
É preciso esforço para chegarmos num futuro possível e melhor
O segredo é tentar fazer um pouco como Bad Bunny.
aneiro começou já com um dos álbuns certamente mais aclamados de 2025. Fenômeno latino, Bad Bunny parece ter furado a bolha pela primeira vez e começou a bombar em terras brasileiras de forma menos nichada, e ainda é só o começo.
Se um dos grandes poderes da música é viajar muito além do que a gente imagina ou arriscar até além do que o artista pensou, DeBÍ TiRAR MáS FOToS também pode ser um manifesto-lembrete principalmente para descendentes de negros e índigenas, que construíram este país – e também este continente, vamos combinar.
Junto ao texto indispensável da peça Macacos, do ator Clayton Nascimento – se você não sabe do que se trata, corre aqui –, Bad Bunny me fez refletir sobre um ponto muito específico: o que a gente tem levado do passado para nos ajudar no futuro?
Nos últimos anos, eu confio muito na memória (do celular) para lembrar dos momentos divertidos que vivi, do que me constitui como pessoa e do que vai me fazer chegar lá na frente. A sensação de ver um story e lembrar de um show histórico é boa. Ler um print e lembrar do início da paixão é ótimo. Mas o que vai me fazer chegar lá na frente não é só o que eu vivo agora, mas também o que meus pais, avós e família inteira também viveram. E você também. Ninguém caminha sozinho.
Famílias negras no Brasil tiveram sua história reduzida, apagada num processo racista. E o pouco que ainda temos, apesar de ser muito, resistiu graças aos esforços de quem se interessou em ouvir e aprender para envelhecer e ensinar. Gente jovem, curiosa e atenta que separou parte do seu tempo para construir um futuro, mesmo sem saber direito como fazê-lo.
Mas o que vai me fazer chegar lá na frente não é só o que eu vivo agora, mas também o que meus pais, avós e família inteira também viveram. E você também. Ninguém caminha sozinho.
Hoje, não sei se temos interesse em manejar o nosso tempo para ouvir nossos pais, nossas avós, perguntar histórias sobre os pais deles e entender mais sobre nossas famílias tanto quanto possível. Mas a apatia diante da própria história não ameaça o apagamento só da nossa família ou de nós, enquanto indivíduos; é geral.
Para evitar isso, adquiri o hábito de perguntar histórias novas para minha avó sempre que a encontro. Descobri coisas que nem imagino, e entendi minha relação com itens culturais, por exemplo, que achava ter construído “sozinha”. Nada a ver. Junto dessas histórias, sinto que o futuro está guardado, um pouco mais robusto, e convido você a fazer o mesmo.
É preciso esforço para chegarmos num futuro possível e melhor, e esse esforço começa dentro de casa. Vamos tentar?