Protestos são feitos após morte de homem negro em supermercado

João Adalberto, de 40 anos, foi espancado e morto por dois seguranças em um supermercado na noite de quinta-feira (19)

Por Gabriela Junqueira Atualizado em 21 nov 2020, 15h36 - Publicado em 21 nov 2020, 14h38

Na noite de quinta-feira, 19, João Adalberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, foi espancado até a morte por dois seguranças em uma unidade do supermercado Carrefour, em Porto Alegre. De acordo com a polícia, a vítima teria feito um gesto para a atendente do caixa que a motivou a chamar a segurança. Os homens então o acompanharam até o estacionamento e, segundo depoimento da funcionária para a polícia, Freitas teria dado um soco em dos seguranças – o que foi negado pela esposa da vítima. Em seguida, de acordo com vídeos, os dois homens começam a agredir João Adalberto com vários socos na cabeça.

Manifestantes se reunem na porta de supermercado no Distrito Federal @DFdaDepre/ Twitter/Reprodução

“Quando eu cheguei lá embaixo, ele já estava imobilizado. Ele pediu: ‘Milena, me ajuda’. Quando eu fui, os seguranças me empurraram”, contou a esposa Milena Borges Alves, de 43 anos, em entrevista para uma rádio. O SAMU foi acionado e foi realizada massagem cardíaca mas a vítima não resistiu. Os dois homens, um policial militar de 24 anos e um segurança de 30, foram detidos em flagrante.

O episódio gerou revolta na população e causou manifestações pelo Brasil. Em Porto Alegre, um grupo e 2.500 manifestantes se reuniram na frente do estabelecimento em que Beto, como era conhecido, foi morto. Vidros foram quebrados, o portão danificado e frases como “Fogo nos racistas” e “Beto vive, justiça” foram pichadas em frente ao mercado.

Em São Paulo, uma manifestação foi realizada na Avenida Paulista e uma loja da rede Carrefour foi invadida, houve um príncipio de incêndio que foi controlado mas ninguém se feriu.  Um grupo de artistas também se reuniu na avenida, uma das principais de São Paulo, para pintar a frase “Vidas Negras importam” na pista. Protestos também foram organizados em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e em Brasília.

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A morte de João Adalberto, que aconteceu na noite anterior ao dia da Consciência Negra, não é um caso isolado: No Brasil, a morte de pessoas negras causada por violência física cresceu 59% de acordo com dados do DataSUS, uma evidência do racismo no país. Nas redes sociais, o caso foi comparado com o de George Floyd, homem negro que foi morto sufocado por um policial branco nos Estados Unidos no começo do ano.

Na manhã deste sábado, 21, o corpo de João Adalberto foi sepultado no Cemitério São João, na Zona Norte de Porto Alegre. “Eu não tenho nada pra falar. Só quero justiça, quero que paguem”, disse Milena.

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