção de moda); Fernanda Emerich (catering).
lisa Maciel (foto); Ana Santos (assistente de foto); Camila Anac (beleza Gabi Medvedovski); Carla Biriba (beleza Alanis Guillen); Juliana Scot (assistente de beleza Alanis Guillen); Bruno Pimentel (edição de moda); Juny Martins e Gabriela Fabosa (produção de moda); Fernanda Emerich (catering). Elisa Maciel/CAPRICHO

CHEGOU ATÉ AQUI? Leia a entrevista completa e o restante da edição digital de CAPRICHO no GoRead, a maior banca de revistas digital do Brasil.

Publicidade