Filme da Superturnê, de Jão, é presente para fãs, mas falha na edição

Documentário que está nos cinemas registra emoção do público e grandiosidade dos shows do cantor

Por Sofia Duarte, Mavi Faria 20 mar 2025, 19h01
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filme Superturnê: A Primeira e A Última Noite, que retrata os três espetáculos protagonizados por Jão no Allianz Parque, chegou aos cinemas nesta semana e fica em cartaz até a próxima terça-feira (25). Mostrando os shows completos feitos pelo artista no estádio localizado em São Paulo, o documentário é um presente para os fãs por eternizar memórias incríveis na íntegra, mas falha em alguns momentos da edição.

Com pouco mais de 2 horas e meia de duração, o filme é uma reprodução dos três shows da Superturnê no Allianz Parque. A riqueza de detalhes e o jogo de câmeras possibilitam a quem presenciou tudo ao vivo reviver lembranças especiais, enquanto quem não estava lá pode entender um pouco da emoção e euforia que transbordavam.

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As novidades foram as cenas de bastidores, que revelam parte do processo criativo, dos ensaios, das decisões burocráticas e até da tensão por trás de shows de grande porte. É uma das primeiras vezes que temos um acesso tão nu e cru ao que vem antes de uma nova era do Jão, e, por isso, fica a sensação de quero mais. O cantor aparece vulnerável, sentindo culpa, medo e ansiedade, mesmo sabendo que é, sim, um fenômeno nacional. Essa humanização faz com que o espectador se identifique, fortalecendo, mais uma vez, os laços com quem o admira.

Teria sido interessante se o filme tivesse algumas músicas e falas repetidas cortadas para que ficasse mais dinâmico e enxuto – e, depois, fosse lançada uma versão estendida no streaming, por exemplo. Para o cinema, essa escolha faria muito sentido, seria mais assertiva e, dessa forma, talvez ainda sobrasse espaço para adicionar cenas que mostram o que acontece bem antes do Jão subir no palco.

Com a possibilidade de reprodução do show pelos fãs do país todo, são esses momentos fora da câmera os mais empolgantes, e ninguém além do cantor e sua equipe podem proporcionar ao público. Os breves trechos pessoaisapresentaram cenas raras do processo de criação das músicas, uma versão de Jão ainda não muito exposta.

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Para os fãs, o filme será um divertimento e até uma lembrança de um momento memorável, mas para o público geral, a reprodução exata do show e o tamanho da obra podem levar ao cansaço, ainda mais se a o espectador não conhecer as músicas do cantor.

De modo geral, o longa cumpre o papel de ser um arquivo para nos relembrar da potência que foi a Superturnê e da sua importância para tantos jovens e para o mercado da música brasileira. Porém, poderia ter um resultado ainda mais profundo e relevante se tivesse explorado melhor o material sobre aquilo que a gente não vê.

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