Bolsonaro acusa OMS de estimular masturbação e homossexualidade infantil

A acusação do Jair Bolsonaro é uma notícia falsa; presidente parece ter se dado conta e apagou a postagem momentos depois de publicá-la nas redes sociais

Por Isabella Otto - Atualizado em 8 jul 2020, 11h41 - Publicado em 30 abr 2020, 10h45
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CAPRICHO/Divulgação

Na noite da última quarta-feira (29/4), o presidente Jair Bolsonaro protagonizou mais um episódio polêmico nas redes sociais. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, ele publicou no Facebook um post acusando a OMS (Organização Mundial da Saúde) de incentivar a masturbação e a homossexualidade de crianças. “Essa é a OMS que muitos dizem que eu devo seguir no caso do coronavírus. Deveríamos então seguir também diretrizes para políticas educacionais?”, dizia trecho da publicação, que foi apagada na sequência, após viralizar rápida e negativamente.

Jair Bolsonaro Andressa Anholete/Getty Images

Bolsonaro citava ainda na postagem trechos de uma cartilha produzida pelo Centro Federal de Educação em Saúde da Alemanha em parceria com o escritório europeu da OMS. Diferentemente do que o presidente dava a entender, o guia é direcionado aos pais, não aos filhos, e traz informações sobre sexualidade e identidade de gênero. Uma das informações é a de que as crianças começam a demonstrar curiosidade a respeito de próprio corpo entre 2 e 3 anos. Elas começam a ter consciência de que os corpos são diferentes e do que é ser menino ou menina com relação à estrutura física. A cartilha produzida na Alemanha, entretanto, não diz que os pais devem estimular que os filhos se toquem, como Bolsonaro interpretou, mas que se conheçam e tenham acesso a informações importantes sobre o próprio corpo, os órgãos sexuais, a sexualidade e a identidade de gênero. “Give information about” (“dê informação sobre”, aconselha o guia).

Publicação feita na página oficial de Jair Bolsonaro no Facebook e apagada em seguida Facebook/Jair Bolsonaro/Reprodução

Essa não é a primeira vez que o governo atual interpreta erroneamente fatos e os tiram de contexto. No início de 2019, viralizou um vídeo de Damares Alves, Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, de 2013, em que afirma que os holandeses sugerem que bebês se masturbem a partir dos 7 meses. A postagem foi noticiada pela emissora holandesa RTL Nieuws.

No vídeo, da época em que Damares atuava como pastora, a atual ministra diz o seguinte: “Na Holanda, os especialistas, que fizeram não sei quantas universidades, ensinam que o menino deve ser masturbado com sete meses de idade, para que, quando chegar na fase adulta, possa ser um homem saudável sexualmente, e a menina precisa ter a vagina manipulada desde cedo para que ela tenha prazer na fase adulta”. O comentário não foi bem recebido pelos holandeses. Na época, Damares Alves se negou a dar qualquer declaração para a RTL Nieuws quando procurada pela emissora.

 

Ainda sobre a mais recente polêmica envolvendo Jair Bolsonaro e a Organização Mundial da Saúde, a OMS ainda não se pronunciou, mas tem respondido indiretamente as acusações feitas pelo presidente, sem citar nomes. Na última semana, em entrevista para o UOL, Tedros Adhanom, presidente da organização, aproveitou para esclarecer que os países que seguiram as recomendações da OMS no combate ao coronavírus se encontram hoje em uma situação menos drástica. “O que garantimos é que damos nossas orientações com base nas melhores evidências e na ciência”, garantiu o representante máximo do órgão.

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