Kika Boom renasce em “Frente ao Oposto” e revela sua versão mais sincera
Após dois anos sem lançamentos, artista abre o jogo sobre autoconhecimento, reinvenção e a busca por autenticidade nessa nova fase
epois de marcar o pop LGBTQ+ com hits dançantes e cheios de personalidade, Kika Boom está estreando uma fase totalmente inédita em sua carreira. O novo EP, Frente ao Oposto, lançado em 13 de novembro, marca a virada sonora, estética e emocional da artista — uma fusão entre tudo o que ela já foi e tudo o que, pela primeira vez, quer realmente ser.
A mudança não veio do nada. Desde Calcinha, parceria com Kaya Conky em 2023, Kika sentia que um ciclo havia se esgotado. Em entrevista exclusiva à CAPRICHO, ela conta que passou por um período de introspecção profundo, quase um ano sabático criativo, em que precisou silenciar o barulho externo para entender a própria verdade.
“Eu percebia que, quando eu escrevia música para outros artistas, conseguia entendê-los muito bem. Sou uma ótima ouvinte. […] Só que comecei a entender que eu nunca tinha me colocado no meu próprio lugar para me entender”, explicou.
Segundo ela, esse processo revelou que já não existia mais espaço interno para seguir repetindo fórmulas antigas. “Ali foi o ápice do ‘eu preciso mudar’. Eu precisava ser sincera com o que eu estava fazendo e com o que estava sentindo.”
“A primeira vez que as pessoas vão ver quem eu realmente sou”
O público percebeu a virada antes mesmo da música. Quando a capa do projeto foi revelada nas redes — um visual misterioso e etéreo, com Kika diante de um espelho que distorce sua própria imagem — um comentário chamou atenção: “A primeira vez que vamos ver a Kika que você também sempre quis ser.”
Kika concorda. “Acho esse comentário maravilhoso porque ele captou muito bem. É a primeira vez, como Kika Boom, que eu vou conseguir mostrar que não é um personagem.” Ela explica que, por anos, conciliou emoções íntimas mostradas nos stories — sempre com piano, violão e conversas sentimentais — com lançamentos pensados para viralizar. Esse contraste sempre existiu, mas estava escondido. “Pela primeira vez, eu tô realmente me escutando e fazendo um disco que eu gosto de ouvir.”
O espelho como símbolo da virada
O conceito visual do EP é quase um manifesto. O espelho, presente na capa e em todos os visualizers, representa o confronto entre persona e identidade. “Eu trouxe o espelho como um grande símbolo do álbum. […] Eu estou literalmente frente ao meu oposto e o público também vai estar frente ao oposto do que eles conheciam de mim.” Cada faixa tem seu próprio capítulo visual, seguindo a trajetória de se reconhecer, estranhar, aceitar e integrar a nova imagem que retorna do reflexo.
Esteticamente, Kika define o disco como noturno, mas não sombrio. É dramático consigo mesma, não com o mundo. “O maior drama é comigo mesma: se olhar no espelho e entender que isso nem sempre vai ser bonito.”
Faixa a faixa
A Gente Morre No Final abre o EP com uma energia dançante, introspectiva e emocionalmente crua. Kika revela que a faixa nasceu de forma inesperada e profundamente honesta: “Cada frase ali é exatamente como eu me sinto. […] As estrofes inteiras são desabafos de ansiedade.”
“Por muito tempo eu tive até vergonha dessa música, porque ela é muito pessoal, muito mesmo. Eu sou uma pessoa muito medrosa, muito ansiosa. Então as estrofes inteiras são desabafos de ansiedade. Até chegar no refrão, que é quando eu digo que quero viver sem esse medo, sem segredo, sem ficar preso no relógio — porque, no fim, a gente vai morrer mesmo. É quase um grito de liberdade depois de tanta tensão”, continuou.
Em Detalhes (Detais), Kika explora uma sonoridade mais chique, quase sensorial, misturando português e inglês. A faixa nasceu originalmente para Urias, mas acabou encontrando seu lugar nesse novo capítulo. “A letra inteira é eu dando pequenas pistas sobre quem eu sou e sobre o meu mundo”, diz. É um convite para observar, interpretar, decifrar.
SUPERHOT traz a estética oitentista que o produtor Bezeebra domina tão bem, com synths, teclados e uma pitada de deboche. Para Kika, essa música é uma ponte entre o passado e o presente. “Ela carrega resquícios da forma como eu pensava música antes.” A letra, porém, não fala sobre ela — e sim sobre aqueles grupos que vivem de aparências, achando que o mundo gira em torno deles.
“É sobre um grupo de amigos em que, por dentro, você sempre pensa: ‘Eu não faço parte disso’. É aquele grupo que vive zoando os outros, comentando o jeito que as pessoas se vestem, transformando a roupa da balada num superevento… quando, no fundo, ninguém liga”, explica. “Ninguém sabe seu nome, ninguém se importa se você odeia samba e pagode ou ama Björk. Nada disso te faz melhor do que alguém que gosta de calypso. Não se ache tão importante porque, no fim, ninguém conhece a gente de verdade”
Já Trópico fecha o EP trazendo a calmaria que o ciclo pede. É a única faixa romântica do projeto e mergulha nas confusões causadas pelo amor. “Todo trabalho musical acaba tendo uma canção de amor, e essa me pareceu perfeita porque, assim como o autoconhecimento, amar também não é sempre bonito.”
“Essa ideia de ‘virou minha vida de cabeça pra baixo’… Mona, isso é uó. Tem gente que odeia amar por causa disso. Quando você inverte a cabeça porque está amando, nem sempre é positivo.”
Um novo momento, sem pressa — e sem pressão
Apesar da pausa, Kika não quis voltar replicando fórmulas antigas. “Pensei que precisava lançar o Kika Vol. 2. Ele estava praticamente pronto. […] No fim, eu relaxei.” A percepção de que precisava fazer um disco para si — não para algoritmo, expectativa ou mercado — mudou tudo. “Se eu fosse mais autêntica comigo, eu só teria a ganhar.”
Hoje, ela enxerga o EP como o início de uma construção de comunidade, e não necessariamente de grandes palcos. “Talvez não vá haver uma procura tão grande de shows. E tá tudo bem.” Ela revela que já está pensando no próximo projeto e na continuidade dessa nova estética. “Agora eu só quero mostrar essas músicas pro mundo e continuar fazendo música verdadeira comigo mesmo. Esse é meu maior objetivo.”
Frente ao Oposto não é apenas um retorno. É uma reintrodução — talvez a primeira vez que Kika Boom aponta o espelho para si e decide mostrar o reflexo verdadeiro para quem sempre esteve olhando.
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