Jovens do Tocantins criam oficina de colagem inspirados na CAPRICHO
Adriel Christian e Luana Coelho, do coletivo Criativos do Norte, falam sobre a criação de um espaço para ser livre e trabalhar a criatividade

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esenvolver a própria criatividade já não é uma tarefa fácil, mas, para a galera do Criativos do Norte, também não era suficiente. Eles perceberam como a arte é muito mais instigada no coletivo e deram mais um passo na direção de criar um coletivo artístico ao promover, no último mês, uma oficina de colagem.
Ao lado de papéis, colas, revistas, adesivos, tesouras e jovens curiosos, o município de Araguaína, no Tocantins, foi cenário para uma tarde onde a única regra era ser livre e criar o que quisesse. A criação da oficina de colagem e até da inspiração para algumas obras feitas no dia anda lado a lado com a CAPRICHO – pois é, estamos em todos os lugares. A gente te explica melhor essa nossa relação!
Uma das administradoras do coletivo Criativos do Norte, Luana Coelho, 20, nos contou que a ilustração da artista Luísa Guarnieri (@ohwowlulu), que Luana já admira, presente na edição física da CH de dezembro, foi uma das inspirações para tornar sua vontade de realizar uma oficina de colagem dentro do coletivo uma realidade.
Artes feitas com técnicas de design e colagens vêm sendo uma obsessão para ela, que sentiu a necessidade de concretizar a oficina pela falta de um espaço dedicado único e exclusivamente à arte.
“Queria criar um espaço para as pessoas poderem expressar o que elas quisessem ou o que estão sentindo em um momento que é só para isso. Pensei: às vezes, a gente não tem tempo, então vamos criar o tempo para poder fazer isso, ou melhor, criamos um evento para você se expressar”
Luana Coelho
Contudo, contar sobre o trabalho do Coletivos do Norte unicamente sob a perspectiva da oficina de colagem é ser simplista. O projeto nasceu há pouco mais de um ano, inicialmente como um espaço para que Coelho expusesse os itens de arte que ela produz, mas que acabavam sem fluxo de saída pela falta de tempo de divulgá-los.
Com poucos amigos em contato, a exposição cresceu e se tornou a Feira Criativos do Norte, realizada a cada dois meses. Em pouco tempo e com o acréscimo de outros artistas e entusiastas criativos, um Clube do Livro foi criado e, agora, uma oficina de colagem, todos organizados e geridos pelo que agora denominam como coletivo Criativos do Norte.

Caos criativo? Sim, por favor
“Juntamos papel, revista, cola, caneta, fizemos uma mesa imensa e ficou aquele caos criativo. Era para ser só uma folha em branco e, no final, tinha gente que fez duas, três colagens”. Adriel Christian, 30, também administrador do coletivo, conta à CAPRICHO que o interesse da galera em participar da oficina foi uma surpresa, já que ele tinha medo de que houvesse poucos inscritos.
Consumidor da CH há mais de 10 anos, ele revela ter tido muita inspiração na edição digital de janeiro, que teve como tema principal a criatividade, para produzir uma das colagens na oficina, dedicada a ser uma capa da revista voltada às principais celebridades do momento.
“Para mim, criatividade é a liberdade para explorar as coisas. Quando você pega uma folha em branco e você pode fazer o que quiser nela, você tá explorando a sua liberdade. É você ser livre, e isso é muito do que a CAPRICHO prega para mim”
Adriel Christian
Entretanto, mesmo com o estilo de vida criativo de Christian e de Coelho, eles não negam a importância do consumo de inspirações para a própria criação criativa, seja em formato de leitura, escrita, seja de conteúdos nas redes sociais. Foi a partir destas produções, inclusive, que Coelho se tornou obcecada por colagens e as mantém como parte de seu estilo artístico.
Na própria oficina de colagem, eles observaram como, por mais focadas que estivessem na própria arte, a galera conseguia admirar a obra do outro e até se inspirar. “Eles se inspiraram nas ideias uns dos outros, mas sem perder a originalidade, e eu via todo mundo muito empolgado, focado no seu e também admirando o outro. Foi um momento de relaxar e de ver que a arte une e socializa as pessoas“, relata Christian.