De Maju para Maju: um desabafo contra o racismo

A CAPRICHO convidou a 'nossa' Maju para falar sobre a Maju do Jornal Nacional, que, recentemente, foi alvo de comentários racistas no Facebook.

Por Colaboração: Maju Silva Atualizado em 17 ago 2016, 16h37 - Publicado em 5 jul 2015, 12h40

“Cada comentário racista que eu lia na página do Facebook do Jornal Nacional, sobre a jornalista Maria Julia Coutinho, me deixava ainda mais triste. Como pode, em pleno século XXI, ainda existir pessoas com essa linha de pensamento racista e destrutivo? É inacreditável. Dói. Machuca demais ver pessoas que acreditam que ser negro seja algum tipo de anormalia . Como se fosse errado existir negros na televisão. O que me espanta é a coragem de certas pessoas de escrever isso publicamente, como se fosse natural esse tipo de comportamento preconceituoso. Será que eles sabem que racismo é crime?

É preciso entender que todo pessoa que se esforça e busca aquilo que almeja tem o direito de viver o seu sonho – seja ele qual for. Maria Julia Coutinho é uma excelente profissional. Ela está ali porque mereceu, porque, definitivamente, se esforçou e correu atrás do que queria – um sonho grandioso! Deve ser por isso que incomoda tanto… Não é a cor da pele que vai impor limites a uma pessoa. Acredito que o que levou essas pessoas a se manifestarem dessa forma foi o fato de carregarem, todos os dias, uma vida vazia e incompleta. Você nota, não só pelo tom das agressões, mas, também pelas palavras usadas, que são pessoas infelizes ou que acham graça em brincar com algo que não deveria ser motivo de piada. Esse episódio marcou não só a mim; muitas pessoas tomaram as dores dela. E eu senti na pele o que muitos negros sentem todos os dias . Cada ofensa é como uma facada no coração.

É triste ver que existem muito mais racistas do que imaginamos. O que me alegrou profundamente dentro dessa repercussão toda foi a avalanche de comentários positivos! Fiquei muito emocionada ao ver que o número de mensagens a favor da Maju foi muito maior do que os insultos. Sou fã da Maria Julia há muito tempo e, por coincidência do destino, temos o mesmo nome – além de eu ser estudante de jornalismo, assim como ela um dia foi. Isso refletiu em mim de uma maneira natural, não pelo fato de termos o mesmo nome, mas por eu imaginar o meu futuro e ver que isso poderia ter acontecido comigo. A Maju da Rede Globo é uma inspiração para mim. Ela me representa. A maneira como ela reagiu à violência gratuita a que foi submetida me representa. Os agressores não podem sair impunes.

E, Maju, saiba que você não está sozinha! Tem MUITA gente, inclusive eu, que te admira e te leva como referência. Temos que continuar firmes e sempre agir com sabedoria. Você é uma mulher excepcional, encantadora, inteligente e, definitivamente, estamos nessa contigo. Posso dizer com toda a convicção do mundo que #SOMOSTODOSMAJU !

Com carinho,

Maju Silva

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