‘Tirei uma foto minha do pescoço pra baixo e apertei enviar. O pesadelo não tinha fim’

Conheça a história da Giovanna Montanari, de 17 anos, que teve a intimidade exposta na internet e ouviu os mais diferentes tipos de xingamentos por isso.

Por Da Redação - Atualizado em 2 ago 2016, 19h16 - Publicado em 18 set 2015, 11h56

Tudo começou quando conheci um menino em uma matinê que frequentava. Me apaixonei. Tinha 13 anos, prestes a completar 14, e ele foi meu primeiro namoradinho. Então, é claro, eu estava vivendo aquele momento de “paixãozinha boba”, sabe?

Em uma das nossas conversas, ele me pediu uma foto e, sim, você está imaginando certo. Ele me pediu uma foto nua! De início eu estranhei e falei que não enviaria de jeito nenhum. Mas fomos conversando mais sobre isso, até que ele me enviou uma foto dele. Confesso que achei a atitude até meio fofa. Na minha cabeça, era um sinal claro de que ele confiava em mim. Então, resolvi confiar nele também. Me preparei toda, tirei uma foto minha do pescoço pra baixo e apertei o botão “enviar”.

Assim que mandei a foto, pedi para que ele apagasse logo depois que visse. Ele disse que já tinha feito isso, que não era para eu me preocupar, e pediu para eu também apagar a foto que ele havia me enviado antes. Eu, incocente, acreditei na palavra del e e, sem pensar duas vezes, apaguei a foto.

Alguns meses se passaram e nós terminanos, porque descobri que ele havia me traído. Ele logo pediu para voltar, mas eu ainda estava com muita raiva. Foi aí que tive uma ideia: atualizar o status do Facebook e colocar que estava em um relacionamento sério com um dos inimigos dele. Queria que ele ficasse com ciúme, que sentisse pelo menos um terço do que eu estava sentindo. Só não imaginei o que aconteceria depois…

No dia seguinte, às 17h (nunca vou me esquecer), ele postou minha foto nua no perfil do Facebook dele. A legenda da foto era exatamente essa: “garotas que não se valorizam”; e o link do meu face logo abaixo . Quando cheguei da escola, a foto ja havia saído do ar, pois a maioria das minhas amigas havia denunciado. Porém, quando abri minha caixa de mensagens, me deparei com uma infinidade de inbox com xingamentos, de pessoas que, inclusive, eu nem conhecia. Susto. Decidi abrir uma mensagem aleatória: “Oi, Giovanna. Entra nesse link aqui. Eu juro que não é virus. No perfil desse menino, postaram a foto de uma menina nua e estão falando que é você “. E era mesmo eu. Meu mundo havia desmoronado em segundos.

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Literalmente, não sabia o que fazer. Só sabia chorar e chorar e chorar. Mas era sempre escondido e minha mãe ainda não havia percebido nada. Entrei em uma profunda depressão. Quando saía de casa, achava que todo mundo na rua estava me olhando torto e me julgando pelo que eu havia feito. É terrível pensar que você passa a vida inteira usando roupas, ficando na sua e, de repente, é exposta dessa forma por uma pessoa da qual você gostava.

Minha mãe descobriu depois que a notícia já havia também se espalhado pela minha antiga escola. O boato acabou chegando nela e, quando cheguei em casa, naquele dia, tive que ouvir muita coisa que nunca pensei que sairia da boca da minha mãe. Não recebi apoio nenhum da parte dela, mas não a culpo. Ela ficou muito decepcionada comigo. Foi realmente difícil passar por tudo isso praticamente sozinha . Fiquei uns sete meses afastada das pessoas, longe do Facebook, sem vida social, vivendo a rotina casa-escola (porque essa eu não tinha como interromper).

O pesadelo não tinha fim. Quando decidi voltar para o Face, pois havia pensado que depois de todos esses meses, a história havia esfriado, me deparei com vários grupos indecentes que estavam usando a minha foto no perfil. Eram julgamentos e mais julgamentos. Sumi novamente. Só depois de quase um ano fui entender que não devia me importar com o que as pessoas pensavam e falavam sobre mim. Eu confiei demais na pessoa errada. Eu não apoio ninguém a enviar nudes – pois se você realmente confia na pessoa, ela vai ter a oportunidade de ver tudo pessoalmente. Assim, meu sentimento de culpa foi diminuindo aos poucos. E eu fui vivendo.

Desde então, prometi para mim mesma que iria tentar tirar lições desse meu erro e que a opinião dos outros, geralmente, só serve para nos colocar para baixo. Muitas vezes, os julgamentos vêm de pessoas que nem te conhecem e que estão apontando o dedo para você, quando, na real, deveriam cuidar da própria vida, aprender com os próprios erros e não errar ao tentar acabar com a vida de quem nem conhece. Eu fui forte, mas fiquei impressionada em como o ser humano sente prazer em botar o outro pra baixo.

Eu coloquei um ponto final nessa historia e segui em frente. E se um dia isso acontecer com você – ou já tiver acontecido -, coloque um ponto final nisso também, porque, definitivamente, se você se culpar pelo resto da vida e ligar para o que todos estão dizendo… Bem, você, simplesmente, não vai viver .

**A Gi tem um canal no YouTube e decidiu compartilhar sua história, para, quem sabe, poder ajudar outras meninas a não passarem por isso sozinhas. Abaixo, o vídeo do desabafo.**

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