‘Com dreadlocks, me sinto bonita sem ter que obedecer a um padrão de beleza’

Entenda tudo sobre dreadlocks e conheça a história da Fê Vallins, que contou pra gente como a mudança na aparência a tornou mais segura e confiante.

Por Da Redação - Atualizado em 28 jul 2016, 17h47 - Publicado em 18 jun 2015, 12h01

Você sabe o que são os dreadlocks? Nós conversamos com o Bruno Dread, cabeleireiro especializado, que nos contou que eles são como tranças definitivas e cheias de nós. Para fazer, o profissional deve separar o cabelo em mechas, conforme o seu volume, e depois dar vários nozinhos. As mechas são embaraçadas (de baixo para cima) e a forma é definida com a ajuda de uma agulha específica. Parece assustador, né? Mas relaxa! A  Fernanda Vallins tem 16 anos, é de São Paulo e também contou pra gente como foi que ela chegou nesse cabelo dreadlocks lindão! 

A Fê sempre gostou muito de reggae. Para a estudante, o estilo musical traz uma cultura muito rica por trás do som e ela sempre admirou muito as pessoas que estavam no meio. “É uma galera alto astral que me influencia muito! A maioria dessas pessoas tem um estilo bem parecido, então foi daí que surgiu meu primeiro contato com os dreads. Isso se uniu ao fato de eu ser uma pessoa extremamente curiosa. Não deu em outra, né?”, conta Fernanda, que, aos 13 anos, começou a pesquisar mais sobre o estilo. ” Como eu não tinha nenhuma amiga com dreads, visitei vários salões e galerias antes de decidir onde faria, além de conversar bastante com os meus pais que, como seria algo discreto, não se importaram muito . Decidi fazer apenas dois, na nuca. Nunca vou esquecer que, nesse dia, o cara disse que, em um futuro próximo, eu ainda voltaria para fazer no cabelo inteirinho. Eu jurei que não, mas ele estava certo! (risos) “, brinca.

Fazer dread não significa ter fios todinhos danificados, viu? Na verdade, depende do profissional, mas o ideial é acomodar os fios entrelaçados sem quebrá-los, mantendo o cabelo vivo e saudável (e um profissional experiente sabe como fazer isso). Dessa forma, ele se mantém hidratado naturalmente pelo couro cabeludo da raiz às pontas. É importante também entender que a higiene é mantida com lavagens com um xampu neutro. Sim, pessoas com dreadlocks podem lavar o cabelo! “Como adorei os dois dreads que havia feito, decidi fazer mais. Aí o problema foi com os meus pais, que não gostaram muito da ideia. Levei uns seis meses para convencê-los, pois, além do medo de eu me arrepender, eles também acharam que eu sofreria muito preconceito com esse visual, até porque muita gente associa os dreads com drogas e falta de higiene. O que, cá entre nós, não tem absolutamente nada a ver !”, afirma Fê, que já sofreu muito preconceito nas ruas, mas acabou mudando a opinião de muitas pessoas, inclusive a dos pais.

A parte mais trabalhosa é secar o cabelo após o banho e fazer a manutenção. “Retoco a raiz duas vezes ao ano e gasto em torno de R$ 200. Mas em comparação com a manutenção que tinha com meu cabelo antigo, é bem mais fácil. Meus fios naturais são enrolados e eu tinha um trabalhão danado para secar e pentear. Agora é bem mais fácil: eu lavo duas vezes por semana só com xampu e seco direitinho com secador, pois a água pesa um pouquinho . Um truque legal para alinhar os dreads é rolar um por um na palma da mão. Isso também tira a marca de quando eu prendo. Mas só faço isso de vez em quando mesmo, gosto do estilo mais bagunçadinho!”, dá a dica. A Fê também aconselha a prender o cabelo quando for entrar na piscina e deixar uma toalha sempre de prontidão.

E para tirar os dreadlocks? É, o jeito é só na tesoura mesmo. Como o cabelo cresce, dá para se recuperar até um palmo de cabelo saudável antes de cortar de vez. E, claro, o cabelo que volta a nascer é totalmente saudável! É só ter coragem para cortar mais curtinho mesmo. Mas a estudante nem pensa em cortar por enquanto! ” Os meus dreads são a minha essência e a forma que eu encontrei de me sentir bonita, sem, necessariamente, precisar obedecer a um padrão de beleza. Rola preconceito, sim, não vou negar. Às vezes, reparo que as pessoas me olham na rua de uma forma taxativa, mas a melhor parte disso tudo foi conseguir mudar um pouquinho a visão estereotipada, pelo menos, das pessoas que convivem comigo . Meus dreadlocks são parte de mim!”

 

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