“Legal é ser você mesmo e parar de tentar ser outra pessoa”, diz Craig Roberts, diretor de Just Jim

O ator, roteirista e diretor conversou com a CAPRICHO sobre o longa que será exibido no Brasil na próxima semana

Por Gabriela Zocchi Atualizado em 24 ago 2016, 13h46 - Publicado em 26 Maio 2016, 11h10

Se você já viu Vizinhos ou A Primeira Vez, vai reconhecer o britânico Craig Roberts. O ator de 25 anos já atuou em diversos filmes e séries, mas ficou mais conhecido após interpretar Oliver Tate no emocionante Submarine. Em 2015, Craig fez sua estreia como diretor no longa Just Jim, que ele também escreveu e estrelou. 

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O filme conta a história de Jim, um garoto meio deslocado que quer ter mais amigos na escola. Um dia, ele conhece Dean (Emile Hirsch), um americano que se muda para a casa ao lado da sua e que promete transformá-lo no cara descolado da cidade.

O filme será exibido no Brasil durante o 20º Cultura Inglesa Festival, um evento que começa hoje (26) e promete unir o melhor da cultura brasileira e britânica por meio da música, do cinema, do teatro e das artes plásticas. A CAPRICHO conversou com Craig sobre o filme e seu trabalho como jovem diretor. Quer ver?

CAPRICHO: De onde surgiu a inspiração para Just Jim e como você acabou se envolvendo com o roteiro e a direção?

CRAIG ROBERTS: Eu sempre escrevi algumas coisas aqui e ali. A ideia do roteiro veio da letra de uma música do Eminem, Lose Yourself. Eu fiquei fascinado pela história do flautista, desse cara novo na cidade que ajuda outro cara. Sua ação não é reconhecida e então ele busca vingança. Daí surgiu a ideia de trazer um americano descolado que ajuda um garoto e depois, para se vingar, tenta destruir a vida dele.
 
CH: Vocês sempre quis ser diretor?
 
CRAIG: Não sempre. Como ator, sempre me perguntam quem me inspirou a atuar e tudo o mais, e eu nunca consegui pensar em atores. Sempre nomeava alguns diretores. Nos últimos cinco anos, percebi que os diretores despertam mais interesse em mim e então comecei a explorar um pouco mais esse lado.
 
CH: Você já sofreu algum tipo de discriminação por ser um diretor tão jovem?
 
CRAIG: Supreendentemente, não. Ninguém nunca me disse que eu não podia fazer isso por causa da minha idade. Acho que se você quer fazer um filme, só tem que ter certeza de que você conhece bem esse universo e sabe como os filmes são feitos. Pronto! Como ator, eu sempre tentei absorver o máximo de informações possíveis e fazer perguntas (para os diretores) para aprender mais.
 
 
CH: O quanto de sua própria história está em Just Jim? Você se parece com o protagonista?
 
CRAIG: Com certeza sou mais o cara deslocado do que o descolado. Eu não chego nem perto do cara maneiro. O filme é um pouco baseado na minha vida, sim, mas mais nas minhas experiências quando jovem, quando tentava me encaixar entre as pessoas da escola e não conseguia. A adolescência é uma época difícil para todo mundo. O Jim é meio que uma versão de mim mesmo quando era mais novo. E o filme é também uma forma de olhar para atrás e rir de tudo o que aconteceu.
 
CH: Que conselho você daria para jovens que, como você, querem se aventurar na direção de filmes?
 
CRAIG: Seja dirigindo ou escrevendo, faça o que você acha certo e o que você quer. Não deixe as pessoas dizerem o que você deve fazer. Quando você é diretor, é a sua visão sobre o assunto que é colocada no filme, e ter muitas pessoas dando opiniões pode afetar isso. O filme acaba virando a visão de outra pessoa e pode ser prejudicado por isso. Então, meu conselho é: faça o que acha que é certo.
 
CH: O que diria para garotos e garotas que são mais como Jim e querem se tornar o cara descolado?
 
CRAIG: Acho que muita gente se confunde com o que significa ser legal ou descolado. Muita gente acha que o cara descolado é o que não liga para a atitude e tudo o mais. Honestamente, descolado é ser você mesmo e parar de tentar ser outra pessoa. Seja você! 
 
 
Se interessou pelo filme? Então se liga! Just Jim será exibido no dia 6/6, às 19h, na Caixa Belas Artes, em São Paulo. A 20ª  edição do Cultura Inglesa Festival acontece de 26 de maio a 12 de junho e traz ainda shows de artistas como Kaiser Chiefs e a exibição do documentário Amy.
 
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