Exatas, humanas ou biológicas: como ter certeza da escolha feita?

São tantas graduações que você nem sabe por onde começar? Talvez, escolher primeiro a área de atuação possa ser uma boa saída. Fica a dica!

Por Isabella Otto Atualizado em 11 fev 2021, 19h26 - Publicado em 30 mar 2018, 11h20

No próximo sábado, 31, o primeiro episódio da terceira edição do quadro “Qual vai ser?” vai ao ar no programa Como Será?, da Rede Globo, exibido das 7h às 9h. Mais uma vez, estudantes terão a chance de sanar suas dúvidas sobre vestibular e graduações ao lado de Sandra Annenberg e especialistas incríveis! A parceria da CAPRICHO com o programa continua e matérias sobre cursos e universidades não vão faltar!

Imagem de um programa de TV.
Sandra Annenberg e Eduarda, de 15 anos, a primeira estudante a tirar suas dúvidas no programa. Ela está indecisa entre Relações Públicas, Relações Internacionais e Psicologia. Globo/Divulgação

A primeira delas responde as cinco principais dúvidas gerais sobre o vestibular, que foram enviadas por nossas leitoras. Quem as responde é Kátia Ura, psicóloga, orientadora profissional, psicopedagoga e consultora do quadro “Qual vai ser?”.

1. “Testes vocacionais realmente funcionam?”
Os testes vocacionais são ferramentas utilizadas para ajudar as pessoas que estão em dúvida na escolha profissional a terem mais clareza sobre suas áreas de interesse. Eles são elaborados com base em estudos e, para os testes serem validados, é necessário avaliar o público alvo, a faixa etária, as áreas de interesse, entre outros aspectos. Por essas razões, muitos testes acabam sendo limitados, pois a população e demanda do mercado de trabalho estão sempre em transformação. Sem contar que os mais genéricos, encontrados na internet, por exemplo, não avaliam os aspectos mais íntimos e amplos de cada indivíduo. Muito cuidado para não delegar a escolha do seu futuro profissional na mão de testes e/ou na opinião de terceiros. Essa escolha precisa vir de dentro de você – mesmo que você faça vários testes vocacionais para tirar a dúvida.

  • 2. “Sonho em ser engenheira, mas sou terrível em matemática. Deveria escolher outra graduação?”
    As graduações em Engenharias encontram-se dentro da área das Ciências Exatas, que lida com situações e problemas que demandam o uso da matemática, e de cálculos para resultados lógicos e precisos. Os cursos são realmente mais fáceis para pessoas que gostam de exercitar o raciocínio lógico e solucionar problemas através de desafios numéricos – mas vão muito além da matemática que você aprende na escola. Reflita sobre esses motivos que a motivam a ser engenheira e lembre-se de que há vários nichos: Engenharia Química, de Produção, Mecânica, Florestal e até de Pesca. É importante também lembrar que toda profissão tem um pouco de cada área. Da mesma maneira que um sociólogo precisa ter noção de exatas para interpretar os dados estatísticos de uma população, um engenheiro precisa ter noção de Ciências Humanas para conscientizar-se de um possível impacto social e ambiental através de uma nova tecnologia. Por isso que, ao escolher uma profissão, busque se identificar com o propósito dela e os objetivos das possíveis áreas de atuação que puder exercer através dessa escolha.

    3. “Qual é a diferença entre Relações Internacionais e Relações Públicas? Os dois cursos são de humanas?”
    Sim, os dois cursos são da área das Ciências Humanas. O profissional de Relações Públicas tem como principal função a mediação dos relacionamentos dentro de empresas e entre pessoas. Eles são responsáveis pela representação deles para o mundo. É o profissional que trabalha na gestão de comunicação para passar imagem, valores e/ou aquilo que as empresas e/ou profissionais desejam transmitir. O profissional precisa ter jogo de cintura, empatia, ser lógico, saber se comunicar e gostar disso, ter paciência para lidar com diferentes públicos e ser uma pessoa acessível para que consiga fazer a mediação entre todos os envolvidos e negociar os interesses para que todos ganhem. Já o profissional de Relações Internacionais, conhecido como internacionalista, conduz as relações entre nações, povos e empresas. O profissional precisa ter uma boa visão de mundo, gostar de questões sociais, políticas e econômicas mundiais, de aprender idiomas, ter uma capacidade de liderança para defender os projetos de modo que consiga negociar e integrar as pessoas, saber lidar com diversos interlocutores de diversas nacionalidades e costumes, ler muito e curtir viajar.

    Imagem de vários balões com ilustrações representando diferentes carreiras com a pergunta: Qual vai ser?
    Ilustração: iStock/DrAfter123/Reprodução

    4. “Minha mãe diz que não vai pagar minha faculdade se eu não fizer o curso que ela deseja. Como posso resolver esse problema?”
    Nessa pergunta, temos duas questões importantes a serem refletidas: (1) corresponder à expectativa da mãe em relação à escolha profissional e (2) bancar a própria escolha e buscar diferentes alternativas para conseguir estudar na faculdade e curso que deseja. Em relação ao primeiro ponto, é comum os pais criarem expectativas de que os filhos realizem aquilo que eles consideram mais importante ou que garanta um futuro mais seguro. É preciso ter muito diálogo e compreensão por ambas as partes. Cada pessoa é responsável pela própria jornada. É um caminho único e individual. Tente conversar com sua mãe sobre seus sonhos, suas habilidades, competências e o quanto essa escolha faz mais sentido para você do que seguir o que ela deseja. Somente através de um diálogo saudável será possível que ela te conheça melhor e reconheça as expectativas que deposita em você. Quanto ao segundo ponto, um aspecto muito importante que reflete muito nas nossas escolhas são as nossas limitações. Tanto as internas quanto as externas. Sempre que uma limitação aparece, é importante avaliar a situação e pensar em estratégias que te ajudem a encontrar uma solução e continuar seguindo em frente. Por exemplo, no caso da pergunta acima, é possível pensar nas seguintes questões: “qual curso quero prestar?”; “onde quero estudar?”; “se for faculdade pública, quantos anos eu teria condições financeiras e emocionais para continuar tentando?”; “se for particular, teria esquema de bolsa ou financiamento para facilitar o pagamento?”. Em toda situação de obstáculo ou encruzilhada, é importante parar para refletir e pensar em todas as perguntas possíveis. Valorize as dúvidas que vêm, pois são elas que nos estimulam a encontrarmos as melhores respostas.

    5. “Quais são as principais diferenças entre as áreas de humanas, exatas e biológicas? Como escolher entre cursos de áreas diferentes?”
    Ter ideia da área de conhecimento (Ciências Exatas, Ciências Humanas ou Ciências Biológicas) que se sente mais atraída é um grande passo para descobrir o curso que tem mais a ver com você. É como se fosse um grande funil! A área das Ciências Exatas lida com situações e problemas que demandam o uso da matemática, e de cálculos para resultados lógicos e precisos. É para pessoas que gostam de raciocínio lógico-matemático, de solucionar problemas e de analisá-los através de cálculos para gerar resultados práticos. A área das Ciências Humanas estuda o homem e sua relação com a sociedade e consigo mesmo. É para pessoas que sentem afinidade em compreender as relações humanas, culturas, buscar soluções para problemas sociais. A área das Ciências Biológicas busca compreender o funcionamento do meio ambiente e de como cada ser vivo se comporta e se integra a este meio. Ela estuda o ser vivo como um todo, em várias escalas, desde molecular até os complexos sistemas onde a vida se torna possível.

    Tem alguma dúvida sobre vestibular? Manda um e-mail para capricho@abril.com.br. Vamos adorar te ajudar!

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