YouTuber posta desabafo sobre relacionamento abusivo que viveu com ex

"Nunca me senti tão culpada por ser eu mesma. (...) Estava em depressão profunda, querendo me matar todos os dias", conta Dora

Por Isabella Otto - Atualizado em 18 jul 2019, 19h46 - Publicado em 18 jul 2019, 13h26

Em 2017, Dora Figueiredo começou a postar vídeos no YouTube em seu canal, em que fala sobre relacionamentos, sexo e comportamento. A influenciadora passou a fazer bastante sucesso e hoje, aos 24 anos, ela tem um programa fixo na TV UOL chamado “Baixaria”. Na última quarta-feira, 17, a YouTuber publicou um vídeo contando sobre o relacionamento abusivo que viveu com o ex.

Reprodução/Reprodução

Depois do término, que já faz alguns meses, Dora só conseguiu publicar um conteúdo sobre o assunto em seu canal principal agora, apesar de já ter conversado de maneira mais breve sobre relações abusivas com seus seguidores no Instagram. A jovem deixa claro que o desabafo é para ela mesma se sentir bem e confortável com aqueles que a acompanham, e também para ajudar outras mulheres que já passaram ou estão passando por isso.

“Nunca me senti tão culpada por ser eu mesma”, disse Dora, que contou também que ficou muito tempo sem falar com a mãe para evitar que ela desconfiasse do que estava acontecendo com a filha. “Eu era proibida de falar o que eu passava dentro de casa“, afirma a influenciadora, que conta que o ex a ameaçava dizendo que ela nunca poderia falar para a mãe sobre ele: “Eu ficava meses sem falar com a minha mãe porque todas as vezes que eu olhava para ela e ela me perguntava: ‘Tá tudo bem, filha?’, e eu não podia falar que não estava”.

Diagnosticada com depressão aos 11 anos, a YouTuber conta que a doença se intensificou durante a relação e que as crises de ansiedade se tornaram mais frequentes – crises essas que o parceiro usava para fazer Dora se sentir ainda mais culpada. Ele chegou ao ponto de dizer para ela, por exemplo, a seguinte frase: “Você é a mulher mais fraca que eu já conheci e eu tenho certeza que você nunca vai melhorar da depressão”.

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É comum que pessoas que vivam relações abusivas demorem para perceber o que está acontecendo, na maioria das vezes por um instinto de proteção do tipo “eu saberia se estivesse sendo abusada, não aconteceria comigo… certo?”. Foi assim também com a apresentadora, que sofria constantes abusos psicológicos de um alguém que, no começo de tudo, fazia com que ela se sentisse a pessoa mais especial e incrível do mundo. “Eu fui desenvolvendo um medo crônico de fazer as coisas na minha vida. (…) Abuso psicológico é o primeiro passo para a violência doméstica, para a violência física”.

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Como uma coisa tão simples e prazerosa se tornou uma das maiores ferramentas de punição pra mim? Bom uma parte dessa história eu contei hoje no canal, em um vídeo desabafo sobre a minha experiência com relacionamento abusivo, eu cheguei num ponto de ter medo de comer, medo de estar usando o talher errado, comendo a coisa errada, desrespeitando elx com a forma que eu deixava meus talheres depois de comer, medo de gostar do que eu sempre gostei de comer, medo de engordar mais, pois afinal “desde que eu te conheço você só engordou”, eu morria de medo de sair pra comer, de comer, de querer comer, então eu parei de comer, comia o que queria escondido e tinha que mentir quando era questionada sobre o que eu tinha almoçado, e quando engordava simplesmente passava um dia inteiro sem comer, assim elx não desconfiaria, tinha medo do que eu podia ou não podia falar à mesa, e quem me dera que esse fosse o único momento de tortura, não, foi um bom tempo de tortura, mas agora isso tudo acabou, como eu disse no vídeo eu cansei de bancar a forte e fingir que nada aconteceu, não adiantou pra mim, eu já me privei de ser eu mesma por tempo suficiente. Eu não tenho mais medo, e só assim me sinto finalmente livre do meu abusador. Livre pra não ter que substituir por outro abusador, livre pois sei que eu fiz absolutamente tudo pra ser alguém “melhor pra essa pessoa” quando na verdade eu só estava morrendo, livre pois me livrei da culpa imensa que sentia, livre pois sei que eu não sou louca, eu sei exatamente o que eu vivi, e não fui só eu, e não vai continuar sendo se a gente continuar sem falar sobre esse assunto. Violência contra a mulher acontece de varias formas, saber identificar e previnir o sofrimento de outras mulheres é uma luta pela qual vale a pena. Eu quero aprender a me defender e ajudar outras mulheres a aprenderem juntas, pelo fim da violência contra a mulher, seja ela psicológica, moral, física, sexual ou patrimonial. O link do vídeo estará nos storys e na minha Bio. Obrigada

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Outra colocação absurda que o ex da YouTuber chegou a fazer a ela é que Dora não sabia nem comer. Ele teria dito: “Eu não vou comer nunca mais perto de você porque você não respeita a comida”. Figueiredo conta que o cara, na sequência, teria metido a mão em seu prato e afirmado: “É por isso que não como com você, que não cozinho pra você, que não saio com você pra comer, porque você não tem educação”. Essas insinuações envolvendo comida fizeram com que a jovem desenvolvesse uma relação doentia com os alimentos, justamente por estar sendo controlada o tempo todo. O que ela comia, como ela comia, o quanto estava engordando…

Tem pessoas falando que eu inventei ter passado por um relacionamento abusivo, que eu engordei pra ganhar like, sendo que eu engordei porque eu vivia com uma pessoa que constantemente controlava o que eu comia, que controlava meu peso. (…) Eu estava em depressão profunda, querendo me matar todos os dias. (…) Nada do que eu tenha feito justifica o jeito como fui tratada”.

As particularidades de Dora, que antes eram elogiadas pelo parceiro, começaram a ser usadas contra ela. “Eu te odeio, eu só estou com você porque eu gosto da sua cachorra e porque eu tenho medo que você me exponha na internet” foi outra coisa que a garota ouviu do ex, quando o questionou em certo momento se ele ainda a amava. A influenciadora, por ter essa imagem de desconstruída na rede social, falar sobre sexo sem tabu e descomplicar relacionamentos amorosos, sentia-se ainda mais culpada por estar vivendo uma relação abusiva – e, muitas vezes, não poder falar sobre ela (1) por causa das ameaças que recebia do parceiro e (2) porque precisava continuar fazendo seu trabalho na internet para entregar os jobs.

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Hoje, Dora está retomando a relação com a mãe, que a ajudou muito a se reencontrar após o trauma vivido, e finalmente percebeu que ser sincera, principalmente consigo mesma, e buscar ajuda são as melhores saídas: “Eu tive muito medo. (…) A partir do momento em que comecei a falar, eu comecei a me unir com outras mulheres que passaram por isso. (…) [Chorar] é uma parte do processo de cura“.

Confira abaixo o vídeo publicado pela YouTuber:

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