Ana Carolina representará o Brasil falando sobre empoderamento feminino na China

Estudante desenvolveu um projeto para meninas conhecerem e amarem o próprio corpo.

Por Colaboração: Larissa Faria Atualizado em 24 ago 2016, 12h22 - Publicado em 9 jul 2016, 13h00
Antes mesmo de saber o que era o feminismo, Ana Carolina Queiroz, de 18 anos, já sentia que alguma coisa estava errada na forma como era tratada pelos meninos na escola onde estudava. Aos dez anos, entrou no grupo de robótica do colégio, em que por muito tempo foi a única menina no time. “No começo, eu tinha vergonha de contar as minhas ideias, tinha que trabalhar o triplo para mostrar que eu era tão capaz quanto eles. Eu contava que tinha medo de andar na rua sozinha a noite e eles riam”, desabafa.
 
 
O incentivo para que grandes projetos fossem executados veio do apoio das próprias professoras e da união com as amigas: “Leiam sobre o feminismo, não vejam outras meninas como inimigas, mas como pessoas que estão passando pela mesma coisa que você”, aconselha Ana. Sem desistir, ela continuou no grupo liderando a área de pesquisa. Entre as realizações, participou da criação do aplicativo para celular Cidades Interligadas, que alertava os moradores da cidade de São Luiz do Paraitinga sobre enchentes e o projeto “TPM – Tempo Para Mudanças”, que conscientizava meninas da própria escola e também de comunidades sobre a importância de conhecer e amar o próprio corpo. Elas assistiam a palestras com ginecologistas, aprendiam sobre o ciclo menstrual e os sintomas da TPM, a tensão pré-menstrual. Os projetos, realizados até o 3° ano do ensino médio, renderam participações e prêmios em competições na África do Sul, Estados Unidos e Canadá.
 
Fã de artistas como Beyoncé, Cícero e os músicos do Arctic Monkeys e Banda do Mar, Ana agora se prepara para dividir suas experiências com meninas de todo o mundo. Em agosto, ela pegará um avião rumo à China para representar o Brasil na conferência G(irls)20, iniciativa dos países do G20 que reunirá 24 meninas de diferentes nacionalidades. Elas vão discutir o empoderamento feminino e questões econômicas. “Fiquei sabendo do concurso em um grupo de oportunidades acadêmicas. É um sentimento de chance única e muita responsabilidade representar as brasileiras”, conta.
 
 
Após revolucionar o próprio colégio, hoje ela cursa Direito na Universidade de São Paulo. Para se dedicar integralmente às pesquisas, Ana deve deixar o Brasil em setembro para dividir o campus da Universidade de Stanford, na Califórnia, com a paquistanesa Malala Yousafzai, de 18 anos, a mais jovem vencedora do prêmio Nobel, de quem espera ser amiga. Antes de escolher se irá cursar Economia ou Ciência da Computação, ela lembra que garantir uma vaga em uma universidade estrangeira não depende apenas de boas notas, mas também de ações solidárias: “Encontre algo que você goste de fazer e que também ajude a sua comunidade, isso é muito importante”.
 
Boa sorte, Ana, e arrasa muito por todas nós! o/
 
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