Kathlen Romeu tinha ido visitar a avó quando morreu; mãe culpa a polícia

Sayonara Queiroz, que estava com a neta quando tudo ocorreu, disse ainda que precisou insistir para que os policiais ajudassem a vítima

Por Isabella Otto Atualizado em 10 jun 2021, 12h17 - Publicado em 10 jun 2021, 10h05
Ao centro, modelo usa cropped azul de manga comprida. Ela está com uma das mãos na cintura, sorrindo. De um lado, a frase
Marisa/Divulgação

Kathlen Romeu, de 24 anos, morta na última terça-feira, 8, na comunidade do Lins, na zona norte Rio de Janeiro, tinha ido visitar a avó quando foi atingida por uma bala perdida. Contrariando a versão da Polícia Militar, que diz ter “lutado até o fim pela vida de Kathlen”, a senhora Sayonara Fátima Queiroz de Oliveira, que estava com a neta quando ela foi acertada pelo tiro de fuzil, disse que precisou insistir para que a PM levasse a jovem ao hospital.

Kathlen Romeu com a mãe, Jaqueline. Elas estão abraçadas na praia, em um dia de sol.
Kathlen abraçando a mãe, Jaqueline. “Você é perfeita”, escreveu na legenda desta imagem postada no Instagram Instagram/@eukathlenromeu/Reprodução

“Eles estão falando que socorreram a minha neta. Não foi. Quando começou o barulho do tiro, a minha neta caiu. Eu pensei que ela tinha se jogado e eu me joguei em cima dela. Quando eu me joguei, vi que ela estava com um buraco. Durante o tiro, ela estava comigo. Eu me levantei e falei: ‘Gente, para de dar tiro e socorre a minha neta’. Eles socorreram porque eu gritei. Eles não queriam nem que eu fosse no carro com ela“, garantiu em em entrevista ao RJ1.

Jaqueline de Oliveira Lopes, mãe da vítima, contou ainda que a família havia se mudado da comunidade no dia 24 de abril, justamente por causa dos confrontos armados no local. “Parem de matar a gente! Essa bagunça está no Lins há muito tempo. Estou todo este tempo sem ver a minha mãe direito, vi só duas vezes. E a ela falando: ‘Não vem aqui, pois todo mundo está relatando tiroteio a esmo’“, disse.

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    A mãe de Kathlen, que era filha única, afirma ainda que quem matou sua filha foi a PM. “Se ela fosse morta por bandido eu não falaria nada com vocês porque eu sei que eu moro em um lugar que eu não poderia falar. Então ficaria na minha. Mas não foi. Foi a polícia que matou a minha filha”, falou para o RJ1. Moradores da comunidade confirmam a versão de Jaqueline. Em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo, na última quarta-feira, 9, o major Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar do RJ, declarou que os policiais não tiveram culpa e que eles foram encurralados por criminosos de uma facção. “Avisa ao major Blaz que esta historinha que é contada há anos na televisão que foi troca de tiros, que a polícia foi recebida a tiros. Quem foi recebida a tiros foi a minha filha. Eu fui informada por todos de que não foi troca de tiros. A polícia estava dentro de uma casa, viu os bandidos e atirou. Se a polícia estava dentro de uma casa, por que não olhou quem estava passando? Se eles estavam de tocaia, eles têm que ter cuidado. Na favela não mora só bandido“, mandou o recado.

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