CPI da Covid: últimas notícias sobre as investigações acerca da pandemia

Nesta terça, 1º, a médica Nise Yamaguchi foi contraditória em audiência; ela foi convocada por espalhar fake news sobre o coronavírus e a cloroquina

Por Isabella Otto Atualizado em 1 jun 2021, 17h57 - Publicado em 1 jun 2021, 17h55

*MATÉRIA ATUALIZADA CONFORME ANDAMENTO DA CPI DA COVID*

Em 27 de abril, a CPI da Covid foi instalada após determinação de Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal. Toda CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) funciona como um mecanismo que questiona situações pontuais que estejam ocorrendo no governo, no caso da atual em andamento, ela existe para entender se houve falhas por parte do Governo Federal no enfrentamento à pandemia de coronavírus e identificar os responsáveis por essas falhas, caso elas sejam confirmadas. É por isso que peças-chaves, como ex e atuais ministros, médicos e representantes de empresas farmacêuticas, estão sendo ouvidas por deputados, vereadores e senadores, que vão apurar e investigar as informações e irregularidades por elas apontadas, como omissões do governo e até mesmo ações criminosas.

Jair Bolsonaro coloca máscara de proteção contra a Covid no olho
Andressa Anholete/Getty Images

A seguir, você encontra uma série de dados coletados durante as audiências realizadas pela CPI da Covid que dizem respeito a você, àqueles que você ama, ao país em que vive e a políticos que a ele governam:

1. 70 milhões de unidades do imunizante da Pfizer poderiam ter sido compradas pelo Governo Brasileiro, que ignorou ao menos cinco propostas de vendas de doses feitas pela empresa, segundo depoimento de Carlos Murillo, gerente-geral da Pfizer na América Latina.

 

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2. Segundo informações de Octavio Guedes, comentarista de política da GloboNews, o Governo Bolsonaro recusou ao menos 11 ofertas de compra de vacinas, do Butantan a Pfizer, passando pela Covax Facility.

 

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3. Carlos Murillo ainda informou que, até junho, se o governo tivesse aceitado ou ao menos respondido alguma das propostas, o país teria 18 milhões de doses da vacina disponíveis para a população.

 

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4. O ex-ministro da Comunicação Social, Fábio Wajngarten, disse que o Brasil deixou a negociação com laboratórios do mundo todo parada durante dois meses. Em entrevista à revista Veja no final de abril, Wajngarten afirmou que houve “incompetência nas negociações de compra de vacinas”.

 

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5. Wajngarten ainda disse que “o presidente foi informado no primeiro momento” sobre as propostas da Pfizer, admitindo não saber responder porque até hoje a empresa segue sem ter recebido nenhuma recusa ou aceitação de Bolsonaro.

 

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6. Carlos Murillo informou que “Carlos Bolsonaro participou de reunião com a Pfizer” durante as tratativas sobre a venda da vacina, mas respostas seguiram em aberto.

 

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7. Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, admitiu que o governo não contratou a quantidade de vacinas que havia anunciado, 560 milhões de doses, à princípio. Até o momento, o Brasil tem “asseguradas” 354 milhões de doses de vacinas, embora Queiroga tenha dado uma estimativa de 430 milhões no depoimento à CPI.

 

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8. Nelson Teich, ex-ministro da Saúde, revelou que o Brasil poderia ter tido “um acesso maior e mais precoce” à vacinação, caso tivesse formalizado compras de imunizantes ainda na fase de testes. “Quando entra comprando depois, você entra no final da fila(…) Isso vai explicar por que a gente tem tanta dificuldade nesse momento de receber as doses compradas”, garantiu.

 

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9. De acordo com a Agência Lupa, Luiz Henrique Mandetta, também ex-ministro da Saúde, emitiu cinco dados falsos durante depoimento para a CPI da Covid. Ele disse que saiu do Ministério antes de as testagens em humanos começarem, só que ele saiu em 16 de abril e o primeiro teste da vacina Moderna ocorreu em 16 de março, um mês antes. Depois, ele disse que a “transmissão comunitária (só começou) depois do dia 24 de março”, quando, na verdade, no dia 20 de março de 2020 o Ministério da Saúde já havia reconhecido a transmissão. Ele ainda expôs dados incorretos a respeito da compra de respiradores, sobre falas de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, e sobre a vacinação contra a gripe.

 

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10. Jair Bolsonaro chamou o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros, de “picareta” e “vagabundo querendo atrapalhar”. “Se Jesus tem o seu traidor, temos um vagabundo inquerindo pessoas de bem”, disse em discurso feito em Maceió na quinta-feira, 13 de maio. Anteriormente, seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, já havia xingado Renan Calheiros e o chamado de vagabundo.

 

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11.Omar Aziz, presidente da CPI, disse nesta segunda-feira, 17, que, analisando as informações até agora colhidas durante as audiências, é possível dizer que o Governo Federal realmente se equivocou no combate à pandemia, mas que Jair Bolsonaro foi apenas mal orientado.

12. Omar Aziz falou ainda que não pretende convocar o vereador Carlos Bolsonaro para depor, deixando evidente que, possivelmente, o Governo não sofrerá as consequências pelo equívoco no combate à pandemia de coronavírus. A entrevista foi dada à CNN Brasil.

 

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13. Na segunda, 17, Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, conhecida como “Capitã Cloroquina”, acionou a Corte pelo direito de ficar calada durante sua audiência, marcada para quinta, 20, e não se autoincriminar. Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, também já havia acionado a Corte para fazer o mesmo pedido que a colega.

 

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14. Na quarta, 19, Ricardo Lewandowski, do STF, negou o pedido apresentado por Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde. Logo, ela não poderá ficar em silêncio durante audiência.

15. Apesar de ter adquirido o direito de ficar calado durante audiência, que ocorreu na quarta, 19, Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, respondeu todas as perguntas feitas e argumentou que Jair Bolsonaro dispensou a CoronaVac para fazer oposição à João Dória, governador de São Paulo. Pazuello ainda defendeu o presidente da República: “Nunca o presidente me mandou desfazer qualquer contrato ou acordo com o Butantan em nenhuma vez. O presidente da República fala como chefe de Estado, de governo, comandante em chefe das Forças Armadas, chefe da administração federal, e como agente político, se pronuncia como agente político”, disse.

16. Ainda sobre os depoimentos de Pazuello, ele disse que não recomendou o uso da hidroxicloroquina, mas depois falou como a droga é usada em outros países para o tratamento da Covid. Pazuello também esteve presente no vídeo em que Bolsonaro recomendava o “kit completo” contra a doença, que incluía os medicamentos hidroxicloroquina, annita e azitromicina.

17. Pazuello falou também que a Pfizer teve, sim, uma resposta do Governo Brasileiro sobre as ofertas de vacina: “Foram respondidas. A resposta à Pfizer é uma negociação que começa com a proposta e termina com a assinatura do memorando de entendimento para compra. Quando nós tivemos a primeira proposta oficial da Pfizer, ele chegou com 5 cláusulas que eram assustadoras”, disse. Além disso, o ex-ministro minimizou a falta de oxigênio em Manaus.

18. Por volta das 17h20, a audiência com Pazuello foi interrompida. Apesar dos boatos, o ex-ministro falou que não passou mal, apenas ficou com o pé inchado por ficar muito tempo sentado. A audiência será retomada na quinta, 20.

 

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19. Renan Calheiros, presidente da CPI da Covid, disse em entrevista coletiva após a 1ª parte da audiência de Eduardo Pazuello que o ex-ministro mentiu muito. “O depoimento do ministro Pazuello foi verdadeiramente sofrível. Ele fez um exercício para não responder as perguntas que foram colocadas. Quando as respondia, respondia com imprecisão. Infelizmente, ele mentiu muito”, declarou.

 

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20. Na quarta-feira, 25, foi a vez da Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação no Ministério da Saúde, depor em audiência. Apelidada de Capitã Cloroquina, a médica lamentou o fato de, segundo ela, a cloroquina e a hidroxicloroquina terem sidos criminalizadas como alternativas no tratamento à Covid, por “pessoas que fizeram pesquisas fraudulentas”, disse.

 

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21. A Dra. Mayra ainda explicou que a pasta da saúde não “recomendou” o uso da cloroquina, apenas “orientou”. Além disso, a médica se disse a favor da liberdade de profissionais da saúde receitarem remédios, o que causou muita polêmica. Pinheiro se mostrou ainda contra a imunidade de rebanho (sem vacina), por se tratar de uma estratégia arriscada e, de forma generalizada, perigosa.

 

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22. A Capitã Cloroquina informou ainda que lembra apenas de ter recebido uma visita de Jair Bolsonaro para discutir ações sobre a pandemia relacionadas à sua pasta. “Acho que o presidente fez única visita ao ministério da Saúde, que me lembre, em reunião que foram apresentados planejamentos estratégicos das secretarias”, declarou.

 

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23. Durante audiência, um suposto áudio de Mayra Pinheiro falando que na porta do Fiocruz tinha “um pênis gigante” foi mostrado. A médica confirmou que o áudio é verídico. Importante ressaltar que, na porta do Fiocruz, há o símbolo de uma seringa que, para pessoas com dificuldade de interpretação ou olhas enviesado, pode causar dúvida. 

24. Nesta terça-feira, 1º, Nise Yamaguchi, oncologista e imunologista, outra grande defensora da cloroquina no tratamento contra a COVID-19, deu seu depoimento para a CPI da Covid. Ele foi recheado de contradições. Uma delas foi relacionada a uma doença autoimune que a médica tem. Segundo ela, “existem pessoas que não podem se vacinar”. A Sociedade Brasileira de Imunização, entretanto, garante que pessoas com doenças autoimunes não só podem como devem tomar a vacina contra a doença causada pelo coronavírus.

 

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25. A Dra. Nise também citou uma pesquisa sobre a cloroquina e sua dosagem no tratamento da COVID-19. “Eu conversei com os técnicos sobre dosagens da cloroquina, que não poderiam ser muito altas, porque havia saído recentemente um artigo com as doses tóxicas utilizadas num estudo de Manaus. Eu tomei o cuidado, então, de esclarecer que as doses deveriam ser mais baixas”, declarou. Essa pesquisa, contudo, citada anteriormente também por Mayra Pinheiro, a “Capitã Cloroquina”, é considerada pelos especialistas incongruente.

 

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26. Quando questionada sobre sua sugestão de mudar a bula da cloroquina para indicar que o medicamento poderia ser usado para tratar a doença, Yamaguchi disse que isso é mentira, contradizendo os depoimentos de Luiz Henrique Mandetta e de Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa.

 

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27. Segundo a agenda oficial de Jair Bolsonaro, o presidente teve, pelo menos, três reuniões com a médica. Em depoimento, Nise Yamaguchi disse que nunca se encontrou com o político. A médica foi convocada para depor na CPI da Covid após espalhar em seu perfil profissional fake news sobre o coronavírus e a cloroquina.

 

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