Bao: Domee Shi fala sobre 1ª animação da Pixar comandada por mulheres

Curta de animação estreia nos cinemas brasileiros no dia 28 de junho, exibido antes de Os Incríveis 2

Por Bruno Dias Atualizado em 20 Maio 2018, 13h50 - Publicado em 20 Maio 2018, 13h45
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Bao estreia junto com Os Incríveis 2 no dia 28 de junho Disney/Pixar/Reprodução

Quando Os Incríveis 2 chegar aos cinemas brasileiros no dia 28 de junho, o tradicional curta de animação que acompanha os filmes da Pixar irá te emocionar e já está fazendo história dentro do estúdio de animação mais criativo do mundo. Estamos falando de Bao, primeiro projeto a ser feito e dirigido por mulheres!

Bao foi criado e dirigido por Domee Shi, de 28 anos, uma chinesa que cresceu em Toronto, no Canadá. O curta aborda de forma muito delicada a síndrome do ninho vazio, tema universal que atinge mães do mundo inteiro quando seus filhos crescem e se mudam de casa. Mas pra isso ela escolheu mostrar uma senhora chinesa que é surpreendida quando um de seus dumplings – aqueles bolinhos de massa chineses -, ganha vida.

  • Bao tem dois significados em chinês. Um deles é pãozinho de vapor, e o outro significado é tesou, algo precioso”, explicou Domee Shi durante uma tarde na Pixar, em Emeryville, na Califórnia, quando conversou com a CAPRICHO e outros jornalistas da América do Sul. “Nós pensamos que esse seria o nome perfeito para esse pãozinho de favor precioso.”

    Domee contou que a ideia de fazer um curta de animação próprio nasceu em janeiro de 2014, quando ela entrou na Pixar para trabalhar artista de design em Divertidamente. “A Pixar foi meu primeiro emprego depois que me formei na faculdade. Estava me divertindo muito em Divertidamente, mas ao mesmo tempo estava sentindo aquela coceirinha criativa para fazer algo que fosse meu, que fosse a minha cara, algo esquisito”, relembrou a diretora da Bao. “Isso vai ser meu projeto de final de semana. Aí pensei no que eu mais gosto na vida, que é comida.”

    De fato a diretora começou a trabalhar no projeto nas horas vagas e, conforme ia fazendo as coisas, sempre dava um jeito de mostrar para os colegas de trabalho e um deles era ninguém menos que Pete Docter, diretor de Divertidamente, que incentivou Domee e a motivou para inscrever Bao na seleção interna de curtas da Pixar, sendo escolhida em 2015.

    Ela sempre gostou muito de desenhar comidas, tanto que mostrou alguns de seus cartões de natal animados, que fazia por diversão. “Isso foi perfeito em Bao, porque na cultura chinesa, comida e família andam de mãos dadas. Quando você quer dizer pra alguém que gosta dela, você não diz amo você, apenas pergunta, ‘você já comeu? Está tão magrinho’”, disse Domee Shi.

    Filha única

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    The Goddess of Snacks blesses you this holiday season ✨🍗🍟🍔🌮🍙✨

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    “O primeiro ingrediente para o Bao era o amor, o que no caso é a comida. E o segundo ingrediente era usar minhas próprias experiências crescendo como filha única. Desde criança minha mãe sempre me tratou como esse precioso pequeno dumpling. Sempre fazendo questão que eu tivesse uma boa educação e que nada acontecesse comigo. Nós éramos uma pequena família de imigrantes da China morando em Toronto”, relembrou a diretora.

    Como o pai viajava muito a trabalho, por ser filha única, Domee Shi fazia praticamente tudo com a mãe, desde as refeições diárias, ir pra escola e trabalho no mesmo trem, e viagens de ônibus com outras famílias chineses pelos Estados Unidos. “Basicamente, ela sempre foi muito presente a minha vida toda e, quando comecei a crescer, foi difícil pra ela me deixar ir. Na verdade, ela chegava a me abraçar e dizer que queria poder me colocar de volta em sua barriga, pra poder saber exatamente onde estava o tempo inteiro. E esse amor assustador e doce da minha mãe por seu pequeno dumpling acabou sendo o coração deste curta”, afirmou a diretora.

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    Pequeno dumpling que ganha vida em Bao Disney/Pixar/Reprodução

    Domee contou que sua mãe foi a maior inspiração para Bao, principalmente por ser a rainha do dumpling. Ambas passavam fins de semanas e feriados fazendo os bolinhos tradicionais chineses. Ela era tão boa no preparo, que até foi até a Pixar dar aulas.

    “Trouxe ela aqui para dar aulas de como fazer dumplings para a equipe e isso foi muito importante para os animadores e pro pessoal de efeitos especiais estudarem suas técnicas, para depois imitar tudo no computador. Ela ainda não teve a chance de assistir ao curta, mas está muito feliz por aparecer nos créditos como consultora.”

    Homenagem às vovozinhas de Chinatown

    “Existe Chinatown em todos os lugares, e são sempre vibrantes, cheias de vida e cores, e nostálgicas. Real queria honrar isso no meu curta. E também queria honrar os vibrantes moradores de Chinatown. As vovozinhas de Chinatown, com suas suas roupas coloridas, o toque para saber quais eram os produtos mais frescos, e a determinação para conseguir os melhores negócios, elas são demais!”

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    Roupas da mãe em Bao foi uma homenagem às vovozinhas de Chinatown Disney/Pixar/Reprodução

    Mulheres na animação

    Além de levar a cultura chinesa para o mundo inteiro, Bao está fazendo história por ter pela primeira vez uma mulher na direção de uma animação da Pixar. Pois é, parece absurdo, mas só agora uma diretora ganhou um projeto próprio. Além disso, o curta também conta com uma produtora executiva, Becky Neiman-Cobb, e outras mulheres em diferentes processos da animação.

    “Acho que o fato da Pixar ter bancado esse curta é um bom exemplo disso [aumentar a diversidade e oportunidades para mulheres], escolhendo diferentes vozes para contar histórias. Me sinto muito honrada por ser a primeira, e espero que não seja a última”, celebrou Domee Shi. “Isso é o reflexo da mudança natural na indústria da animação, porque se você for olhar nas faculdades, mais de 50% dos alunos são mulheres agora, e se você comparar, anos atrás a maioria eram homens. É como a indústria está naturalmente mudando, então acho que isso é incrível.”

    * A CAPRICHO viajou à Califórnia a convite da Disney.

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