Entenda a importância da mensagem de Formation da Beyoncé

Novo single da Queen Bey empodera as mulheres negras, critica preconceitos e a violência policial contra negros nos EUA

Por Bruno Dias Fotos: Reprodução Atualizado em 17 ago 2016, 18h38 - Publicado em 11 fev 2016, 20h30

Desde que lançou o clipe/single Formation , no último sábado (6/2), Beyoncé virou assunto não somente por lançar uma canção inédita, mas por ter se posicionado contra o racismo e a favor do empoderamente das mulheres negras. Mensagem que foi amplificada no dia seguinte (domingo, 7/2), no show do intervalo do Super Bowl, em que dividiu o palco com Coldplay e Bruno Mars .

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=LrCHz1gwzTo&w=640&h=390]

Queen Bey se posicionou e irritou muita gente, ainda mais que os Estados Unidos vivem uma tensão racional muito forte e também por criticar a violênca policial por lá, após diversos casos de morte de negros por policiais brancos. Vem entender tudo!

New Orleans

O clipe de Formation mostra Bey em cima de um carro de polícia boiando embaixo d’água, escolhendo New Orleans como cenário, cidade que foi arrasada pelo furacão Katrina em 2005. Além disso, a canção traz a voz de Messy Mya, um youtuber de lá, que foi morto a tiros em 2010. O áudio diz: “O que aconteceu em New Orleans?”.

Negros mortos por policiais

Outra ferida cutucada por Beyoncé aborda os recentes casos de violência policiais de brancos contra negros, que levantou uma onda de protestos nos Estados Unidos. Principalmente após as mortes de Michael Brown, de 18 anos, com dois tiros na cabeça em Ferguson, no Missouri, em 2014; de Walter Scott, de 50 anos, morto com um tiro nas costas durante uma fuga (ele estava desarmado), em North Charleston, na Carolina do Sul, em 2015; e o de Freddie Gray, de 25 anos, morto após sofrer uma ruptura de vértebra quando era detido por policiais em Baltimore, em Maryland, também no ano passado

Enaltecendo as mulheres negras

A letra de Formation traz muitas frases enaltecendo a beleza das mulheres negras e criticando os preconceitos que elas sempre sofreram, citando alguns estereótipos. Algumas das frases mais emblemáticas são:

“Meu pai é Alabama, mamãe Louisiana. Você mistura o Negro com o Creole e faz uma Texas ‘bamma’ (gíria usada para chamar as mulheres de cafona)?.

“Eu gosto do cabelo do meu bebê, com cabelo de bebê e afros. Eu gosto do meu nariz negro com as narinas dos Jackson Five”. Nesse trecho, a filha de Bey e Jay-Z, Blue Ivy Carter, aparece com seu cabelo afro.

Continua após a publicidade

“Parem de atirar em nós”

Ainda no clipe de Formation, o ativista negro Martin Luther King aparece na capa de um jornal. Fora isso, a câmera passa por uma parede em que está escrita a frase: “Parem de atirar em nós”, deixando claro a mensagem contra a violência policial contra os negros.

Panteras Negras no Super Bowl

Em uma apresentação assistida por mais de 114 milhões de pessoas, Beyoncé usou o espaço para reafirmar a mensagem de Formation . Ela apareceu vestida com uma jaqueta inspirada na roupa usada por Michael Jackson, no Super Bowl de 1993. As dançarinas completaram o protesto, vestidas como membros do partido dos Panteras Negras, grupo que atuava armado defendendo os negros da violência policial, nos anos 1960 e 70.

Como a mensagem foi bem clara, não demorou para Beyoncé virar alvo de críticas. Nas redes, chegaram a usar as tags #‎BoycottBeyonce‬, #‎BoycottNFL‬ ‪e #‎BoycottPepsi‬. E não parou por aí:

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=L_Hgh7sPDLM&w=640&h=390]

Policiais enfurecidos

Segundo o Washington Examiner, policiais teriam desligado seus televisores durante a apresentação no intervalo do Super Bowl. Além disso, a Associação Nacional dos Xerifes chegou a publicar no Facebook que membros ligados a eles simplesmente baixaram o volume e ficaram de costas para a televisão.

Políticos dos EUA e Canadá revoltados

O ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, chegou a dizer que o show de Beyoncé “foi revoltante” e que ela usou o espaço como “uma plataforma para atacar policiais que são as pessoas que a protegem e nos protegem, nos mantêm vivos”. Mesma opinião do partido Republicado dos Estados Unidos, que disse: “Beyoncé pode ser uma entertainer talentosa, mas ninguém devia ligar para ela ou para o que ela pensa sobre questões sérias de nossa nação, ao contrário da aceitação desse clipe pró-Panteras Negras e anti-polícia pela mídia, quando são os homens e mulheres em azul que colocam suas vidas em risco por todos nós e merecem nosso apoio incondicional”.

A polêmica chegou até no Canadá, na voz do político canadense Jim Karygiannis. Ele disse ao The Sun que: “Se alguém usa aquele tipo de vestimentas e apoia um grupo de raciais, essa pessoa não pode ser bem-vinda no país, não há sombra de dúvidas disso”.

Apesar das críticas, o público fiel de Beyoncé mostrou sua força (e a dela!) ao derrubar o site de vendas de ingressos para sua The Formation World Tour, que irá passar pela América do Norte (inclusive pelo Canadá) e Europo a partir do dia 27 de abril.

Continua após a publicidade
Publicidade