9 fatos curiosos envolvendo o microplástico que vão tirar o seu sono

Sabia que você consome até 121 mil partículas de plástico por ano? Pior que filme de terror, não? Até porque é realidade, não ficção

Por Isabella Otto Atualizado em 8 jul 2021, 13h27 - Publicado em 8 jul 2021, 13h25
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CAPRICHO/Divulgação

Em 1907, o químico belga Leo Baekeland criou o primeiro plástico totalmente sintético e comercialmente acessível. Pelo seu baixo custo de produção e pela praticidade que trazia ao dia a dia das pessoas, ele começou a ser produzido em larga escala e passou a substituir produtos que eram retornáveis, como garrafas de vidro, transformando-os em itens descartáveis.

O material não é apenas vilão. Na área da saúde, por exemplo, o plástico trouxe segurança para os profissionais e os pacientes, e ainda hoje evita muitas doenças, vide contexto da pandemia de coronavírus. Contudo, ninguém parou para pensar a longo prazo sobre os males desses itens descartáveis e de vida longa para o meio ambiente – ou, se pensaram, era algo que não valia ser questionado em comparação lucro financeiro que o material trazia e ainda traz.

 

Hoje, a gente tem produtos que substituem o plástico puro, como embalagens biodegradáveis que, apesar de ecologicamente mais conscientes, continuam tendo plástico na composição. Aliás, o material está em todos os cantos. Dá uma olhada ao ser redor! Copos e canudos “de papel”, filtros de café, sachês de chá, guardanapos… Pode parecer que não, mas tudo isso leva plástico na composição, uma vez que, se não levasse, esses produtos não resistiriam à água, mesmo que minimamente.

Uma colher cheia de microplásticos coloridos
Polietileno (PE), polipropileno (PP), metacrilato de metila ou acrílico (PMMA) e nylon (PA) são os principais plásticos encontrados no ambiente e, consequentemente, consumidos por nós, seres humanos, antes de depois de virarem microplástico Svetlozar Hristov/Getty Images

A seguir, você confere 9 fatos curiosos e assustadores sobre o microplástico, um poluente atmosférico tóxico que você consome sem querer, fazendo algo que é indispensável para a vida: respirar.

1. Em 2021, cientistas brasileiros encontraram pela primeira vez microplástico em pulmão humano

O estudo, de autoria do engenheiro ambiental Luís Fernando Amato, foi publicado na revista científica The Journal of Hazardous Materials e mostrou que as partículas foram inaladas em ambiente caseiro. Impossíveis de serem vistas a olho nu, elas ficam suspensas no ar e também estão presentes no solo e na água. “O plástico pode causar irritações nos tecidos e reações inflamatórias”, explicou a médica Thais Mauad ao Estadão. Análises serão feitas para entender se há ligação entre doenças, como o câncer de pulmão, com a inalação do microplástico.

2. A presença de microplástico também já foi identificada em placenta humana

Uma pesquisa realizada por cientistas italianos foi responsável por encontrar as primeiras evidências da presença de microplástico em placenta humana. Foram identificados 12 fragmentos do material em quatro das seis análises concedidas por gestantes. Os hábitos das mães, como o uso de cosméticos não naturais, pode ser uma das explicações. Mas, hoje, o microplástico está em todo canto, então é difícil escapar dele.

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Imagem de um dedo segurando esfoliante plástico
Recentemente, o microplástico foi considerado o mais novo poluente atmosférico pcess609/Getty Images

3. Não só na água do mar, microplástico está também na água potável

De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde de 2019, microplásticos já foram identificados em água potável. “Tanto na engarrafada quanto na água de torneira. Microplásticos são onipresentes no ambiente e foram detectados também em água marinha, esgoto, água doce, na comida e no ar”, informa publicação. Por ser um assunto consideravelmente novo, estudos estão sendo realizados para entender os impactos desse material no meio ambiente e nos seres humanos. Os microplásticos podem ser extremamente tóxicos, apresentando riscos físicos e químicos, além de biológicos, uma vez que, quando acumulados, podem reter bactérias e fungos.

4. Há 14 milhões de toneladas de microplástico no fundo dos oceanos

Você pode pensar que microplástico é só aquilo que você vê na areia e chegou com a maré: hastes flexíveis, pedaços de brinquedos, miçangas, filtro de cigarro, partes de canudo… Mas, na verdade, a maior parte dessas partículas é microscópica e está no fundo dos mares. Segundo artigo publicado na revista Frontiers in Marine Science, há 14 milhões de toneladas métricas de microplásticos no fundo dos oceanos, o que equivale a 35x mais plástico do que se acredita estar flutuando nas águas.

5. Em 2018, foram encontrados 40 Kg de lixo plástico no estômago de uma baleia

O D’Bone Collector Museum, de Mbini, nas Filipinas, divulgou que uma baleia foi encontrada morta na região com 40 Kg de lixo plástico no estômago, que incluía partículas de microplástico. Cientistas chegaram à conclusão que o animal morreu de desidratação e inanição, e foi confirmado que ela vomitou sangue antes de ir a óbito. “Ela tinha a maior quantidade de plástico que já vimos em uma baleia. Cerca de 40 Kg de sacas de arroz, sacolas de supermercado, sacolas de plantação de banana e sacolas plásticas em geral. Dezesseis sacas de arroz no total“, revelou o biólogo marinho Darrell Blatchley à CNN.

Foto de um biólogo barbudo abrindo uma baleia morta e mostrando a quantidade de plástico que tinha no estômago do animal
A pobre baleira, resgatada já morta, vítima plástico, uma das invenções mais mortais do ser humano D'Bone Collector Museum/Divulgação

6. Absolutamente todos os mamíferos marinhos têm microplástico no estômago

Um relatório publicado na revista Scientific Reports em 2019 mostra que todo mamífero marinho tem microplásticos de até 5 mm no organismo. Para chegar à estimativa, o sistema digestivo de 50 animais de 10 espécies foi analisado. Apesar da notícia boa de que “o número de partículas em cada um foi relativamente baixo. Uma média de 5,5 partículas por bicho, sugerindo que o plástico eventualmente passa pelo sistema digestivo ou é regurgitado”, cientistas lembram que o material é extremamente tóxico e pode acabar sendo fatal, se ingerido em grande quantidade, principalmente por animais de pequeno porte.

7. O odor que o microplástico emite confunde as aves marinhas, que acabam ingerindo as partículas por engano

Pesquisadores da Universidade da Califórnia estudaram o comportamento de albatrozes, petréis e pardelas, e concluíram que eles ingerem microplástico por engano. Isso porque essas partículas exalam um cheiro parecido com o dimetilsulfureto, um composto bioquímico do fitoplâncton em decomposição. Além disso, tartarugas e o tubarão-baleia também são atraídos pelo odor. “Os tipos de plástico que analisamos são usados em muitos dos produtos que consumimos, garrafas de água, isqueiros, escovas de dentes e muito mais”, contou Matthew Savoca, coautor do estudo. Hoje, estima-se que 90% das aves marinhas tenham microplástico no organismo. Acredita-se que, até 2050, 99% dessas aves terão ingerido plástico.

Foto de uma ave marinha morta cheinha de lixo plástico no estômago
Ave marinha morta após lixo plástico obstruir seu sistema digestivo CHRIS JORDAN/SMITHSONIAN INSTITUTION/Divulgação

8. Você consome até 121 mil partículas de plástico por ano

Cientistas do Departamento de Biologia da Universidade de Victoria, no Canadá, analisaram amostras de peixes, moluscos, açúcares, sais, álcoois e água, de torneira e engarrafada, e levantaram que cada ser humano ingere por ano entre 74 mil a 121 mil partículas de microplástico. O número varia de acordo com a idade, o sexo e os hábitos alimentares. Mas, uma vez que o microplástico já se encontra no ar que respiramos e na água que bebemos, os vegetarianos e veganos também estão sujeitos a essa consumo inconsciente. Se juntássemos toda essa quantidade de microplástico, seria como se cada um de nós engolisse uma fita plástica de 605 m todo ano.

Ilustração de como o microplástico chega até você, do mar, passando pelo peixe até o seu prato de comida
Essa é uma das formas que o microplástico chega até você, mas não a única francoillustration/Getty Images

9. O problema do microplástico não tem mais solução

Mas ele pode ser reduzido, se cada um de nós fizer a sua parte. Além de seguir os preceitos básicos da sustenabilidade, que é reduzir, reutilizar, reciclar e repensar, é importante adicionar um “R” à lista: o de reduzir. Microplásticos ainda são encontrados em muitos cosméticos, em itens de higiene, em roupas e acessórios. Além disso, o consumo consciente também faz com que você, ao recusar itens que não precisa ou substituí-los por versões mais ecológicas, não contribua para que plásticos grandes sejam quebrados ou desmanchados durante sua lentíssima decomposição, transformando-se em microplásticos.

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