Por dentro da juventude desafiadora de Rebeca Andrade no alto rendimento

Em entrevista à CAPRICHO, a atleta contou como o apoio do seu treinador Xico foi essencial durante sua adolescência singular no esporte

Por Juliana Morales 27 ago 2025, 13h00
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adolescência de um(a) atleta de alto rendimento é vivida de um jeito único. Ao mesmo tempo que o jovem passa por questões biológicas e comportamentais, que são comuns a todos durante essa fase, quem se dedica ao esporte profissionalmente, desde cedo, enfrenta uma rotina e uma pressão diferenciada da maioria das pessoas da sua idade. Com Rebeca Andrade, não foi diferente.

A bicampeã olímpica, nascida em Guarulhos (SP), começou a treinar aos 4 anos em um projeto social. Com 10 anos, se mudou para Curitiba, passando a morar distante da mãe e dos sete irmãos. No ano seguinte, seguiu para o Rio de Janeiro, para treinar no Flamengo. Em 2012, com apenas 13 anos, venceu o Troféu Brasil, seu primeiro campeonato como profissional. E, aos 17, participou da sua primeira Olimpíada.

Rebeca, agora na “casa dos 20”, reflete sobre todo o seu crescimento, mas afirma que tem uma pessoa que pode contar essa história melhor que ela própria. Francisco Porath Neto, o “Xico”, seu treinador e quem ela tem “como uma figura paterna”. “Quando ele me conheceu, eu era muito nova, e pegou todas as minhas fases: saindo da infância, indo para adolescência, agora caminhando para uma fase mais adulta”, disse em entrevista à CAPRICHO.

“Hoje ela tem 26 anos, quando eu a conheci, eu tinha 26 anos, e não tinha essa maturidade toda que ela tem. Então, a gente só tem muito orgulho de tudo o que construímos”, diz Xico, que também participou do papo. O treinador ressalta que as atletas, “diferentes de uma criança comum”, têm que amadurecer muito cedo, treinam muito em paralelo com os compromissos escolares, tendo uma agenda muito cheia.

Ele relembra que, na adolescência da Rebeca, ela vivia um casa em Três Rios, no Rio de Janeiro, junto com outras atletas da mesma faixa etária. “Sempre tem aquele amigo que viaja, vai na festinha, e elas, às vezes, não têm essas oportunidades. Mas como elas estavam em um ambiente de treinamento, com todo mundo passando por aquela mesma situação e praticamente na mesma idade, acredito que elas passaram por essa fase de uma forma tranquila”, afirma.

A ginasta concorda. “Para mim, nunca foi um problema não ir à festa de uma amiga ou não estar vivendo tal experiência, porque enquanto eles queriam estar lá, eu queria ter uma medalha. Eu queria viajar e ter uma Copa do Mundo e ir para um Mundial”, conta.

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Mas isso não significa que ela não enfrentou a montanha-russa de emoções desta fase, que vocês, leitores da CAPRICHO, conhecem bem. Inclusive, Rebeca revela que ela era bem diferente do que é hoje. “Na minha adolescência, eu tinha uma personalidade muito forte, eu não era assim toda essa gracinha que eu sou hoje”, conta com bom humor.

“E imagina um casa cheia de meninas? São muitos hormônios, todo mundo passando por uma fase completamente diferente: é um cabelo que não gosta, é uma acordada de mau jeito”, continua. “Mas, no fim, nem todos os dias foram perfeitos, mas, dentro do que podia ser, foi o melhor cenário”, avalia.

Grande parte disso a atleta atribui ao apoio que recebeu de Xico e a relação de confiança que eles construíram juntos. “Quando eu não me sentia confortável de falar alguma coisa na hora do treino, eu fazia uma cartinha e colocava embaixo da porta do quarto deles [do Xico e da outra treinadora da época]. Eu sempre me senti muito livre para falar o que eu achava e o que eu sentia”, diz.

Muito legal ter alguém que te apoie assim, né? Essa parceria entre Rebeca e Xico, que vai além dos tablados, é explorada em um documentário, que estará disponível no canal do YouTube da Adidas a partir de 12 de setembro. Nele, o treinador conta a história da campeã de um ponto de vista diferente do que estamos acostumados. Confira um trecho a seguir.

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