‘O clima de festa deu espaço ao silêncio absoluto’, conta brasileira sobre atentado na França

Alize De Vries estava em Saint Laurent du Var, uma cidade ao lado de Nice, e viveu o medo do terrorismo de perto.

Por Equipe CAPRICHO 15 jul 2016, 15h51

Um ataque na última quinta feira, durante as comemorações de 14 de julho, deixou 84 mortos em Nice, cidade da França. Enquanto estavam assistindo à queima de fogos, pessoas foram atropeladas por um caminhão em alta velocidade. Alize de Vries, de 18 anos, ex-Galera CAPRICHO, é brasileira e estava, na hora da tragédia, em uma cidade vizinha chamada Saint Laurent du Var. Ela, que sentiu o medo de perto, dá um depoimento para a CAPRICHO.

“Hoje acordei de luto. A sensação de estar dentro de tudo isso é apavorante. É um choque de realidade tremendo e uma tristeza imensurável. Eu estava a aproximadamente 6km do atentado, trabalhando em um carrossel, que fica na orla, quando vi dois policiais com o pavor estampado na cara vindo na minha direção, procurando pelo responsável do lugar.

Eu não tinha noção do que estava acontecendo. Foi quando, nem um minuto depois, ouvi do meu pai: ‘Fecha tudo e vamos voltar para casa! Acabou de acontecer um atentado em Nice’. Bares e restaurantes fechando, e a rua, que estava lotada de gente para a comemoração do 14 de julho, se esvaziou em menos de cinco minutos.

Todo o clima de festa e comemoração deu espaço a um vazio e silêncio absolutos. Fechamos tudo às pressas, ainda meio em transe, enquanto me perguntava o porquê de tudo isso. Eu sentia o quão real era tudo aquilo que eu via nos jornais sobre os atentados. Fiquei angustiada, olhando para todos os lados, atenta para qualquer sinal de perigo.

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Angustiada, com medo de que a onda de terror chegasse até onde eu estava, aflita para chegar logo em casa e me sentir segura. Ainda não consegui entender, e nem vou, como alguma coisa pode motivar alguém a entrar em um caminhão, decidido que vai sair para matar dezenas de vidas e destruir famílias.

Os comércios da região perto do atentado estão todos fechados, porque a área ainda está sob investigação. Aqui, nas outras cidades da Costa Azul, litoral francês, as pessoas estão todas desacreditadas. Só se fala sobre isso. Todo mundo está revoltado e assustado. Desde os atentados de Paris, eles evitam lugares aglomerados. Agora, ainda mais. Por exemplo, ia ter show da Rihanna em Nice. Ele foi cancelado. Eu tinha comprado ingresso, inclusive.

Em todos os canais de TV, as programações foram substituídas por reportagens e notícias do atentado. As rádios passam relatos de pessoas que estavam lá e uma matéria sobre isso ocupou o jornal Nice Matin inteirinho. Os hospitais estão cheios de feridos, dentre eles muitas crianças, porque o caminhão passou por um carrossel que ficava lá (parecido com o que eu estava trabalhando). Até pouco tempo, muitas famílias não tinham notícias de membros que estavam no atentado, porque muitos feridos não tinham ainda sido identificados nos hospitais.

Foi tudo muito estranho, muito estranho mesmo! Tomar consciência de que ali, nem tão longe de onde estava, um ataque tinha acabado de acontecer e deixado muita gente brutalmente feriada e muitos mortos, me deixou em estado de transe. Eu fiquei triste, desacreditada, preocupada e com medo. Eu senti o terror de perto.”

 

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