A campeã de judô Layana Colman bota os garotos no chão – ou melhor, no tatame

Ela levou o ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude em 2014. E tem tudo para tornar-se uma campeã olímpica

Por Da Redação Atualizado em 24 ago 2016, 16h14 - Publicado em 9 jun 2015, 20h10

Em 2012, Layana Colman, então com 15 anos, faturou uma medalha de prata no campeonato Panamericano que rolou no Panamá. O que para você pode parecer uma grande conquista, para ela era no início de uma crise existencial. Layana queria o ouro. “Meu treinador me perguntou o que eu realmente queria.” Enquanto você entrava no primeiro ano do ensino médio, Layana tomava a decisão que mudaria sua vida pra sempre. E então ela decidiu que o Judô era sua vida.

Não que já não fosse. A coisa toda começou quando ela tinha só nove anos. Uma amiga a convidou pra treinar junto com ela. Mas quem se destacou foi a Lay. E não demorou nem um ano pra que ela começasse a participar de competições pela seleção brasileira de Judô. “Desde pequena eu tive que deixar muita coisa de lado. Tinha treino até no sábado. Chegava o sábado à noite e eu estava muito cansada.”

Em casa, ela tinha todo o apoio do pai, juiz de futebol, em Campo Grande, Mato Grosso, onde ela vive. Mas, no início, entre chaves de braço, estrangulamentos e imobilizações ? os golpes em que Layana é especialista — ela precisava enfrentar a resistência da mãe, que morria de medo de ela perder a feminilidade. “Ela vivia pegando no meu pé. Então eu estava sempre de unha pintada e cabelo arrumado”, diverte-se.

Ao voltar do Panamá, os treinos e campeonatos se intensificaram. Por sorte, a escola era maleável com a atleta. “Era muito difícil. Eu faltava demais. Conforme ficava mais velha, viajava o tempo todo.” Aí, ela tinha que recuperar tudo quando voltava. A pressão para conseguir resultados aumentou também. “Treinar muito não é garantia de dar certo. Então você vive de se preparar para uma coisa que você não sabe se vai funcionar. Não pode sair, tem que fazer dieta…”

No judô, o peso é superimportante, porque ele determina a categoria em que a garota está. Até o ano passado, Lay, que tem 1,63 m, concorria na categoria até 52 kg. Pra alcançar o resultado, ela tem à disposição nutricionista e psicólogo, além dos treinadores, claro. Agora, ela mudou de categoria ? pode chegar a 57 kg. Mas jura que não é tão difícil manter o peso. “Em um só treino, chego a perder 1 kg!”. A nutricionista, então, faz um plano para ajudá-la a repor todos os nutrientes e calorias que ela perdeu.

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Os resultados começaram surpreender. Em 2013 ela ficou com o terceiro lugar no Mundial Sub18 que rolou em Miami ? derrotou uma bielorussa. E, em 2014, ganhou ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude de Nanquim, na China, espécie de olimpíadas teen, hahaha. Em apenas 1 minuto e 22 segundos, zaz!, ela derrubou uma atleta búlgara com uma chave de braço. Eita! “Chorei muito no pódio. Eu queria tanto trazer essa medalha? Segui a dieta certinho, adiei os trabalhos da escola, chegava em casa exausta dos treinos!” Ao voltar pra casa, foi recebida com festa. Desfilou pela cidade em carro de bombeiro e seu deu ao direito de se acabar na pista de uma balada feita especialmente pra ela.

China, Estados Unidos, Panamá, Argentina, França, Turquia, Japão. Só nesses rolês dos campeonatos, Layana já conheceu mais de quinze países. Hoje, está focada em conhecer Abu Dabi, onde vai rolar o Mundial, e nos Jogos Olímpicos do? Japão! “Acabei de mudar de categoria, por isso não tenho chances nas seletivas do Rio”, explica.

Agora ela faz faculdade de educação física e continua treinando todo dia. São duas sessões de 1h30 cada. Nos tatames, costuma enfrentar os meninos com até 5 quilos a mais que ela — “deixa a menina mais forte”. E não é que ela bota eles abaixo? “Estão acostumados?, diz. “Sou muito bruta, não tenho dó.” Outro que ela bota no chão é seu namorado (brinks!) . Eles se conhecem há quatro anos — nos tatames, claro — mas só há quatro meses estão juntos. A brecha que ele encontrou foi uma lesão no joelho. “Foi a época em que mais saí na vida, porque não podia treinar. Ele percebeu que estava carente e começou a cuidar de mim.” <3

Por que a Layana acredita que esporte é importante pra qualquer garota? “Ele faz você passar por situações difíceis. E amadurecer mais rápido.”

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Esta é mais uma reportagem da série #GarotasdoEsporte, que tem o objetivo de fortalecer e valorizar o esporte feminino. Aqui, você vai ficar conhecendo as meninas que mais se destacam no esporte brasileiro, as que têm chance de ir pra Olimpíada? Além de formar o time Olímpico CH, quem sabe você não se inspira e bota o corpo pra mexer também? Ah, e se você quiser indicar alguma atleta por quem torce, envie um e-mail pra mim: tschibuola@abril.com.br .

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