Lola Ferreira colunista negritude CAPRICHO
para pensar feminismo e negritude em uma perspectiva diferente. Lola Ferreira
Lola Ferreira é repórter com trajetória focada em questões de gênero e raça. Começou na Capricho, rodou veículos do Brasil inteiro e voltou para falar sobre isso e mais.
para pensar feminismo e negritude em uma perspectiva diferente. Lola Ferreira
Lola Ferreira colunista negritude CAPRICHO Lola Ferreira é repórter com trajetória focada em questões de gênero e raça. Começou na Capricho, rodou veículos do Brasil inteiro e voltou para falar sobre isso e mais.

É preciso esforço para chegarmos num futuro possível e melhor

O segredo é tentar fazer um pouco como Bad Bunny.

Por Lola Ferreira, colunista da CAPRICHO 23 jan 2025, 06h00
J

aneiro começou já com um dos álbuns certamente mais aclamados de 2025. Fenômeno latino, Bad Bunny parece ter furado a bolha pela primeira vez e começou a bombar em terras brasileiras de forma menos nichada, e ainda é só o começo. 

Se um dos grandes poderes da música é viajar muito além do que a gente imagina ou arriscar até além do que o artista pensou, DeBÍ TiRAR MáS FOToS também pode ser um manifesto-lembrete principalmente para descendentes de negros e índigenas, que construíram este país – e também este continente, vamos combinar.

Junto ao texto indispensável da peça Macacos, do ator Clayton Nascimento – se você não sabe do que se trata, corre aqui –, Bad Bunny me fez refletir sobre um ponto muito específico: o que a gente tem levado do passado para nos ajudar no futuro?

Continua após a publicidade

Nos últimos anos, eu confio muito na memória (do celular) para lembrar dos momentos divertidos que vivi, do que me constitui como pessoa e do que vai me fazer chegar lá na frente. A sensação de ver um story e lembrar de um show histórico é boa. Ler um print e lembrar do início da paixão é ótimo. Mas o que vai me fazer chegar lá na frente não é só o que eu vivo agora, mas também o que meus pais, avós e família inteira também viveram. E você também. Ninguém caminha sozinho.

Famílias negras no Brasil tiveram sua história reduzida, apagada num processo racista. E o pouco que ainda temos, apesar de ser muito, resistiu graças aos esforços de quem se interessou em ouvir e aprender para envelhecer e ensinar. Gente jovem, curiosa e atenta que separou parte do seu tempo para construir um futuro, mesmo sem saber direito como fazê-lo.

Mas o que vai me fazer chegar lá na frente não é só o que eu vivo agora, mas também o que meus pais, avós e família inteira também viveram. E você também. Ninguém caminha sozinho.

Continua após a publicidade

Hoje, não sei se temos interesse em manejar o nosso tempo para ouvir nossos pais, nossas avós, perguntar histórias sobre os pais deles e entender mais sobre nossas famílias tanto quanto possível. Mas a apatia diante da própria história não ameaça o apagamento só da nossa família ou de nós, enquanto indivíduos; é geral.

Para evitar isso, adquiri o hábito de perguntar histórias novas para minha avó sempre que a encontro. Descobri coisas que nem imagino, e entendi minha relação com itens culturais, por exemplo, que achava ter construído “sozinha”. Nada a ver. Junto dessas histórias, sinto que o futuro está guardado, um pouco mais robusto, e convido você a fazer o mesmo. 

É preciso esforço para chegarmos num futuro possível e melhor, e esse esforço começa dentro de casa. Vamos tentar?

Publicidade