Três vacinas contra o coronavírus estão em teste no Brasil. Saiba mais!

Duas delas estão na terceira e última fase de testes em humanos e, se a eficácia e segurança forem comprovadas, devem ser liberadas até junho de 2021

Por Gabriela Junqueira - Atualizado em 15 jun 2020, 19h59 - Publicado em 15 jun 2020, 16h32
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CAPRICHO/Divulgação

Até julho, duas vacinas contra o coronavírus devem ser testadas em São Paulo. Na última sexta-feira (12/6), o governo anunciou uma parceria entre o laboratório pelo chinês Sinovac Biotech e Instituto Butantan para testar e produzir uma vacina no Brasil. O estudo, que deve ser aprovado pela Anvisa e pelo Comitê de Ética em Pesquisa, deve contar com mais de 9 mil voluntários para a terceira e última fase de testes, em que eficácia da imunização contra a doença é testada.

“A vacina do Instituto Butantan é das mais avançadas contra o coronavírus e os estudos indicam que ela estará disponível no primeiro semestre de 2021, ou seja, até junho do próximo ano”, disse o governador de São Paulo, João Dória, durante coletiva. Quando pronta, a vacina para a COVID-19 deve ser disponibilizada gratuitamente pelo Sistema de Saúde Único (SUS).

Cristobal Marambio/Getty Images

O custo para os testes serão de R$ 85 milhões, pagos pelo próprio Instituto Butantan. A tecnologia que ele usou para a pesquisa da vacina da dengue é a mesma usada pela empresa farmacêutica chinesa no desenvolvimento da vacina do coronavírus, o que facilitou a parceria.

As duas primeiras fases de teste da vacina, nomeada de CoronaVac, foram realizadas na China. A substância, que usa uma versão inativada do vírus, na primeira fase, foi testada em um grupo de 144 voluntários. Na segunda, em 600. No último sábado (13), segundo o G1, a Sinovack Biotech anunciou que, na segunda fase, a vacina induziu a produção de anticorpos em 90% dos voluntários que receberam a substância e não houve registro de nenhum efeito colateral severo.

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Outra vacina também será testada no Brasil, desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, com a farmacêutica AstraZeneca, e apoio da italiana IRBM-Advent. Os testes serão realizados em São Paulo, pela Unifesp, e no Rio de Janeiro, pela rede D’Or.

De acordo com a reitora da Unifesp, Soraya Smailli, depois da aplicação, que acontecerá em junho, os voluntários devem ser acompanhados por até 12 meses. “A vacina foi iniciada e desenvolvida até esse estágio em que ela está, lá na Universidade de Oxford. (…) Agora está na fase de pegar indivíduos voluntários que vão receber a vacina e que serão acompanhados por alguns meses para poder verificar se a vacina é eficaz, se ela consegue proteger contra o coronavírus”, disse em entrevista para a Agência Brasil.

 

A ChAdOx01, nome desta vacina Sars-Cov-2, já está na terceira fase de testes, e, no total, deve contar com 2 mil brasileiros voluntários. Enquanto isso, a AstraZeneca está organizando uma rede de produção em vários países e pretende produzir 2 bilhões de doses.

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Pesquisadores da USP também estão estudando outra “vacina”, uma terceira, que seria aplicada por spray nasal. O método é o mesmo utilizado para uma vacina de Hepatite B, que foi testada em camundongos. Ela está sendo desenvolvida a partir de uma proteína do coronavírus colocada dentro de uma nanopartícula. Os pesquisadores acreditam que serão necessárias quatro doses, duas em cada narina, aplicadas com um intervalo de 15 dias. Estima-se que o custo do spray nasal será de R$ 100.

Vale lembrar que a vacina da USP ainda está em fase de pesquisa, enquanto as outras duas estão nas fases finais de teste. No total, mais de 100 vacinas estão sendo estudadas no mundo. O prazo estimado de liberação da maioria delas é junho de 2021.

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