a gramática, futuro é o tempo verbal que indica ações que vão acontecer. Na linha do tempo, é aquilo que está por vir; todos os fatos que ainda vão se desenrolar na vida de alguém. Vem do Latim
futurus: “o que vai ser, o que ainda não foi”. E, apesar de se tratar de um espaço-tempo distante, esse futuro entra no vocabulário logo na infância: “O que você quer ser quando crescer, hein?”.
Na juventude, o questionamento continua. O tom de brincadeira da pergunta, no entanto, vai sendo substituído por discussões sobre carreira, dinheiro e status. É nessa fase que o futuro também vira uma espécie de adjetivo coletivo e social, cuja função é dar responsabilidade: “Vocês são o futuro”.
Mas como ser algo que ainda não se conhece? “Nossa geração, muito online, tem tudo na mão para pesquisar, mandar mensagem e perguntar o que queremos saber. Mas, quando o assunto é futuro, não temos como ter certeza de nada. Não tem como pegar o celular e perguntar: ‘oi, como vai ser?’”, diz a mineira Luiza Salles, 18 anos.
Ela está entre os 12 jovens que estampam esta edição digital de agosto, representando o restante da turma e todos jovens do Brasil. A Galera CAPRICHO é um grupo de 16 leitores, entre 13 e 18 anos, de todo o país, que colaboram escrevendo para o site e participando de experiências durante o período de um ano.
Na última semana de julho, eles desembarcaram de diferentes regiões para São Paulo, onde foi realizado o ensaio de capa. Um dia antes das fotos, parte do grupo aproveitou a estadia na cidade para uma visita à redação da CAPRICHO, localizada em um edifício na zona sul da capital. Nesse dia, eles tiveram a oportunidade de conhecer os bastidores do jornalismo e de, finalmente, ver pessoalmente os amigos do grupo, que até então mantinham contato só pela tela do celular.
Ao longo da tarde, cada um compartilhou um pouco da trajetória e do lugar de onde veio, em uma troca cheia de curiosidade e identificação. As conversas passaram pelos mais diversos temas da cultura pop e da vida, mas um elemento sempre ia e voltava nos diálogos: o tal do futuro. O que pensam em fazer daqui a alguns anos, com o que querem trabalhar, os sonhos dos quais já desistiram e aqueles que continuam perseguindo. Um assunto (e uma inquietação) que parece sem fim.
“A gente dá um passo e já pensa em outro. Eu já estou na faculdade, então, para mim, essa já foi uma etapa vencida. Mas aí eu já penso: ‘tá, daqui a quatro anos, eu termino. E aí, vou fazer o quê?”, reflete Giulliana Milani, também de 18 anos, que viajou de João Pessoa, Paraíba, para a capital paulista. “Parece que estamos sempre em uma escada tentando chegar no último degrau”, acrescenta.