‘Não vou me esconder por causa do que os outros falam’, diz IZA para a CH

Em bate-papo exclusivo, a cantora, que roubou a cena no Lollapalooza, fala sobre racismo, sexualização de mulheres negras e Rihanna.

Por Ana Carolina Pinheiro 13 abr 2019, 10h01

Boatos que a IZA traçou um plano para conquistar o mundo e deu certo, viu? Dona de hits como Pesadão e Ginga, a cantora terminou o ano passado com uma indicação ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa”, com seu primeiro álbum, “Dona de Mim”, consolidando ainda mais sua carreira.

Eu e a musa <3 Reprodução/Reprodução

Depois de fazer uma participação no show de Rincon Sapiência, no Lollapalooza de 2018, IZA esteve de volta no festival no domingo, 7, para seu primeiro show no evento. Segundo uma pesquisa da SEMrush, empresa de marketing digital, a apresentação da cantora no Lolla foi a mais procurada na internet com 210.000 pesquisas, entre as setenta atrações! Na sequência, a lista contava com o rapper Post Malone, com 148.000 buscas, e Greta van Fleet, com 123.000.

Além dos shows, a carioca também encontra tempo para comandar dois programas na televisão. No Música Boa Ao Vivo, no Multishow, IZA segue como apresentadora na sua segunda temporada, recebendo três convidados por episódio. Já no Só Toca Top, na Rede Globo, ela divide o comando da atração com o cantor Toni Garrido durante seis programas.

  • Encontrei a IZA entre as gravações do Só Toca Top, em São Paulo, para uma conversa sobre autoestima, carreira e música. Confira a entrevista na íntegra com essa fada acessível do R&B e pop nacional!

    ANA: Como era a sua relação com o corpo na adolescência?
    IZA: Passei muito tempo da minha vida tentando me esconder por conta da minha descendência. Tenho quadril largo, bumbum e coxa grande. Quando fui amadurecendo, senti isso na pele, inclusive com assédio. Não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas me incomodava.

    ANA: E como você superou isso?
    IZA: Então, de uns tempos pra cá, entendi que nós, mulheres negras, não precisamos carregar o peso que as outras pessoas colocam em nossos ombros. Eu não tenho culpa de ser assim. Aliás, sou agraciada por ser desse jeito. Então, se me sinto bem, preciso celebrar o meu corpo e mostrar isso. E, se alguém acha que é sexual ou não, é um problema totalmente da pessoa que acha, não meu. Não vou me esconder por conta do que os outros falam, e isso serve para qualquer coisa.

    ANA: Antes de seguir a carreira musical, você fez faculdade de Publicidade. Que lição ficou daquela época e que faz parte da sua vida até hoje?
    IZA: Sempre gostei muito de falar, até por isso escolhi Comunicação Social. Também trabalhei com mídias digitais, recursos humanos, marketing, atendimento ao público, como recepcionista, e edição de vídeo. Enfim, qualquer experiência acaba agregando no seu próximo trabalho. Inclusive, edito meus clipes e escrevo roteiros. Hoje, sendo empresária, cantora e apresentadora, vejo como tudo isso ajudou a construir minha carreira e ser a profissional que sou.

    ANA: Que dica você daria para as pessoas que estão com medo mudar algo na vida?
    IZA: Muda de área, se precisar, e seja feliz. Mas no final das contas tudo o que você fizer já vai agregar nas próximas vivências. Pode parecer que não, mas sempre aprendemos com tudo o que vivemos.

    ANA: O que não sai da sua playlist ultimamente?
    IZA: Tá tocando muito H.E.R, inclusive estou viciada e chocada que ela vem pro Rock in Rio. Ansiosa. Gosto da Rihhana também, mas estou esperando ela parar de vender calcinha e fazer um álbum novo, se Deus quiser (risos)! Além delas, curto muito R&B e hip-hop, tipo Frank Ocean, Khalid e Normani, que estou escutando bastante.

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