Enem “com a cara do Governo Bolsonaro” tem questão sobre “vida de gado”

Também foram abordados temas como racismo e luta de classes, com referência a Friedrich Engels, coleguinha de Karl Marx; presidente não curtiu

Por Isabella Otto Atualizado em 22 nov 2021, 14h28 - Publicado em 22 nov 2021, 14h26

No domingo, 21, aconteceu o primeiro dia de prova do Enem 2021, com os cadernos de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, e redação, cujo tema foi: “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”. Para especialistas, o problema apresentado pela banca foi pertinente e o candidato poderia falar sobre marginalização de povos e problemas envolvendo políticas públicas.

Pergunta do Enem 2021 que cita a música Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho
Pergunta do Enem sobre a canção de protesto de Zé Ramalho Enem 2021/Reprodução

Na parte de múltipla escolha, uma questão em especial chamou a atenção por envolver a análise da música Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho, escrita durante a Ditadura Militar, que faz uma crítica à passividade social. Chico Buarque também foi citado na prova, assim como Friedrich Engels, colega de Karl Marx, em uma pergunta sobre luta de classes. O Estadão revelou que a pergunta havia sido vetada pelo governo de Jair Bolsonaro, mas que o veto não foi aprovado pelo Inep.

As abordagens acima viraram uma piada pronta, uma vez que o presidente da República disse recentemente, em meio a todas as denúncias de ex-servidores do instituto sobre censura e interferência governamental no exame, que as questões do Enem teriam finalmente “a cara do governo”. Daí cai uma pergunta sobre “vida de gado”?! Pois é… (risos)

Foto de Jair Bolsonaro com cara de preocupado
Miguel Schincariol/AFP/Getty Images

Nesta segunda-feira, 22, o presidente falou que o Enem “ainda teve questões de ideologia” e que isso não teria acontecido se ele e Milton Ribeiro, ministro da Educação, pudessem ter interferido diretamente no exame. “Você é obrigado a aproveitar banco de dados de anos anteriores, você é obrigado a aproveitar isso aí. Agora, dá para mudar? Já está mudando. Vocês não viram mais a linguagem de tal tipo de gente, com tal perfil. Não existe isso aí”, falou em coletiva.

Bolsonaro se referiu a uma questão abordada em 2018 sobre o pajubá, dialeto de travestis. Não é novidade para ninguém que o Enem é sobre interpretação de texto (e extremamente cansativo). Logo, não era necessário saber o dialeto, apenas interpretar a questão em que o assunto foi abordado.

Veja como o primeiro dia de exame repercutiu nas redes:

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