Feminismo é modinha? Não é o que acredita a estudante Manuela Tecchio, autora de viral feminista

Em um mundo onde tudo é sempre levado tão ao pé da letra, fica realmente difícil entender a sutileza de uma letra tão incrível! Mas a gente dá uma mão.

Por Isabella Otto Atualizado em 17 ago 2016, 16h51 - Publicado em 2 ago 2015, 11h50

A Louca . Este é o nome da música composta pela Manuela Tecchio, de 20 anos, estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina A letra de cunho feminista ironiza alguns comentários que nós, garotas, já estamos cansadas de ouvir (e que, às vezes, ainda reproduzimos erroneamente por força do hábito). Como, por exemplo, o trecho que diz: “ouça bem, mulher. Mude logo sua conduta, que essa moda feminista é um jeito chique de ser puta”. Aliás, Manuela acha engraçado quando escuta que feminismo é modinha. ” Seria uma baita modinha um movimento que existe há mais de um século! “, brinca.

Já deu para sacar que a Manu e a ironia caminham lado a lado, né? Mas nem todo mundo que ouviu a canção ( que você pode escutar logo abaixo ), teve a sensibilidade de entender a figura de linguagem utilizada. “Teve gente que realmente achou que eu estava tentando oprimir as mulheres livres”, conta a estudante, que não brinca em serviço quando o assunto é feminismo. “O movimento está sendo pintado como algo criminoso, marginal. A culpa disso é a falta de informação, apesar de o debate ter se intensificado na internet. Feminismo não é apenas um rótulo . Não é uma estampa de camiseta”, ressalta.

Manuela faz parte do Coletivo Jornalismo Sem Machismo, grupo de debates feministas da faculdade, e teve a ideia de escrever a música depois de participar de uma reunião organizada pelo Centro Acadêmico da UFSC. O intuito era que as meninas desabafassem sobre casos de machismo que já haviam sofrido. “O resultado foi tão absurdo! Se você prestar atenção, vai ver que o machismo está presente em cada pequena parte do seu cotidiano. E não vem apenas dos homens, infelizmente”, lembra a estudante.

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Para a futura jornalista, apesar de o debate ter se intensificado nas redes, está faltando mão na massa. “É muito legal você compartilhar um texto no Facebook. Mas e na vida? E no mundo real? Temos que começar tirando o peso da palavra feminismo . Se você acredita na igualdade política, social e jurídica entre homens e mulheres, fico feliz em informar que você é feminista, miga!”, simplifica a catarinense, que acredita que é muito importante falar sobre o movimento com adolescentes: “nessa época da vida, você ouve que é feio ser gorda, que você precisa tomar cuidado com o que come, que é preciso ter o cabelo daquele jeito ou de outro… Mas adivinha? Você só precisa ser você! Aprender a se amar é a mais verdadeira forma de ser livre “. E feminista!

Obrigada, Manuela Tecchio ! Ou melhor, como você mesmo gosta de dizer: “agradecida (porque não somos obrigadas a nada).”😉

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